O meu relógio trabalha como os outros, mas só tem uma hora -a hora que há-de vir!...
segunda-feira, julho 17
Tinha de ser
sexta-feira, julho 14
Construir uma nova esquerda
São cerca de 180 militantes de mais de 22 partidos da Europa que estão em Portugal a discutir o futuro da esquerda.
O presidente da Câmara dos Deputados Italiana, Fausto Bertinotti; a conselheira de Estado francesa Yves Salesse; o politólogo especialista em ONG e na organização mundial do comércio Raoul-Marc Jennar, são três das figuras presentes na 1.ª Universidade de Verão do Partido da Esquerda Europeia.
A sessão organizada em Portugal, pelo Bloco de Esquerda, encerra no domingo com a intervenção do presidente da Refundação Comunista Italiana (e do Partido da Esquerda Europeia, que neste momento congrega 26 partidos, sendo que nove deles, têm o estatuto de observadores), Fausto Bertinotti.
"Sob o lema "Esquerda Europeia: conteúdos e práticas de uma alternativa", nas conferências e mesas- -redondas irão falar, entre outros, Francisco Louçã e Miguel Portas, o presidente da maior associação europeia de defesa dos direitos do povo cigano, Masko Kunden, a representante da Autoridade Palestiniana junto do Parlamento Europeu, Adele Atieh, e a deputada do partido israelita Meretz, Daphna Sharfman."
Fico a torcer pelo sucesso desta iniciativa.
E por um grande Partido da Esquerda Europeia, moderno, exigente e plural.
Não é tarefa fácil, mas um grande partido à escala europeia, teria a vantagem de unir esforços, encontrar convergências, promover iniciativas globais, em defesa dos grandes valores culturais e sociais da esquerda.
A esquerda a sério não pode ser só oposição. Estar só na resistência.
Tem de ser mais ambiciosa, querer ir mais longe, querer assumir o poder. À globalização capitalista, deveremos opôr uma globalização social e humanista.
O caminho está aberto!
Ditosa Pátria Minha Amada (Link)
Somos um País assim. De chaça.
É a nossa "ditosa pátria minha amada".
As regras foram estabelecidas pelo presidente da Câmara de Lisboa e os partidos aceitaram.
Pois então!
Não se questiona o direito dos Vereadores de terem o seu espaço próprio, instalações condignas, meios humanos e técnicos para desempenharem cabalmente as suas funções.
Isso está previsto na lei 5-A/2002, artigos 73 e 74. A quantidade de pessoas que constituem os seus gabinetes estão defenidas em função do número de eleitores.
Tudo bem, até aqui.
A lei já é omissa quanto aos assessores.
Admito como necessário o recursos a assessores avençados e especialistas, em certas matérias, para pontualmente, dar apoio à vereação em questões iminentemente técnicas.
Não me repugna.
O que me indigna é a proliferação de assessores a tempo inteiro ou parcial;
os valores que a Câmara paga por estes serviços;
a existência de assessores que não são mais que boys do partido, sem qualificações adequadas;
o não recurso ao pessoal existente nos quadros da Câmara para suprir essas necessidades.
São mordomias inconcebíveis. São assessoes e motorista próprio. São escolhas entre os seus.
Até os directores de serviços e as empresas municipais podem contratar assessores. Para quê? Porque não se criam gabinetes de assessoria (para todos) com a prata da casa, se possível?
"Entre os cerca de 100 assessores com contratos de prestação de serviços e avenças, surgem vencimentos anuais de valor apreciável: sete pessoas têm salários entre 60 mil e 63 mil euros, cinco ganham mais de 50 mil euros, 15 contam com um vencimento superior a 40 mil euros, e 28 auferem acima de 30 mil euros. Curiosamente, o assessor com o vencimento anual mais elevado é João Jacinto Romão Correia: 63 058 euros por ano. Já Bruno Ventura, líder da JSD/Lisboa, e João Almeida, ex-líder da JC, ganham 3012 euros por mês. Como os directores municipais e as empresas municipais podem também contratar assessores, a lista total será muito superior."
Uma afronta! E andam, por aí, de tempos em tempos, alguns papalvos de bandeiras na mão, no carro, ou penduradas nas suas residências, por causa do futebol ou da "ditosa pátria".
As nossas bandeiras são outras tenho-o dito.
CAPITAL
Capital
Encarcerada.
Colos, calos, cuspo, caspa.
Cantos, castas. Calvos, cabras.
Casos, casos...carros, casas...
Capital
Acumulado.
E capuzes. E capotas.
E que pêsames! Que passos!
Em que pensas? Como passas?
Capitães. E capatazes.
E cartazes. Que patadas!
E que chaves! Cofres, caixas...
Capital
Acautelado.
Cascos, coxas, queixos, cornos.
Os capazes. Os capados.
Corpos. Corvos. Copos, copos.
Capital,
Oh! Capital,
Capital
Decapitada!
Sou procurado
Estas mulheres procuram-me. A sério. Não sei o que faça. Pareço que correspondo ao perfil que procuram.Jovem, (tenho 50 anos mas não pareço) bonito, (ah!) simpático, cabelos compridos e olhos castanhos, estatura média, apresentação agradável (ui!) e comprometido.
Sou eu!
Não sei que fazer. Eu gosto das mulheres brasileiras. Mas também gosto das portuguesas e das italianas e das francesas. Bem, eu gosto mesmo é de mulheres.
A nacionalidade e a cor da pele, para mim, também não é problema.
Não sei o que faça, mesmo. Esconder-me? Não!
Estou a brincar, amigas e amigos. É mais uma forma de homenagear as mulheres. Depois da sessão de quarta-feira, e de conhecer a personagem Anisa do livro do Álvaro, as mulheres não me saem da cabeça. Sejam brancas ou negras. Loiras, ruivas ou morenas. Católicas ou muçulmanas.
