O meu relógio trabalha como os outros, mas só tem uma hora -a hora que há-de vir!...
quarta-feira, junho 14
Na hora que havia de vir
Os lábios se uniram num beijo de gratidão recíproco e selaram o encantamento que ambos sentiam. Deixaram-se cair para o lado, com os seus corpos nus enlaçados, num abraço forte que teimava em não se desunir. Ficaram assim uns tempos. Um tempo que não existia. Não havia horas. Só as horas seguintes. Havia um só corpo, um só coração, em dois corpos fundidos.A respiração sufocante, a palpitação descompassada, iam abrandando, tomando o seu ritmo normal. Estavam no deleite dos virtuosos a comprazer-se com a ocasião ímpar.
Amor, paixão, desejos tudo ali estava presente a querer continuação. Na hora que haveria de vir. As roupas no chão, a cama desfeita, os lençóis embrulhados, os corpos húmidos de transpiração, deixavam adivinhar o que ali se tinha passado. Não durou muito e adormeceram nos braços um do outro, muito agarradinhos.
Não sei quanto tempo se passou. Pareciam ter sido horas. Ali não havia relógios. Irá ficar para sempre a dúvida. Os olhos resplandecentes dela abriram-se, sacudiu os cabelos com as mãos e aplicou-lhe um beijo suave e terno nos seus olhos semicerrados que se tinham recusado a fechar ao inesquecível acontecimento. Ele despertou sobressaltado. Num ápice passou-lhe pela cabeça que teria estado a sonhar. Mas não, o sorriso radioso da amada, não enganava. Delicadamente retribui-lhe com um beijo na boca. Estava ambos acordados.
Abraçaram-se de novo. Não falaram, não era preciso. Pela cabeça de cada um deles o filme era mil e uma vez rebobinado. Suas bocas se uniram uma vez mais. As línguas se tocaram outra vez. Estavam insaciáveis. Ela gostava muito de o beijar e ao mesmo tempo mergulhava o seu olhar penetrante, nos dele, tentava perceber as suas motivações próximas. Não precisou de muito tempo.
Seus corpos se entregaram um ao outro. De repente sem darem por isso estavam no chão embrulhados e balanceados em movimentos puros de sedução e atracção que os deslumbrava. Ele pegou nela e sentou-a no seu colo, frente a frente, as costas dele coladas à parede fria, mas isso não importava. Na sua frente estava a mulher que queria possuir.
Fernando Marques
terça-feira, junho 13
(...)
A cerveja faz bem à saúde II
No fim do mês de Maio, foi escrito nos jornais que “desde que consumida com moderação [uma ou duas por dia] e associada a um padrão de vida saudável” a cerveja fazia bem à saúde.
Caso contrário, perdido por um, perdido por cem. Uma problema fácil de resolver!
é uma ave selvagem
é uma ave selvagem
o teu olhar
sempre o teu olhar
rasgado sobre a voz
o teu olhar
que solto te convoca
e nos convoca a sós
Álvaro de OliveiraBaladas de Orvalho(Passos de Anisa 5)
Eu só
"Estou bem aonde eu nao estou
eu só quero ir
Aonde eu nao vou
eu só estou bem
Aonde eu nao estou
eu só quero ir
Aonde eu nao vou"
Excerto de uma canção de
António Variações
sexta-feira, junho 9
O Mundial e os imigrantes/emigrantes
Começa hoje o Mundial de Futebol. Fico a torcer por Portugal. Não vou contudo andar de bandeirinha na mão, ou no carro. Não vou comprar camisola ou andar de “cascol.” Mesmo que venham “embrulhados” e oferecidos em alguns jornais ou outras publicações das que costume comprar. Vou vibrar com a selecção. Esperar que ganhe. Os portugueses, estão sedentos de algo que os anime. Uma boa campanha, talvez, sirva para trazer algum ânimo e conforto aos portugueses. Bem precisam. Ao menos, ganharemos em alguma coisa, porque “isto” tem sido só a perder...
Sou a favor, como sabem de uma política de imigração inclusiva e responsável. Acho que os imigrantes que produzem riqueza para este país, os que trabalham ou querem trabalhar, os “imigrantes” que são portugueses de nacionalidade, não reconhecidos, os que trabalham legal ou ilegalmente, os que são atirados para a marginalidade, merecem um tratamento digno. Tal, como genericamente, tiveram os nossos emigrantes espalhados pelo mundo. Problemas de marginalidade, de integração, de conciliação de culturas, não são fácil de resolver. Tem de ser feito esse esforço.
