sábado, março 25

Vidas precárias

Vidas precárias é o nome de um blogue.

Mas vidas precárias é principalmente, a situação em que se encontram centenas de milhares de pessoas, famílias inteiras, sem emprego ou com um emprego precário.

Hoje vinte por cento dos trabalhadores vivem grandes problemas de instabilidade social com contratos a prazo que podem atingir, legalmente, sete anos, mas que com artifícios pode prolongar-se pela vida fora. Empregos estáveis, próximos dos nossos locais de residência, dos amigos, em comunidade, são luxos, numa sociedade hipócrita e injusta.

Os jovens e as mulheres são os principais atingidos. Sem independência social, económica ou familiar e com um futuro incerto, não há estabilidade emocional que resista. O futuro é um salve-se quem puder, talhado para os chico-espertos, para os chulos, para os “tios e tias”, oportunistas e corruptos.

As empresas usam e abusam dos contratos a prazo. É mais fácil dispor de empregados quase sem direitos, dóceis, com a porta do despedimento aberta. Hoje nada é seguro, dizem-nos. Mas porque tem de ser assim? Apenas porque para alguns, os lucros fáceis, a ambição desmedida, a gula capitalista, não se comove com a fragilidade de outros, com o sofrimento, com as dificuldades, com a pobreza, a miséria ou a injustiça social.

A globalização, o mercado, a competitividade, são tretas, para nos enganar. A sociedade pode e tem condições para ser mais igualitária, a globalização, as tecnologias de ponta podem e devem ser um processo de alargamento de horizontes, de conhecimento, de partilha de culturas, de aproximação de povos e um instrumento para eliminar desigualdades e injustiças sociais e não o contrário.

Por isso eu dou o meu apoio e
subscrevo a petição para diminuir a precariedade e alterar a lei no que concerne às condições de trabalho a termo certo (contratos a prazo). O Partido Socialista deve recuperar a lei aprovada pelo PS, PCP e Bloco de Esquerda, no tempo de Guterres, cumprir a sua promessa de dar mais estabilidade ao emprego, e impedir que os contratos a prazo sejam superiores a um ano para o exercício das mesmas funções.

O Blogue Vidas precárias deve ser um espaço de encontro e denúncia de situações concretas da vida desses trabalhadores que convivem com o drama da precariedade.


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