O que importam é que sejam mulheres boas. Ou boas mulheres. Tanto faz.
Eh, pá, são quase duas da manhã. Acho que estou desculpado. Vou dormir. Espero que tenham passado ou passem, uma boa noite. Eu estou a fazer por isso.
quinta-feira, julho 13
Uma noite de tertúlia
Foi a melhor noite de todas, até ao momento, disseram os habituais frequentadores. Os presentes, todos os presentes, sublinhavam com palmas, cada poema que era recitado, cada música que era tocada. Havia uma unanimidade na sala. Não só pela riqueza da obra, o curriculum do Álvaro de Oliveira e pela qualidade do seu último livro.
Na tertúlia, não faltaram as perguntas, o sublinhar de um verso, a paixão por um poema.
Estavam lá outros escritores, homens das letras, a vereadora da cultura, o director do museu, o presidente do centro cultural do alto-minho e tantas pessoas anónimas. Muitos foram os que se atraveram, à margem da programação, a lerem alguns dos poemas que os entusiasmaram. Foi surpreendente, ver o escritor, Carvalhido da Ponte, o Dr. Abreu, a Drª Flora, a lerem poesia, ver o Prof. Canedo a pedir para ser o autor a ler um poema que ele muito admirou.
O Álvaro é uma pessoa recatada e por isso não muito conhecida aqui em Viana do Castelo.
Foi surpreendente o espanto de toda aquela gente pela excelência da sua poesia.
A admiração sentida quando liam e reliam os seus poemas
Compararam-nos aos nossos grandes escritores.
Disseram que o Álvaro é inimitável e não imita e tem uma escrita própria e singular.
Foi um momento inesquecivel.
Os recitadores, foram (são) excelentes.
A Mª José Braga, mais doce na leitura deambulando pela sala, sentindo o que estava a dizer, com muito à vontade e grande qualidade na declamação.
O Arriscado foi sublime, o contraste, com a sua voz poderosíssima, estrondante, sentindo e dando um vigor à poesia excepcional.
Os músicos, jovens músicos, com os seus violinos e violoncelo, encantaram todos.
A festa também valeria, só por eles.
Quatro instrumentistas jovens, deram um brilho extra àquele momento.
Ficavamos ali a noite toda: a ouvir os músicos a ouvir a poesia.
O Álvaro apenas trouxe cerca de 30 livros. Não chegaram. Entre algumas ofertas e as vendas, muitos ficaram por vender por esgotamento do stock.
Foi uma noite para recordar, para todos os que assistiram. Fossem todas as noites assim.
A minha apresentação, foi a possível, não me poderiam exigir mais. Apesar dos aplausos simpáticos da assistência. Fica aqui para quem a quiser ler.
Mais uma nova experiência a reter na minha memória.
terça-feira, julho 11
Convite

Apresentação de Fernando Marques
Recitação de poesias por Mª José e Arriscado e Música pelo Quarteto de Violino e Violoncelo dos Alunos da Academia de Música de Viana do Castelo
Voo
Habito esta incerteza: o lugar exacto para o resgate das mãos.
E, contudo, aqui permaneço rompendo os dias inacessíveis
Hoje, talvez me demore vou partir com as aves.
Álvaro de Oliveira
domingo, julho 9
Mais um dia
é a saudade que temos de nós."
As novas bandeiras
Agora é tempo de voltar à realidade. E agarrar novas bandeiras.
As bandeiras contra a fome; contra o desemprego; contra a miséria social; contra a xenófobia o racismo e a discriminação; por uma melhor saúde, educação, justiça, pela paz, habitação condigna, por uma sociedade mais justa e solidária.
É tempo de não perder tempo! E acreditar apenas nas nossas capacidades de lutar para mudar as coisas.
"Não acredito em Deus porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, sem dúvida que viria falar comigo e entraria pela minha porta dentro dizendo-me, Aqui estou!".
sábado, julho 8
Tiago Manuel
Esta imagem foi retirado do livro Lua Negra de Terry Morgan. Terry Morgan é um heterónimo de Tiago Manuel, um artista sobejamente conhecido.Tiago Manuel já deve ter percorrido todos os ateliers com exposições individuais e colectivas de pintura ou desenho, nas suas diferentes vertentes. Também assina vários livros, com ilustrações "estranhas" (que se entranham) e revelam um artista invulgar.
Os livros que assina, são extensões das suas vivências, usando sempre diferentes heterónimos, onde as iniciais T e M (de Tiago Manuel) encobrem o seu próprio nome. É o caso de Terry Morgan ou Tim Morris ou Tom McCay. Mas Tiago é sobretudo conhecido pelas suas obras de pintura ou desenho.
Tiago Manuel, andou comigo na Escola, no antiga preparatória Frei Bartolomeu dos Mártires, em Viana do Castelo. Tiago distinguia-se dos demais com aqueles desenhos fantásticos que apresentava, normalmente em tinta da china, e nos deixava a todos de boca aberta, com a excelência dos seus trabalhos. Eram impressionantes. Desde muito cedo a sua veia artística nas artes plásticas se manifestaram.
Tiago Manuel é uma figura carismática e dispensa apresentações. É um dos "melhores do mundo". Expôs e ganhou prémios em quase todos os lados. Ao lado de outros grandes pintores.
Dele tenho este livro, Lua Negra, um outro livro (que me ofereceu); um portfólio de "rabiscos" que acompanharam o seu sofrimento no trânsito para a morte, por cancro da mama, da sua companheira, Conceição Madruga e também uma "meia-dúzia" de pinturas e serigrafias, que para citar o Tiago, "irão valer muito dinheiro".