Eu quando vejo, imigrantes, a torcer a sério por Portugal, sinto uma grande satisfação, sinto que estão a dar bofetadas de luva branca, a políticas racistas e xenófobas.
Quando os ouço gritar, "Portugal, Portugal" acredito na sinceridade daquele grito. Não acredito nos "Portugal, Portugal", dos cabeças rapadas, dos neonazis.
Quero dizer-vos que sou um apreciador do Deco. Um grande jogador. Um talento. Uma pessoa que transmite serenidade e confiança a falar e a jogar. Também, uma pessoa humilde, entre algumas vedetas.
Sabemos que Deco não teve grandes problemas de naturalização. Como acontece com a generalidade dos jogadores de futebol.
Não tenho nada contra. Apenas lamento que estes processos céleres não aconteçam com outros imigrantes.
Dito isto, quero dizer-vos que gostava de uma selecção nacional de jogadores portugueses.
Nascidos em Portugal ou que adoptaram o país como o seu país. E se naturalizaram. Ou se querem naturalizar ou legalizar.
Não gosto de coisas naturalizações “forçadas” só para melhorar a nossa prestação desportiva.
Deco é agora português. Mas não sei se é o seu país.
Em tempos quiseram, “naturalizar” à pressa outros jogadores que sobressairiam, nos seus clubes. Jogadores de “passagem” à espera de outras visibilidades.
Não me parece, mesmo assim, que seja o caso de Deco.
Queria ser português e queria jogar por Portugal, embora a porta da selecção do Brasil, lhe estivesse ainda aberta.
Pelos nossos emigrantes em especial, gostava que a selecção nacional, fizesse uma excelente campanha!
O orgasmo.
Os lábios apertavam com vigor o membro duro. A língua dela desenhava uns belos e harmoniosos movimentos geométricos, numa dança sensual de cobiçada cumplicidade. E o pénis hesitava entre acompanhar o saracotear da língua e entrar no bailado ou espraiar-se egoísta, a acompanhar tão bela e lasciva demonstração de amor.
Ela lambia o seu sexo degustando seu cheiro, paladar e a sua língua percorria todo o canal ejaculador firme e cheio em movimentos desregrado, por onde haveria de passar o líquido cremoso, deleitoso que seria oferecido à sua companheira, vertido na mais bela salva, para ser sorvido, ate saciar a sua sede do prazer e da paixão.
Os movimentos dos corpos eram consistentes. Na cama já, estendidos, seus corpos se entregavam à volúpia desmedida e descontrolada. Os beijos sucediam-se, as línguas confundiam-se, as salivas misturavam-se, num dois em um, em cadência e resplendor. Nada os poderia fazer parar. Ela e ele não viam mais, não sentiam mais nada, o tecto podia cair, a casa desabar, um tsunami de desejo e sensualidade estava a acontecer naquele preciso momento. A chama estava ateada. Ninguém poderia prever a dimensão e as consequências daquele fogo.
Ela tomou de novo seu sexo. Sentiu que ele estava muito perto do orgasmo. Agarrou-o com vontade, passou-lhe a língua pela glande, introduziu-o na boca e em movimentos mais acelerados, em vaivém, sentiu, na quentura do seu membro e nos gemidos incontroláveis que a “combustão” estava demasiado próxima. Antes do tempo desejado. Não demorou um minuto sequer. Um jacto de prazer e de paixão afogou-se na sua boca. Os olhos dele reviraram-se. Não via nada. Sentia-se nas nuvens. Ela, por seu lado, não desperdiçou peva. Engoliu tudo até à última gota e lambeu o seu sexo com doçura, lavando-o
O meu último post, gerou alguma perplexidade, entre alguns habituais leitores. Alguns comentaram isso directamente comigo. Outros preferiram fazê-lo de outras maneiras. Os que comigo falaram pessoalmente e porque são meus amigos, foram simpáticos e até teceram elogios. No entanto chamaram-me a atenção que alguns outros, menos, familiarizados comigo, talvez lhes cause estranheza, ter ido por esta linha, habituados que estavam mais a uma intervenção social e política. A minha mulher, também me disse que pessoas mal intencionadas, podem fazer juízos abusivos, mas que por ela e não esperava outra coisa, se a chatearem, saberá dar-lhes uma resposta adequada.
