domingo, dezembro 4

António Variações

Se António Variações estivesse-se vivo teria feito ontem, salvo erro, 61 anos. Lembro-me bem do Variações. Daquele jeito estranho de cantar e estar em palco. António Variações, morreu de SIDA, julga-se, embora na altura ninguém falasse nisso. Este homem, cabeleireiro de profissão, cantava e fazia músicas por gosto.

Tudo em si era excêntrico. A roupa, o cabelo, as barbas e isso para os nossos costumes não era(é) apreciado. O Variações tinha um grande orgulho nessa sua imagem peculiar e fazia uso dela, "provocatóriamente".

Mas é num programa de Júlio Isidro, seu cliente, que se dá a conhecer ao País com toda a sua irreverência atípica para a época. Depois disso lançou uma série de discos e músicas que ainda hoje perduram na nossa memória.

Não deixo de me lembrar do António Variações naqueles momentos mais melancólicos e depressivos, "eu sou estou bem onde não estou, eu só quero ir onda não vou" ou "não sei de que é que eu fujo"

António Variações deixou um espólio musical de grande valor e canções inesquecíveis:

Estou além - Não Consigo Dominar/Este estado de ansiedade/A pressa de chegar/P'ra não chegar tarde.


Canção do Engate - Tu estás livre e eu mais estou livre/e há uma noite p'ra passar/porque não vamos unidos/porque não vamos ficar,! na aventura dos sentidos.

Sempre ausente - Diz-me que solidão é essa/que te põe a falar sozinho/diz-me que conversa estás a ter contigo.

É p'rá amanhã - É p'rá amanhã/Bem podias fazer hoje/Porque amanhã sei que voltas a adiar/E tu bem sabes como o tempo foge/Mas nada fazes para o agarrar.

O corpo é que paga - Quando a cabeça não tem juízo/Quando te esforças/Mais do que é preciso/O corpo é que paga/O corpo é que paga.

E todas estas canções agora produzidas pelos Humanos como: Muda de Vida, Não me consumas, Na lama (excelente), Eu quero é viver, A culpa é da vontade ou a Maria Albertina.

Fica a minha homenagem (atrasada) ao António Variações.



8 comentários:

mfc disse...

Com o tempo aprendi a gostar dele e a admirá-lo.

Platero disse...

Era um excelente cantor e com umas letras que levam a pensar.

Boa semana

Anónimo disse...

Ele há homens de sorte! Para além de não terem problemas de joelhos tb não se perdem nos dias da semana.
Beijo
Céu

José Marques disse...

Homenagem merecida a um vulto da nossa cultura que como tantos outros, o valor dado só vem depois da morte

Helena disse...

é um artista que nao conheço ...irei procurar algumas musicas , para conhecer um pouco da nossa cultura..
um beijinho
Helena

becas disse...

OLá Fernando...
Obrigado pela visita....
REalmente uma homenagem merecida, pois eu admiro muito o António Variações...
(e gosto mto da musica maria albertina=))

Ele era um filosofo em forma de cantor(na minha opiniao)...

gostei mto do post

bjo

becas

Bárbara disse...

Ola....
ja disseram tudo o que eu ia dizer f******....
Olha gosto das musicas dele...!|
e relativamente ao poema da pomba.. os meus poemas sao apenas devaneios uns meus outros não...
Fica bem
Um beijo
Barbara

Paulo Vasco disse...

Tinha 6 anos e adorava-o!
A sua subversividade (assim encarada por muitos), era por mim e minha mãe vista de forma completamente normais. Afinal, Boy George, dos Culture Club, era 1 pouco mais "excêntrico".

Como todos os verdadeiros artistas, o mérito apenas foi reconhecido anos após a morte.

Característica do nosso país?

O certo é que as letras das suas canções, dos anos 80 ainda se aplicam ao início do século XXI.