Há uns tempos que não compro nada ao Tiago. Nem o visito no seu atelier pessoal. Nem o vejo. Gostaria de comprar-lhe uma grande tela, tenho esse sonho, mas não tenho dinheiro para isso.
Com ele tenho uma coisa em comum que ele refere sempre que nos encontramos: somos ambos do signo Leão. "Portanto, depois tipos porreiros". Tiago é uma pessoa singular e uma excelente pessoa. Prezo muito que muitos anos depois, o Tiago se lembre deste seu amigo de Escola.
Hoje lembrei-me dele ao folhear o livro Lua Negra e decidi colocar esta ilustração a que o artista deu o nome de confissão.
Deixo-vos aqui um link para um artigo sobre "O estranho mundo de Tiago Manuel" de João Miguel Tavares que aqui me caiu por acaso e que fala sobre algumas facetas do Tiago Manuel.
sexta-feira, julho 7
O rigor e as prioridades do Governo.
Segundo o ministro, as perdas pelo Estado por prescrição de dívidas ao fisco, aumentaram 5,6 por cento, relativamente a 2004.
![]() |
Quer isto dizer que a Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) não conseguiu cobrar 231,5 milhões de euros de dívidas fiscais, devidos ao Estado. |
Por outro lado, a mesma fonte, garante que estes milhões de euros, não têm impacto nas contas do Estado.
Eu devo ser muito burro, porque não percebo mesmo nada.
Não consigo perceber porque se deixam ultrapassar os 4 anos de prazo para liquidar as dívidas (identificadas) a ponto de se tornarem incobráveis. Se isto não é ineficiência é o quê?
Vá. Vá lá. Expliquem-me muito bem. Expliquem-me muito bem porque ineficiência ainda é a palavra mais simpática que consigo encontrar.
Já agora expliquem-me também, porque é que não entrando milhões de contos, todos os anos e cada vez mais, como é que não se reflectem negativamente, nas contas do Estado?
A notícia também refere que devido "à eficácia da máquina fiscal", mais dívidas foram já identificadas, representando mais 15,4 por cento relativamente a 2004. Pois é. Nós agradecemos. Mas não se esqueçam de as cobrar, está bem? Quatro anos é tempo suficiente para cobrar as dívidas.
As dívidas fiscais ascendem a 4 291,6 milhões de euros e dão muito jeito.
O governo tem de rever as prioridades. Porque é que a máquina fiscal continua emperrada ao ponto de, num limite temporal de quatro anos, não conseguir cobrar dívidas identificadas?
Não é aceitável que estando as contas do Estado como estão e quando nos são pedidos, todos os dias, mais sacríficios, se deite, milhões e milhões de contos, descaradamente, fora.
marcada a hora exacta
marcada a hora exacta
só os morcegos não aceitam
os que vêm depois
armam-se de facas
na defesa do lugar
que pela noite conquistaram
Baladas de Orvalho
(Passos de Anisa 2)
quinta-feira, julho 6
Que valor de dívidas fiscais prescreveram em 2005?
Em 2004 as dívidas fiscais prescritas ascenderam a mais de 735 milhões de euros.E em 2005, qual foi o valor? Não se sabe. Porque não consta do relatório da Conta Geral do Estado (CGE), ao contrário do que é habitual? Será que não houveram dívidas prescritas em 2005?
Como diz, Francisco Louçã no requerimento ao ministério das Finanças a este propósito, "a transparência do nosso sistema fiscal, é cada vez mais um elemento central de qualquer política fiscal e de qualquer estratégia de combate à fraude e à evasão fiscal" e é "indispensável para a credibilidade de qualquer governo ou equipa ministerial".
A não divulgação das dívidas fiscais prescritas em 2005, assume particular relevância, quando foi o próprio ministério a afirmar que se esperava um valor superior ao ano transacto.
É importante saber se as prescrições se devem a uma maior ineficiência da máquina fiscal ou se é devido à falta de pessoal especializado em resultado da corrida às reformas, originadas pelas alterações das regras de aposentação ou por qualquer outra razão insondável, que levou a não as inscrever no documento da CGE
Em nome da transparência, espera-se uma resposta convincente.
O aborto e o oportunismo do PCP
O PCP numa campanha vergonhosa, não olha a meios para atacar o Bloco de Esquerda. Quando os adversários, nesta luta, contra a despenalização do aborto, estão identificados, o PCP inventa mais alguns. Um PCP, estranhamente, inquieto, ou talvez não estranhamente, mente. Não é a primeira vez que o faz. O PCP tenta colar o BE ao atraso na resolução deste problema. Só por má fé, desonestidade política, oportunismo. Não ganha nada com isto. Não ganha votos, não ganha simpatias.
Não se trata aqui de fazer a defesa do Bloco por defender.
Trata-se de denunciar a mentira, a sem-vergonha, o oportunismo. Todos sabem do empenhamento do Bloco na alteração da actual lei. Desde o primeiro dia.
Não me esqueço de ver os militantes na rua, em sessões de divulgação e de esclarecimento, da colocação de bancas públicas, de painéis, no empenho pela petição popular por um novo referendo, na apresentação de diplomas na AR, nas votações a favor de outros no mesmo sentido.
O que é preciso mais? Que o Bloco tenha a posição do PCP?!
Mas isso não é possível. Tratam-se de duas concepções de democracia. É uma grande diferença. Houve referendo, o Bloco foi contra, mas a partir do momento que houve, empenhou-se, fez campanha e perdeu. Eu, também não gostaria, se tivesse ganho, nas mesmas circunstâncias de ver alterado pela Assembleia, uma decisão popular, mesmo que através de uma maioria pouco participada e por pequena margem.