Mas esses meus amigos têm razão. Embora me incentivassem a continuar se isso não me prejudicar. Claro que para mim não é nenhum problema. É mais um desvio que aliás não é o primeiro, para outro tipo de abordagens. Portanto, não tenho que pedir desculpas, não tenho que ter receios de qualquer espécie, nem tenho que mudar nada. Sou o que sou. Sou assim. Mas estes desvios "pontuais", nunca me iriam desviar do meu principal combate. Esse sabem qual é. Embora esteja muito, muito cansado...
ah, deixo-vos este link para quem quiser saber alguma coisa mais sobre o homem.
quinta-feira, junho 8
Porque tenho um blogue (III)
A contra OPA está aí.
Os accionistas andam muito satisfeitos. Já ganharam muito dinheiro, cerca de 30 milhões de euros, só com o aumento dos dividendos, por causa da OPA da Sonaecom. Agora vão ganhar mais. O dobro, diz o Expresso, até 2009.
A Telefónica, o Bes, o Patrick Monteiro, o coronel Luís Silva, a CGD, entre outros, depois de ganharam milhões de euros, com o aumento inesperado dos dividendos, vão embolsar mais alguns milhões de euros, com novo aumento. É um fartar vilanagem.
O Estado passa ao lado destes rendimentos, livres de impostos. É assim… quem trabalha, farta-se de pagar impostos. Uns tantos, ganham milhões na bolsa e não pagam rigorosamente, nada. O Bloco bem apresentou uma proposta para obrigar esta gente a pagar IRS ou IRC no caso das OPA’s, com recurso a empréstimo bancário. Como se esperava a proposta foi recusada pelos partidos do sistema neoliberal.
Para os trabalhadores é que continua a não haver nada. Na história da PT nunca se viu, uma coisa assim, no ano em que a Empresa atingiu os maiores lucros de sempre e mais remunerou os accionistas, apresentou a mais baixa proposta salarial de sempre.
Enfim, parece que sempre vai aparecer uma contra OPA à de Belmiro, oferecendo mais 2, 5 mil milhões de euros do que os 11,5 milhões de Belmiro. Para quem achava que o Belmiro tinha apresentado uma proposta honesta… aí está a resposta. È uma “ Private equity” constituída por algumas empresa estrangeiras, sendo Miguel Pais de Amaral o cabeça de testa em Portugal.
Belmiro deve importa-se pouco. Já conseguiu alguns dos seus objectivos: paralisou a empresa PT, provocou uma pequena revolução interna na PT que tem prejudicado os trabalhadores e a sua Sonaecom desenvolve livremente a sua actividade sem “oposição” e ainda aparece aos olhos de alguns sectores como “um salvador” e um patriota.
Entretanto, “esperto”, já adquiriu as acções suficientes da PT, a um preço que lhe permitiram, apenas numa semana e com tendência a engordae, depois do anúncio da nova OPA concorrente, as mais valias suficientes, superior a mais de dois milhões de euros, para cobrir quase todos os encargos da sua oferta.
Estes "Belmiros" são mesmo uns grandes patriotas. O povo português é um eterno distraído e os nossos neoliberais, são uns badamecos da pior espécie. É assim que se faz Portugal. Uns bem, outros mal.
Adenda: ia-me esquecendo de dizer que defendo a nacionalização da rede básica da PT, isto é; que todas as infraestruturas de Telecomunicções voltem ao Estado.
quarta-feira, junho 7
Ele deixou-se conduzir
Ele deixou-se conduzir. Aquele instante era há tanto tempo desejado. Retribuiu-lhe o beijo, docemente. Os lábios de ambos permaneceram colados, uns minutos, tentando adivinhar sabores, comprazendo-se no momento esperado.
Estava tudo muito calmo. As línguas tocaram-se muito de leve. Ele tomou-a só para si. Arrepanhou-a pela força dos seus lábios sequiosos, para dentro da sua boca, com tanta vontade que nem reparou no gesto mais brusco. Ela não se desfez. Apenas o leve gemido o alertara.
Ela suave e compreensivelmente pousou generosamente os seus lábios nos dele e respondeu-lhe com uma leve mordidela no lábio inferior.
Era o sinal de cumplicidade e de ousadia que ambos esperavam. Os corpos já estavam seminus.
O desejo era muito forte. Ele não estava a conseguir resistir àquele corpo com corpo. Aos beijos afectuosos dela percorrendo o seu corpo ele já não correspondia. Estava extasiado, seu corpo arrepiava-se, quase não se sentia a sua respiração, não conseguia reagir.
Os olhos dele brilhando, denunciavam-no. Ele não conseguia esconder a vontade, o desejo indómito de a tomar selvaticamente.
Ele não estava a conseguir conter-se. Ela percebeu-o bem na troca de olhares ligeiro que se seguiu.
Ela enérgica, avançou. Desabotoou-lhe os botões das calças enquanto lhe mordia levemente os bicos dos seus peitos até sentir um leve gemido. Ela estava a desbravar terreno. A conquistar tempo e espaço. A gozar o momento e o tempo. Ela estava a gerir o tempo. Tinham tempo. Havia muito tempo pela frente.
Ele estava mais inquieto.
A ânsia estava estampada no rosto dele. Ele comprazia-se...
Com um pequeno gesto de corpo, ele deixou escorregar as calças pelas pernas abaixo. Ela baixou-se e suavemente tirou-lhe a última peça de roupa que faltava.
Depois... depois, agarrou-lhe no pénis já duro e levantando os olhos, como que a dizer; “pronto, amor, cheguei” num gesto sublime e único, meteu o pénis dele na sua boca até onde conseguiu entrar, apertou-o forte com os lábios e o corpo dele todo tremeu.
Fernando Marques
(pequenos delírios para dispersar...)
terça-feira, junho 6
Andam a brincar connosco é que é
Não foram utilizados e não são necessários. Agora querem tentar vendê-los. Foram 150 milhões de euros gastos inútil e ruinosamente. É assim. Neste país não se responsabilizam os decisores políticos. Por mais escandalosos que sejam os negócios e o prejuízo para o erário público.
Entretanto, aqui bem perto, em Fragoso, concelho de Barcelos, ao terceiro dia, foi pedido apoio à Espanha, para com a ajuda dos seus meios aéreos, combater um incêndio. E porque não foram accionados os nossos meios aéreos? Parece que ainda não está aberta a época de incêndios.
Tirem-me daqui!
A bandeira nacional e outras "bandeiras"
Irrita-me ver a bandeira nacional e ouvir o hino nacional. Já não tenho pachorra!
Não gosto dos símbolos nacionais. Não gosto sequer da palavra pátria. Toda esta campanha em volta dos nossos símbolos, em particular da bandeira nacional, deixa-me os cabelos em pé.
Gosto de Portugal, gosto da minha terra, não gosto deste patrioteirismo que o Sargento Scolari impulsionou e que por aí, circula, até à exaustão, à pala da selecção de futebol. A bandeira aparece agora e costuma aparecer, quando os nossos neonazis decidem vir para a rua, protestar contra os “estrangeiros”. Que associação acabei de fazer…
Só uma vez usei a bandeira nacional. Foi para a pôr na varanda com uma pano preto ao redor. Estava triste com o país. Acredito que lhe vou dar outra vez uso.
A minha pátria não tem uma nacionalidade.
A minha pátria é o mundo dos que sofrem, dos que vivem mal, dos que são desconsiderados, dos pobres. A minha pátria é onde tenho raízes. É onde estão os meus amigos. Os meus familiares. É onde tenho uma marca.
Gostava de ver o povo português mobilizar-se por outras “bandeiras”.
As alterações na administração pública
segunda-feira, junho 5
Tempo de reflexão
Mas o maior dos males, hoje, reside ainda na corrida às armas de destruição maciça. Ou na loucura dos eternamente depravados.
Como o mundo está!...
E em que mãos colocamos o nosso destino e a segurança do planeta ao eleger com o voto aqueles que, doravante, mereciam pelo voto ser derrubados! Os que, afinal, só pensam em fazer a guerra, os que praticam todos os tipos de tráfico, os que agridem constantemente os mais elementares direitos da pessoa humana, os que atiram milhares de idosos e crianças para campos de concentração e de refugiados.
Ao elaborar este texto pergunto-me se, porventura, não estarei a traçar uma ideia de exacerbado pessimismo. Certo e absolutamente que não!
O contrário, seria não ter consciência da realidade, não querer ver.... não querer assistir... recusar aceitar...
Seria esquecer que, nesta conjuntura, morrem por ano cerda de dez milhões de crianças com fome em todo o mundo. Seria não querer assistir à mais sofisticada forma de escravidão nos nossos dias. Seria recusar ver a diabólica manifestação da mentira sobre a verdade. E isto, caros leitores, obriga-nos a uma reflexão profunda.