O PCP opõem-se à realização de um novo referendo, votou contra, juntamente com os partidos da direita. Acha que o parlamento tem uma maioria suficiente favorável à alteração da lei. Claro que tem. Mas o PS não vota a favor, sem submissão a um novo referendo. O Bloco de Esquerda, também defende um novo referendo. Defendeu-o logo a partir do momento em que o primeiro se realizou. Concedendo um tempo. Considerou e bem que não devem ser maiorias circunstanciais na Assembleia a desrespeitar uma vontade expressa nas urnas. Amanhã a maioria é outra e essa maioria, faz o mesmo e volta tudo ao início. Não pode ser.
Já passaram uns anos largos sobre o primeiro referendo. Está na altura de devolver a palavra aos portugueses. Muita coisa mudou, entretanto. Acredito que um novo referendo vai alterar a lei. O PS não pode adiar mais. O referendo já podia e devia ter sido realizado. Se mais obstáculos forem criados, aí sim. a assembleia deve intervir. De mal o menos. O PS anuncia querer o referendo no início de 2007, depois de não ter feito muito para se realizar, ainda este ano. Entretanto, segundo sei, o Bloco já esgotou o prazo que a si próprio teria dado e afirma votar a favor de uma decisão na AR se alguém o propor. Contudo, é sabido que está condenado à nascença. O PS não votará a favor. Tal como PCP votou contra este segundo referendo. Se dependesse só destes dois partidos, a ter em conta as suas votações, nem tínhamos votação na AR, nem tínhamos referendo.
Convém fazer estas distinções e estes esclarecimentos. E o PCP que escolha os alvos certos e não queira fazer aproveitamento político de uma situação dramática das mulheres e famílias.
quarta-feira, julho 5
Ontem
Ontem não li nenhum jornal. Não tive tempo para comprar ou ler jornais, nem tão-pouco, as notícias on-line. Também, não ouvi os noticiários. Acontece. Hoje dei um olhar pelos meus blogues do costume e o que de mais relevante foi escrito, os jornais retomaram, hoje, os mesmos temas. Não perdi nada, portanto. Deixei de gastar apenas os meus 1, 75 € habituais. Os jornais, tal como as televisões, repetem à exaustão as notícias, sem acrescentar nada de novo. Talvez opte por começar a comprar os meus jornais, só de dois em dois dias.
O que li e me arrepiou, foi uma vez mais a vergonha da criminalização do aborto clandestino. Voltou à páginas dos jornais pelos piores motivos; a condenação de várias mulheres que abortaram. Como se a condenação, resolvesse algum problema. Uma vergonha. Lamentavelmente, os partidos de direita e sectores católicos, não querem resolver o problema. Inacreditável é também a posição do PCP e as suas guerras partidárias, par conquista de posições oo potencialmente votos, ao tentar implicar o Bloco de Esquerda, na não resolução do problema. Lamentável. Já falei sobre este assunto, mas ainda hei-de voltar a ele. Entretanto vejam aqui as razões do Daniel Oliveira, as quais subscrevo inteiramente.
Pois então, ontem foi assim. Depois de acordar cedo, às 09h00, como é habitual, é cedo não é?...fui ao ginásio. Só perto das 14 horas, ás vezes depois, é que consigo sair de lá. Faço, aqueles exercícios todos, desde a passadeira, bicicleta e também alguns de tonificação muscular. Depois, ainda estou aí uns 10 minutos na piscina, vou ao jacuzzi e tomo um banho retemperador. Muito bom não é? Claro que é! Desculpem lá, mas esta minha reforma veio mesmo a calhar.
Ao chegar a casa, recebo um telefonema de um amigo, o Zé da Lina que há mais de uma semana andava a tentar falar comigo, sem sucesso. Fomos almoçar juntos. Foi uma agradável surpresa, porque para além dele, nesse almoço, estavam outros amigos, alguns que já não via há uns tempos. Bem eram para aí uns sete ou oito. São também, soube depois, os candidatos, da lista A da coordenadora do Minho, às eleições para o meu sindicato, o SINTTAV. Foi um almoço agradável e ainda por cima de borla. Esses meus colegas e amigos, como cheguei tarde, já tinham almoçado, mas não se esqueceram de deixar uma refeiçãoà minha espera. Amigos a sério estes!
Com estes imponderáveis, fui falar com a Adelaide Graça já bastante tarde, para ultimar os pormenores da apresentação do livro do Álvaro de Oliveira, este sábado em Cerveira (pela Lay) e no dia 12 na Feira do Livro de Viana do Castelo, na tenda das tertúlias, apresentado por mim, vejam lá. Esta, não te perdoo-o Álvaro... É uma grande responsabilidade. Que ansiedade e nervosismo… só por ti, eu faço isto. Com tantos escritores, homens e mulheres das letras, críticos literários, foste escolher-me a mim, logo a mim e sem possibilidade de recusa. Bem, espero não te desiludir. Não vamos falhar de certeza. O lado mais frágil é o meu. Mas as coisas estão a andar bem, quanto ao resto.
À noite a Adelaide e o namorado, o Pedro, jantaram na minha casa, uma churrascada de entrecosto, bebemos um bom alentejano e ainda vimos um pouco de futebol e depois fomos assistir a mais um lançamento de dois livros.
O Lançamento dos livros foi um momento muito marcante e muito emotivo. Passo por cima de um dos livros, da Conceição Campos, para me centrar no outro livro. Um livro de memórias e de testemunhos de mais de 40 amigos, poetas, outros escritores, ou simplesmente amigos e companheiros de Ricardo Marques, assassinado em 20 de Junho de 1997, quando estava em missão, como médico sem fronteiras, na Somália. A Conceição Campos é a mãe de Ricardo Marques. Comovente. Estavam dezenas de pessoas, de vários pontos do País e de Galiza, amigos ou admiradores de Ricardo Marques.