E, para esquecer misérias e injustiças, nada melhor do que entrar na onda da selecção de futebol que nos é impingida pelos donos da TV, sem que nos falem do esbanjamento e do desperdício que tudo isso acarreta.
Depois, isso mesmo: temos ainda o Santo António, o S. João, o S. Pedro e outras romarias populares espalhadas por tudo quanto é terra. Muita festa e muito pagode para levantar o viço. Para uma falsa auto estima. Para dar largas ao nosso entusiasmo. E, apesar de tudo, esquecer... para fazermos de conta que nada de anormal se passa à nossa volta. E tudo é tão efémero, meu Deus!
Salvam-se os verdadeiramente Santos, sempre filhos do anonimato, formiguinhas de Deus e peregrinos do Amor que, voluntariamente, colocam toda a sua força e toda a sua inteligência ao serviço dos famintos, dos desprezados e dos esmagados. Porque vivem os seus dramas e interpelam-se com os dramas dos seus irmãos. Vivem a sua dor procurando minimizar a dor dos seus irmãos, vivem a sua solidão interiorizando a solidão dos seus irmãos. E, nesta grande caminhada do Amor, ainda transportam consigo carradas de esperança para dar aos desesperados, aos doentes e aos sem abrigo. São assim, simplesmente assim, os que amam em abundância.
Álvaro de Oliveira
(artigo também publicado no Correio do Minho)
DEMITA-SE SRª MINISTRA!
O que este governo está a fazer chama-se terrorismo social. Está a atacar tudo o que seja público, desde o encerramento de maternidades, escolas e outros serviços públicos essenciais e a mandar para o desemprego milhares de funcionários públicos de forma encapotada, a coberto do famigerado PRACE. Nem o governo do PSD se atreveu a ir tão longe e que "morre de inveja" por não estar no poder a praticar este tipo de políticas nitidamente conservadoras e neo-liberais.
Como se isto não bastasse, os ministros deste governo enveredaram pelos insultos baixos e indignos aos trabalhadores do Estado. Foi o que aconteceu com a ministra da Educação, ao afirmar que "quer as escolas quer os professores não se encontram ao serviço dos resultados e das aprendizagens", culpando os professores e educadores pelo insucesso escolar. Além de outras declarações indignas e de apresentar um projecto de revisão do estatuto da carreira docente que só podem causar repulsa e revolta! Tal como milhares de docentes do Algarve ao Minho e da Madeira aos Açores, sinto-me atingido na minha dignidade profissional e, por tal facto, exigimos uma reparação que, no mínimo, só poderá ser a demissão da ministra da Educação! Peça desculpa e demita-se Srª Ministra, (caso não seja demitida pelo Primeio-Ministro, o que não acredito, pois Sócrates é o principal suporte destas políticas).
Está em marcha um fortíssimo ataque contra os professores e educadores que pretende atingir aspectos essenciais da sua profissionalidade e liquidar direitos fundamentais inscritos no seu estatuto de carreira. A este ataque junta-se uma ignóbil campanha política junto da opinião pública com a intenção de denegrir a imagem de 145 mil docentes perante a sociedade e, deste modo, serem criadas as condições favoráveis para a ofensiva que se encontra em curso.
A aprovação do novo estatuto da carreira docente consubstancia três objectivos fundamentais: culpar os professores e educadores, tornando-os "bodes expiatórios", pelo fracasso das políticas educativas, implementadas ao longo destes últimos anos pelos sucessivos ministérios da educação da responsabilidade de governos do PS e do PSD; controlar ideologicamente e de forma repressiva a profissão docente; impor critérios economicistas em nome da redução do défice. Neste último caso, além de se querer destruir a carreira única, obrigando a maioria dos docentes a ficarem retidos a meio da carreira de forma administrativa, está implícita uma artimanha ainda mais terrível e diabólica - atirar para o meio da rua milhares de professores e educadores através de diversos expedientes - desilusão, cansaço, exclusão, processos disciplinares, etc. Será o regresso ao período de antes do 25 de Abril. E o mais paradoxal e dramático, para não dizer trágico, é que estas medidas anti-sociais vêm da parte de um governo que se diz socialista. Não foi para isto que milhares de docentes votaram, apostando numa alternativa de governo diferente.
O que está em causa não é só o agravamento das regras da aposentação e a ilegalidade da não contagem do tempo de serviço, mas igualmente o perfil profissional dos professores e educadores, colocado em causa pelo Ministério da Educação com o recurso a medidas ilegais e ilegítimas e que ameaçam o abastardamento da profissão docente.