A Mãe é espectacular. Um exemplo de alguém que não se entregou ao infortúnio e tem lutado e levado a todas as partes do mundo, as causas nobres em que o Ricardo Marques, esteve envolvido. Com muito fervor, com muito entusiasmo, idolatrando-o. Desde a sua morte que todos os anos publica testemunhos, em livro, sobre o filho.
Ontem anunciou que a família vai criar uma bolsa para estudantes da medicina e a fundação Ricardo Marques. Todo o seu espólio pessoal (de um Ricardo multifacetado e perdidamente solidário), da sua mãe, a escritora Conceição Campos e outros pertences da família e de amigos e com o entusiasmo e o empenho que a mãe põe neste projecto, mais o apoio do Presidente da Câmara, são a garantia de que para o ano, o projecto está em fase de conclusão.
Foi um momento muito emocionante.
segunda-feira, julho 3
AMADO APOIOU A GUERRA DO IRAQUE
"O novo ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, apoiou a intervenção Norte Americana no Iraque. Em entrevista ao semanário Independente de 11 de Abril de 2003, Luís Amado contestou vivamente a oposição do PS de Ferro Rodrigues à Guerra do Iraque e garantiu que o governo português de Durão Barroso tinha agido correctamente nessa matéria.Esta é das notícias em destaque no novo esquerda.net.Para o novo ministro dos Negócios Estrangeiros Portugal fez bem em participar na Cimeira das Lajes: “do ponto de vista estratégico, as opções do Governo são correctas”. Sobre a Cimeira da Lajes que preparou a guerra, Amado foi peremptório: “respeitamos os nossos compromissos com os aliados”. O homem que substituiu Freitas do Amaral que se demitiu, segundo o Correio da Manhã devido a um conflito com o Embaixador dos Estados Unidos da América, manifestou-se contra aqueles que minimizavam o Presidente George W. Bush, “Bush chegou onde chegou porque foi sempre substimado”. Luís Amado admitiu que algumas pessoas poderiam considerar ilegítima a guerra, devido ao não apoio do Conselho de Segurança, mas relativizou: “o Direito não é respeitado quando não existe uma força que em última instancia o faça cumprir”."
Um portal completamente inovador no meio político e partidário. Um projecto de comunicação do Bloco de Esquerda, todos os dias actualizado, com uma crónica de opinião, uma livraria e uma rádio podcast, online, videos actuais e informação nacional e internacional.
Um projecto inovador de comunicação política que aconselho vivamente, independentemente da orientação partidária de cada um.
domingo, julho 2
Eu vou!

vou por ali!
quero chegar lá!
não sei se o caminho é aquele
não sei também se vou chegar lá
se o caminho for outro volto
posso sempre voltar
nunca tenho a certeza do caminho
só sei onde quero chegar
o que eu não posso mesmo
é estar à espera
esperar é andar para trás
andar é o caminho para chegar
posso ficar pelo caminho
mas ficar pelo caminho
também é chegar e eu quero chegar!
Fernando Marques
sábado, julho 1
Portugal na meia-final
Bico caladinho ou levas no focinho
Se há uma coisa que me irrita, são os donos do poder, mesmo do pequeno poder, desde o presidente de uma pequena associação, a uma chefia intermédia de uma empresa, ou uma qualquer figura que detém uma mingua de poder, de falarem e agirem como se fossem os donos. Falam sempre na primeira pessoa do singular. Eles são os que fizeram, decidiram, concederam. Nunca é a equipa. Nunca foram outras pessoas. Ou com a colaboração de outras. Foram e são eles. Não usam o "nós".
-“Eu quero. Eu fiz. Eu decidi. Eu vou apoiar”.
O presidente da Câmara do Porto Rui Rio é um caso-tipo de alguém que se julga o dono. Nem mais. Agora para que os promotores de iniciativas, obtenham apoios financeiros, estão impedidos a “publicamente, expressar críticas que ponham em causa o bom-nome e a imagem do município do Porto, enquanto entidade co-financiadora da actividade da sua representada” através da assinatura coagida de um protocolo.
É o ridículo dos pequenos ditadores. Como se o dinheiro fosse deles.
O apoio deve ter em conta o valor, o interesse, a importância da iniciativa, no contexto geral e mais nada.
Obrigar a “calar” criticas a Câmara é uma violência. É um insulto. É inadmissível em democracia.
Esta gente não “percebe” que o dinheiro não é deles. O dinheiro é dos contribuintes. De todos. Dos que apoiam ou dos que discordam da gestão da Câmara.
Querem calar as críticas comprando os apoios financeiros. São uns fracos.
Esta gente do “eu” não são pessoas confiáveis.
sexta-feira, junho 30
Logo tenho Assembleia Municipal e eu ...
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
(...)
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
Vou continuar a procurar
O meu mundo
O meu lugar
Porque até aqui eu só:
Estou bem aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só quero estar
Aonde não estou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
António Variações
Adenda: que dia é hoje?
quinta-feira, junho 29
Fechar Guantánamo
Uma decisão histórica do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, decreta o encerramento da prisão de Guantánamo.A base naval de Guantánamo (em território cubano) existe há mais de cem anos e nos últimos tempos tem servido para os Estados Unidos encarcerar centenas de pessoas, sem quaisqueres direitos civis e ao arrepio da convenção de Genebra, no que respeita aos procedimentos com prisioneiros de guerra, e do respeito pelos direitos humanos, estando neste momento detidos, "cerca de 660 prisioneiros, de 43 países". Segundo a ONG Centro para os Direitos Constitucionais, há presos com idades de 13 a 15 anos e também com mais de 80 anos, apelidados de terroristas, à revelia dos direitos humanos e da justiça internacional,em nome do "combate ao terrorismo".