Exige-se não só a demissão desta Ministra, mas também uma nova equipa ministerial que altere o rumo da política educativa que respeite os professores e educadores, contribuindo para a construção de uma escola pública de qualidade e de sucesso para todos.
À guerra declarada por este governo contra os professores e educadores (e outros trabalhadores), só resta a estes responderem com a mesma moeda. A apatia, o desânimo, os braços caídos, não conduzem a nada e só agravam a situação. Teremos de ter presente a máxima de Goethe: "se perdes os bens perdes algo, se perdes a honra perdes muito, mas se perdes o ânimo perdes tudo". Unidade e luta, pois a razão e a força estão do nosso lado. Trata-se de um combate que é preciso ganhar, um combate que se trava entre a modernidade progressista e o conservadorismo imobilista, atávico e neo-liberal.
E a próxima forma de luta está aí à porta - Greve e Manifestação de todos os professores e educadores (excepto o ensino superior) para o próximo dia 14 de Junho! Não deixar para amanhã, podendo ser demasiado tarde, o que se pode fazer hoje! O exemplo das lutas populares francesas contra o famigerado CPE serve-nos de referência e mostra-nos o caminho.
João Vasconcelos
Professor, membro da Coordenadora Distrital
do BE - Algarve
(Este post foi-me enviado, via mail, pelo José Carrilho)
nada digo sobre o tempo que passou
nada digo sobre o tempo que passou estava escuro os
passos eram demorados e as crianças morriam de fome
à frente dos meus olhos só a noite e o que ela envolvia
sobre um silêncio quase inumano e os meus amigos presos
e os meus amigos torturados e os meus amigos mortos
aí perdi os sentidos e a liberdade toda a liberdade que os
meus olhos precisavam de beber
nada digo da noite os passos eram demorados e estavam
ansiosos para chegar à manhã que então acordava com abril
e os meus amigos libertados
domingo, junho 4
Eu "sacana" me confesso...
O Governo demagogicamente quer trapacear os mais incautos. Os canastrões do costume, companheiros de “la route” das medidas neoliberais do Governo, contra os trabalhadores, já se vieram manifestar. O Ministro das Finanças parecia mesmo estar indignado… Dizem que não percebem os trabalhadores... Que eles estão contra tudo... Que nunca estão contentes com nada... Não é verdade.
Há várias razões para não estar satisfeito. Os funcionários públicos de repente, sabemos, passaram a ser os principais responsáveis pelo estado do país. Ganham muito, estão a mais, trabalham pouco, são burocratas, uns privilegiados. Todos são uns privilegiados: o gestor público, o médico, o juiz, o professor, o jardineiro, o enfermeiro, o contínuo, o assistente judicial, o inspector de finanças, o funcionário de balcão.
Há que ser honesto: quem aguenta durante anos ver-se acusado de todos os males, pelos velhos lideres de opinião, pelos seus “patrões”, por toda uma garotada de pseudo novos-fazedores de opinião, com uma cultura neoliberal, classificando-os de malandros, incompetentes e de que são apenas um peso para o Estado e que grande parte deles tem de ser despedido?
Há que pôr cobro a isto!
Todos sabemos a função pública que temos. Mas também sabemos quem são os responsáveis.
E também sabemos quem enxameou a administração pública de gente a mais em alguns sectores.
São e foram os dirigentes políticos que governaram este país!..
Agora parecem aflitos e dizem que os trabalhadores têm de compreender, têm de aceitar, que não têm outro remédio, que não há outra saída. Enfim, palavras e mais palavras.
Por mim podem continuar assim que não lhes dou nenhum crédito.
Digo mesmo: que se deixem de canalhisses. E que resolvam a sério o problema. E para resolver, é preciso, primeiro, saber qual é o problema; se o problema é haver trabalhadores em excesso ou se é de uma má gestão dos efectivos e dos recursos ou da falta de recursos, disponíveis . Ou se são ambas.
É preciso saber onde está o mal, efectivamente.
É preciso saber se se devem fundir, extinguir ou reforçar serviços.
É preciso saber onde se trabalha mal e porque se trabalha mal.
Depois, sim, fazer permutas, promover a mobilidade ou mesmo flexibilizar o trabalho.
E reorganizar toda a máquina do estado.
Não estou contra a mobilidade ou a flexibilidade, se tiver que ser mesmo. Mas é preciso saber oferecer as contrapartidas e de ser escrupuloso no seu cumprimento, para não criar mais injustiças.
O Governo aprovou um novo regime de mobilidade dos funcionários públicos, que praticamente, já existia. Apenas se introduziu uma novidade. Uma boa novidade, mas de pouca eficácia, presume-se. A novidade é que os trabalhadores excedentários, (trabalhadores com vinculo à função pública mas sem serviço e ao fim de três meses a receberem apenas 60% por cento do vencimento - quem gostaria de estar nesta situação?) poderão cumulativamente, exercer outra actividade no privado, passando a receber, creio, metade do vencimento de funcionário público.
Mas esta é a outra grande falácia:
é que, em regra, a ter em conta o que o governo anuncia, os trabalhadores excedentários, serão os trabalhadores, mais velhos, os supostamente menos capazes, ou os jovens com pouca experiência.
Só assim posso perceber a razão do mecanismo da mobilidade. A não ser por esta razão o que iria acontecer eram cortes cegos. Na bolsa dos excedentários estariam, assim, os competentes, os mais e os menos, os produtivos, os mais e os menos, os trabalhadores empenhados e os malandros. Ora essa não é a lógica empresarial que o governo tanto enaltece. Contradições...
Nesta situação caberá perguntar, se os "trabalhadores mais velhos, os mais incompetentes, os inexperientes," irão encontrar emprego no privado! E com os actuais níveis de desemprego, não estarão a querer enganar papalvos??
Os do costume, os do menos mal, dirão que é melhor assim do que serem despedidos ou de lhes ser “imposto” uma rescisão contratual.
Pois é.
Mas isso seria partir do pressuposto de que os trabalhadores iriam aceitar o despedimento (que seria inconstitucional) ou uma rescisão do contrato, amigável. Eu não acredito. Eu, no lugar deles, não deixaria de lutar com todas as minhas forças e armas que pudesse dispôr.
O emprego não tem preço. A segurança no trabalho deve ser defendida.
O direito ao emprego ou ao trabalho (por causa das más línguas) é das lutas mais justas e dignas que podem existir.
Sinceramente, não sei se temos trabalhadores a mais na função pública. Talvez sim ou se calhar não.
Também admito que problema possa estar na má gestão dos serviços e/ou na incompetência das chefias.
A verdade é que o país gasta demais com a sua administração pública, segundo dizem. Acredito.
Para se ter a certeza onde estão os verdadeiros problemas, serão precisos fazer estudos aprofundados, direcção a direcção, serviço a serviço, departamento a departamento, analisar modelos de gestão, comparar diferentes experiências, conhecer os objectivos propostos, analisar os recursos tecnológicos necessários e suficientes, e organizar tudo.
Organizar ou reorganizar tudo, numa óptica de um serviço público de qualidade, ao serviço dos cidadãos.
Só a partir desta análise se pode definir o modelo, os objectivos, os meios técnicos, os activos humanos, verdadeiramente necessários e com realismo.
E depois sim, partir para orçamentos de gestão financeira de base zero. Para saber como gastar, onde gastar e porque gastar.
Tenho a certeza que nada disto aconteceu. Isto só seria possível, em minha opinião, por uma auditoria externa e credível. Não foi o que se passou. Não é o que se vai passar. Não estão interessados. É mais fácil uma gestão de mercearia. Sem faltar o livro preto aos quadradinhos. Para não esquecer...
Pela parte que me toca, não concordo com estas medidas. Serei sempre contra qualquer despedimento, ou tentativa de despedimento que não seja por reconhecida justa causa. E aí temos os tribunais para julgarem. O país não se resolve mandando trabalhadores para o desemprego ou para a inactividade que é o que tem estado a acontecer. Com muita pressão psicológica à mistura. O país faz-se com as pessoas.
Eu "sacana" me confesso, (não foi isso que quiz dizer Sr. Ministro?) contra qualquer tentativa de despedimento. Às claras ou não. Nunca me convencerão é que o desemprego é uma solução.
Feira de Livro em Lisboa
Dia 8 de Junho de 2006 - 21h30
Adelaide Graça - Sem Chaves Nem Segredos
Produções Editoriais, Lda - SeteCaminhos
Vamos lá amig@s, comprar o livrito, receber um autógrafo e um beijinho da Lay.
O veto de Cavaco à lei da paridade
Realmente vivemos num país atrasado. Até a burguesia e os seus representantes são uns atrasados, aliás, sempre foram uns atrasados. Em vez do desenvolvimento escolheram a rapina de África, em vez da democracia burguesa escolheram a ditadura, em vez da modernidade sempre escolheram o conservadorismo. Nem para capitalistas têm prestado.