Esta decisão reforça os apelos internacionais de organizações de defesa dos direitos humanos, da ONU e de alguns países da União Europeia e de todos as pessoas que defendem a justiça e os direitos humanos.
O Governo Português deve aproveitar a oportunidade para tomar uma posição pública, preconizando o encerramento da prisão de Guantánamo.
Passo a Passo
Passo a passo em Anisa faço um traço
pudesse eu segurar tal frescura
e no traço em Anisa me refaço
fazendo-me nos passos da longura.
Então, traçado o céu: o grande espaço
onde um passo se expõe destinatário
e quando o homem nega o próprio passo
logo esse passo é dado ao contrário.
E um passo vale tudo e vale nada
levado à medida do espaço
o espaço que se torna a cada passo.
Aí passa por mim a madrugada
depois que faço um traço em cada passo
no passo em Anisa me refaço.
Baladas de Orvalho
(sete sonetos para Anisa)
quarta-feira, junho 28
Assinatura telefónica convertida em minutos de conversação
A Portugal Telecom apresentou uma proposta à Anacom, para que o valor da assinatura telefónica seja convertida em minutos de comunicações. Esta medida é positiva e há muito que é reclamada por muitos clientes.
Esta proposta já mereceu a discordância pública da Tele 2. Devem seguir-se a Novis de Belmiro e a Oni da EDP. Eles ou não concordam com a proposta da PT ou no mínimo querem que a oferta seja extensível aos outros “operadores”.
Era mais uma originalidade. Nada impede que os novos operadores ofereçam a assinatura, convertida em minutos, como a PT pretende fazer. O que não devem é esperar que a PT lhes ofereça a linha, gratuitamente, para beneficio dos seus clientes.
Nós sabemos que esta liberalização das telecomunicações foi e é uma chuchadeira. Mais de uma dúzia de anos depois os novos operadores ainda querem tudo. Porventura quererão até acabar com a PT. Não pode ser.
Tudo isto está mal desde o inicio. Em minha opinião, parece-me que a solução deveria passar pela rede básica, voltar à posse do Estado (nesta situação, os trabalhadores da PT que operam com as infra-estruturas seriam integrados, se o desejassem, na nova empresa do Estado). Na posse da rede básico o Estado pode e deve gerir as infra-estruturas, sem privilegiar nenhum operador.
Uma outra alternativa seria a PT criar uma nova empresa, com o único objectivo de gerir a rede, de cabo e cobre, com uma lógica de competição ente si. Com esta separação , entre as redes de cobre e de cabo a concorrência era mais forte e teria mais e melhores ofertas e os consumidores, ganhavam com isso, também ao nível da qualidade dos serviços e dos preços.
Hoje pela razão da PT ser grossista e simultâneamente retalhista além de lider destacado do mercado, prejudica o consumidor e a oferta inovadora de serviços, na medida em que, com toda a lógica, a PT não vai competir entre si, com empresas do mesmo grupo. Por exemplo, assistimos a PT a oferecer a banda larga em ADSL a nível nacional e a TV Cabo não. Assistimos a TV Cabo a não fazer a oferta em telefonia. Assistimos a PT Comunicações, a não oferecer o sinal televisivo. E por aí afora.
É para mim claro que a criação de uma empresa, para gerir a rede básica de telecomunicações, independente dos operadores, iria criar melhores condições para o desenvolvimento de uma sã concorrência e de melhores ofertas comerciais e tecnológicas e melhores preços para os consumidores.
Esta nova empresa detentora das infraestruturas deveria ser uma empresa do Estado.
É claro que eu compreendo-os a todos. Estas empresas visam o lucro. E por isso não se dão ao luxo de investir a longo prazo e socorrem-se do Estado para ganhar o mais possível com o menor investimento. Mas ao Estado cabe fazer a opção, sobre o que é melhor para o país, para a economia do país e também para os trabalhadores das empresas. Não cabe servir os interesses das empresas se não contribuirem para a melhoria e bem estar do país.
A grande verdade é que os novos operadores quase não investem ou investiram, nestes anos todos, em tecnologia, em infra-estruturas, em equipamentos, em investigação, em formação, em criação de empregos e aguentam-se, a parasitar na rede de outros, à custa de alugueres das linhas, a preços simbólicos e é natural que por isso se sintam "ameaçados" com esta proposta.
Em minha opinião empresas como a Tele 2, nem deveriam ter licença para operar, pois são exemplos de intermediários que não trazem nenhum valor para o País. Com apenas “meia dúzia” de pessoas, alguns computadores, usando as linhas telefónicas da PT, alugadas a preço irrisórios, fixados pela Anacom, realugam-as aos seus clientes pelo valor da PT e vendem o tráfego telefónico a preços mais competitivos. Fácil, não é?
Pudera! Sem terem que investir em nada, são apenas parasitas que vivem à custa dos meios e recursos dos outros, no caso da PT. Não interessam.
O que era desejável é que estas empresas fossem empresas a sério. Empresas a competir no mesmo terreno da PT, colocando as suas capacidades de gestão, em todos os sectores de negócios de telecomunicações, com ofertas comerciais atractivas, com serviços inovadores, investindo nas redes físicas com as melhores tecnologias, formando ou contratando os melhores técnicos, apostando na investigação.
Mas isso não se vê! A Sonaecom prefere comprar tudo feito (a PT) a preço da chuva. A EDP, quer vender a ONI, A Tele 2, prefere continuar a parasitar. A Anacom não lhes tem complicado a vida. Parece-me, contudo, que está a fazer um trabalho com independência.
A continuara assim um dia destes não temos concorrência!