Está difícil vencer o conservadorismo. A incorporação da mulher no mercado de trabalho ajudou um pouco à sua independência, mas persistem os mais baixos salários e a mais alta precariedade. São as primeiras a ser despedidas e as últimas a ser admitidas.
O direito de voto veio tarde, a liberdade pessoal ainda mais tarde. A moral ditada por um capitalismo patriarcal ainda se faz sentir. Se um homem “come”várias mulheres é um engatatão, um herói. Se uma mulher “come” vários homens é uma puta. E assim sucessivamente.
O direito à decisão sobre o seu próprio corpo é coisa de difícil conquista. A despenalização do aborto continua uma luta com vitória ainda por garantir.
Até com a paridade os conservadores embirram. O conservadorismo não perdoa – então no que diz respeito aos direitos das mulheres todas as tentativas de modernidade e conquista social são ainda mais difíceis.
O veto político – não foi veto constitucional – de Cavaco veio dar mais uma força aos conservadores. Aí está o primeiro resultado da vitória da direita nas presidenciais. Pelos vistos Cavaco não quer que as listas tenham obrigatoriamente paridade. Talvez Cavaco aceite que a lei exija paridade, mas que a própria lei aceite que ela própria – a lei – seja violada, pagando-se uma multa. Se assim for a violação do direito da paridade será tratada como uma contra-ordenação. E o PS parece que vai nisso!
Victor Franco
observo o clarear dos dias esquecidos
observo o clarear dos dias esquecidos nas medas do tempo
é pela manhã que inicio a faina e começo a desbravar
a seara do teu corpo repouso breve das mãos no tear
de alegrias e tormentas
há um melro que canta melodias matinais o meu despertador
nas primaveras que dispo com a foice dos dedos
e refresco a minha solidão com o orvalho dos teus cabelos
falaremos do tempo meu amor e da cor dos teus olhos
quando o trigo crescer
sábado, junho 3
Um dia em casa
Talvez me demore
talvez me demore as aves adormeceram as noites passam
arrastando sonhos e ilusões dobro-me agora à tua ausência
e confesso-me ainda mais vazio nada tenho para dar-te
senão manadas de silêncio frio que as montanhas produzem
quando acordo aqui sorvo apenas demoras e acasos
no desfiar de paixões inacabadas até que as aves regressem
do seu sono
sexta-feira, junho 2
A UGT e as crianças
Mas a leitura dos jornais empurrou-me para a reportagem da “Única”, a revista do “Expresso” com bons textos e boas fotos sobre trabalho infantil.
Vou ser parco sobre esses trabalhos – eles falam por si e quase nada acrescentarei. Eles valem pela recolocação do problema na agenda política. Eles mostram como entre o brilhos das montras, o sorriso dos anúncios publicitários, o fetiche da mercadoria, está um mundo cruel de exploração do trabalho que não poupa as próprias crianças.
O fetiche da mercadoria é poderoso. Esta essência do capitalismo exala “perfumes” de desejo e posse – sinónimos de estatuto social, glorifica empresários de sucesso e fotos mil em revistas cor-de-rosa – gente bonita como se costuma dizer.
Quando desmontamos esse fetiche descobrimos mundos onde “os meninos têm menos sorte do que os pintainhos”. Mas também descobrimos meninos como Robin. “Tantos eram os seus porquê que as irmãs chamavam-no menino porquê”. Esse menino que “quer ser missionário, correr mundo a defender os direitos dos pobres” dá-nos uma ajuda na nossa tarefa. Perceber porquê.
Talvez a sua escolha não recaia na opção missionária se o desafio da dialéctica e do materialismo lhe levar outros respostas de valor real, mais fortes do que a fé.
Mas é bom retomar a interrogação.
Porquê? Porquê? Porquê?
Victor Franco
quinta-feira, junho 1
Baladas de Orvalho

perco o olhar noutras palavras puras e ofereço-me à
sabedoria das aves sou esse vagabundo que apanha as
palavras despidas de êxito e vai depositá-las nos convés
da espera
nem outra margem me segura os passos vou por este
lado do engenho onde o sonho inspira as aves para a
construção dos ninhos
assim se cumpre o signo dos meus dias ir até ao fim da
estrada com as palavras coladas aos dedos