Apenas se pede que os novos operadores da rede fixa, imitem os operadores da rede móvel. Invistam. Todos temos a ganhar.
terça-feira, junho 27
O "roubo" nos valores da reforma dos trabalhadores da PT e dos CTT
Com as alterações do cálculo da reforma introduzidas pela Lei 1/2004 na Função Pública, os aposentados da Caixa Geral de Aposentações, após 31 Dezembro de 2002, deixaram de receber o valor da última remuneração, passando a depender da média dos últimos três anos. Os trabalhadores da PT e dos CTT tinham o seu sistema de reformas, alinhado pelo mesmo estatuto da Função Pública, como empresa pública e de natureza pública que eram os antigos CTT.
Em 1992, com a alteração da forma jurídica dos CTT, para Sociedade Anónima, os trabalhadores, admitidos a partir dessa altura, passaram a estar vinculados ao sistema de Segurança Social.
Concomitantemente, para os trabalhadores no activo, ficou a salvaguarda por DL 87/92, de 14 de Maio,no seu artigo 9º 1 e 2 que: “ os regimes jurídicos definidos na legislação aplicável ao pessoal da empresa pública [sublinhado meu] Correios e Telecomunicações de Portugal vigentes nessa data continuarão a produzir efeitos relativamente aos trabalhadores referidos no número anterior “. O nº anterior refere que “ os trabalhadores e pensionistas da empresa pública [CTT] …mantém todos os direitos e obrigações de que forem titulares na data de entrada em vigor do presente diploma….”
Inexplicavelmente a Caixa Geral de Aposentações, decidiu, na sequência de um despacho do secretário de Estado do Orçamento, alterar este alinhamento com os trabalhadores da Função Pública, à revelia do DL acima referido e incluiu-os no regime de contrato individual de trabalho, o que em termos gerais, veio agravar em mais 10 por cento o valor da aposentação, em comparação com os funcionários públicos. Foram duplamente prejudicados.
Como é natural, os trabalhadores e as organizações de trabalhadores não aceitaram esta alteração e questionaram o Procurador-geral da República. Ouvido o seu Conselho Consultivo, através do parecer nº 31/2004, o PGR, deu razão aos trabalhadores. Contudo, o Secretário de Estado do Orçamento, decidiu não homologar o referido parecer.
Agora e depois de uma petição dos trabalhadores, os grupos parlamentares do PCP e do Bloco de Esquerda, vão apresentar projectos de resolução para permitir a reposição dos valores das reformas, aos trabalhadores aposentados ou a aposentar, com vinculo anterior a 19 de Maio de 1992, nos estritos termos do que é concedido aos trabalhadores da Função Pública.
Escusado será dizer que esses 10 por cento davam jeito, para além de justos, num momento em que em que os valores da reforma já tinham baixado bastante com a alteração da fórmula de cálculo.
segunda-feira, junho 26
O orgulho Gay
Este fim-de-semana decorreu em vários pontos do mundo, as marchas do orgulho gay. Nada a dizer contra. Hoje, cada vez mais, o mundo está a encarar esta nova realidade, como normal. A homossexualidade existe, não se pode fechar os olhos. E existe, independentemente de uma vontade expressa individual.
A homossexualidade acontece. Basta ouvir ou ler alguns testemunhos. Acontece, simplesmente. Sem saber como, os homossexuais descobrem que gostam de pessoas do mesmo sexo. Que têm essa inclinação sexual. E não há nada a fazer. Nem a opor. As pessoas gostam-se e amam-se e mais nada.
Embora possa parecer contra-natura, nem isso, hoje, parece assim, tão evidente.
Agarrados que estamos a uma cultura religiosa que nos “impôs” determinadas normas de comportamento e de regras morais, tendemos a julgar como anormal esses tipos de comportamento. Porque fomos educados a ver a família de uma determinada forma. Habituados a que a procriação, se tinha de fazer no espaço de um casamento entre pessoas de sexo diferentes e durante uma relação sexual.
Hoje, sabe-se que não é assim. A sexualidade, o amor, sempre aconteceu, com pessoas do mesmo sexo, ao longo dos séculos. E a procriação deixou de ser um entrave com o avanço da ciência e com a inseminação artificial. Em Portugal, já foi inclusive aprovada uma lei de procriação medicamente assistida, ficando, lamentavelmente de fora as mulheres sós.
O preconceito e a ortodoxia estão a diminuir. Devagar, muito devagarinho. A ideia de apenas um modelo único familiar, não condiz com os novos tempos. Hoje, casais homossexuais, partilham, vida, casa, filhos, constituem família. Não lhes é assegurado ainda as mesmas condições, os mesmos deveres e direitos que aos casais hetero.
Há que arrumar os últimos preconceitos. Hoje não há apenas o modelo familiar tradicional. E por isso a escolha do modelo familiar, deve ser um espaço de liberdade de cada um. Sem constrangimentos e sem preconceitos.
O casamento homossexual, o direito à procriação medicamente assistida, a adopção de crianças, deve ser um direito indeclinável. A sociedade moderna tem de se abrir aos novos tempos. Não faz sentido, esta discriminação, este conservadorismo, num quadro do avanço científico, do conhecimento, da emancipação dos “valores” católicos.
Não consigo perceber a objecção a estas novas realidades, que não sejam por ignorância ou por preconceitos desajustados no tempo.
O que verdadeiramente as pessoas precisam é de ser sensatas: Afirmar o amor, o afecto, entre as partes, o casal, os filhos ou as crianças adoptadas, criando as condições básicas para que se desenvolva esta nova família, sem constrangimentos e preconceitos.
Sobre a marcha, apenas dizer que não gosto do uso da palavra Orgulho. As pessoas são o que são. Orgulho Gay é uma palavra desadequada e aparentemente provocatória. Não se tem Orgulho por ser homossexual, como se não deve ter por ser, heterossexual. Não se tem Orgulho por ser homem ou ser mulher ou por se ser branco ou se ser preto. O Orgulho é outra coisa. Também não gosto das manifestações exibicionistas e apalhaçadas de alguns. Mas aqui, trata-se apenas, de bom ou mau gosto.
domingo, junho 25
sem o mais leve murmúrio
sem o mais leve murmúrio se despede o vento brando e azul
e áspera a tarde sobre os teus cabelos carrega uma asa
de mortalha o primeiro sinal de um cigarro artesanal
e frio
talvez um verso proibido te convoque para a geometria
de outras páginas na longura desta imensidão searas
que te esperam verdes e há nelas um repúdio de vento
que sopra sobre a voz que lá longe acompanha um violino
triste
temo que os tentáculos do sistema te cortem a arte de construir
um cigarro e a alegria das palavras que inventaste nos primeiros
dias de abril leio poemas pelo correr da tarde e caminho
pelas imagens da tua ausência aí tomo o relembrar
desse primeiro sinal o teu cigarro amortalhado ao lado
desse violino triste e a voz desfaz-se
em baladas de orvalho
como são longas as horas e breves as águas quando o sol
à tardinha nos fala de outra sedeÁlvaro de Oliveira
Baladas de Orvalho
(Passos de Anisa 23)
O Futebol e a integração
O Futebol é um desporto de massas indubitavelmente. Não distingue, raças, credos, ideologias. Todos, ricos ou pobres, vivem o futebol com ardor. O futebol é uma paixão.
O Mundial de Futebol tem trazido à rua, às praças públicas, aos cafés, um incontável número de pessoas. A convivência, o festim, o encontro de gerações, a amálgama de culturas, a confraternizarem, a torcer pelas suas selecções, nos mesmos espaços, com desportivismo, com classe, com respeito, são bons exemplos de coabitação e acolhimento da diversidade cultural e dos costumes, sem encolhes, cortês e harmonioso.
É exercer o direito à diferença numa sociedade que deveria ser de todos e para todos; global, compartilhada, justa, respeitadora da diversidade.
Isto é o contrário do patrioteirismo palerma dos skinhead, dos neonazis, da honra pateta/nacionalista, do engalanar bandeirinhas, do “orgulho” patriótico. É a antítese do confronto, da guerrilha, da superioridade, da raça, da cor, da religião. É o oposto da ideologia fascista, racista ou xenófoba.
Sentir e viver isto e ao mesmo tempo ler as notícias de que a autorização de residência, dos imigrantes no nosso país, estão condicionadas pelo rendimento de trabalho, superior a 5400 euros anuais; ler que um cidadão paquistanês, casado, dois filhos, com 33 anos de idade, se suicidou, num acto de desespero, porque a sua situação de imigrante, trabalhador da construção civil, se transformou, ficando desempregado ao fim de cinco anos, e concomitantemente, cessou a sua condição de imigrante legal, por não possuir o rendimento anual fixado; ler que de 170 mil imigrantes legalizados, há mais de cinco anos, cerca de 70 mil podem ficar agora ilegais, pela mesma razão.
Sentir e viver isto e saber que as associações de imigrantes apenas pedem a legalização e a integração dos imigrantes que estão no território nacional e reivindicam “uma política global, de controle de fluxos imigratórios, de simplificação dos títulos e direitos dos estrangeiros e um combate mais eficaz à imigração ilegal” é brutal e atenta contra os direitos e a dignidade humana.
Sabendo-se ainda que 125 mil trabalhadores estrangeiros, se encontram a trabalhar em situação ilegal, explorados por patrões sem escrúpulos, sem descontos, sem direitos sociais, é inumano e incompreensível, tomando como exemplo, a forma elevada com que a maioria dos nossos imigrantes, vivem em território português.
sexta-feira, junho 23
Gatunos
Segundo a revista Focus (pág.25), a EDP conta com um novo assessor jurídico.Foi nomeado pelo ex-ministro António Mexia (actual presidente executivo da EDP) e vai ganhar cerca de EUR 10.000/mês.Quem é ele?Pensem um pouco......Mais um bocadinho......Não era fácil...:...Pedro Santana LopesComentários para quê?
Faço um intervalo nesta pausa, para vir aqui publicar isto. Não resisti e vim aqui chamar-lhe nomes. Todos os nomes. Chulos, gatunos, cabrões, merdas, vigaristas...
Triste país e triste povo de memória curta e crédulo nesta gente poderosa, rosa ou laranja ou cinzenta.
Um povo que se embala nos números do PIB, da economia em dificuldades, de um país em crise, que uns Constâncio uns Medina uns Sócrates, nos apresentam, uns números negros assustadores e o povo adormece com essas tretas… e já não se lembra das empresas que fecharam, dos 500 mil desempregados, dos pais que não têm de dar de comer aos filhos, dos trabalhadores que vieram para a rua
quinta-feira, junho 15
Há um ano o meu primeiro post.
Hoje é o funeral de um homem bom. Sim, Cunhal era um homem bom. Um homem que dedicou uma vida aos outros. Que abdicou de uma vida própria, para se entregar a causas nobres. Fica a memória e o exemplo. Um dos meus heróis. Hoje, esqueci-me das minhas divergências políticas para lembrar as convergências com os seus ideais, mais profundos.Nota: No dia 15 de Junho faço um ano nesta coisa de blogues. Iniciei com o à esquerda e com o texto acima a minha entrada no que se convencionou chamar de blogosfera. Não vou fazer balanços. Agora vou fazer uma paragem. Durante uns tempos ou para sempre. Não sei, sinceramente. Um obrigado a todos os que por aqui andaram e desculpem qualquer coisinha.








