O meu relógio trabalha como os outros, mas só tem uma hora -a hora que há-de vir!...
quarta-feira, novembro 30
Presidenciais
O Manuel Alegre candidato à presidência diz que defende a concessão automática da nacionalidade portuguesa aos descendentes de imigrantes nascidos em Portugal. Mas o Manuel Alegre deputado do PS e vice-presidente da Assembleia da República votou no dia 14 de Outubro a favor da proposta de Lei de Nacionalidade do Governo que nega a nacionalidade automática aos filhos de imigrantes nascidos em Portugal. Passou-se só um mês e meio e Manuel Alegre mudou de opinião. Ah! Mas agora Manuel Alegre é candidato.
Movimento "Deixem o Professor comer"
Foi notado nos meios democráticos que os assessores de Cavaco Silva, em particular o seu assessor de imprensa, o ex-director do DN Fernando Lima, não deixa o Professor comer. Revela a revista Sábado, que garante que o Professor tem humor, que no Brasil Fernando Lima impediu vergonhosamente o candidato de por um pão de leite na boca, com medo das fotos dos jornalistas presentes, que lembrassem o episódio do bolo-rei.Mas um pão de leite não é um bolo-rei e a indignação dos democratas cresceu quando se soube que esta opressão se vai manifestando com regularidade. Por isso, está a nascer um movimento "Deixem o Professor comer", para garantir o direito de todos, incluindo os do candidato.
Palavras para quê?
Fernando Ulrich apoia Cavaco Silva. Diz que “é fundamental que o PR contribua para que o maior número de portugueses compreenda e apoie as medidas necessárias ao progresso do País.” Para quem não se lembra, este Ulrich, presidente da comissão executiva do BPI, é o que defende a possibilidade do despedimento por iniciativa unilateral do empregador, o fim da progressão de carreiras e a flexibilidade total de horários (trabalho aos sábados e domingos). Em resumo, escravizar os bancários.
Quem falava sem pensar antes de ser candidato?
Há candidatos que dizem que, agora que são candidatos, têm que pensar um pouco mais e têm de ter mais cuidado antes de se pronunciar sobre questões internacionais, nomeadamente as que têm a ver com a política de George W. Bush. Quer dizer: antes pensavam uma coisa; agora... pensam outra. Ah é??? Descubra quem é o candidato que tem este raciocínio neste vídeo (para saber, veja até o fim).
+Ver Vídeo
(do Site de F.Louçã)
O benefício ao infractor
São 1,9 milhões de euros que não entram nos cofres do Estado!
Porquê?
um mentiroso no Ministério da Educação
Aqui está a prova de que o Secretário de Estado da Educação mentiu.
Agora faça o óbvio, Senhor Primeiro Ministro. Demita-o!
terça-feira, novembro 29
Assembleia Municipal II

As competências delegadas nas Juntas de Freguesia, são para a conservação e limpeza de valas, bermas e caminhos, ou dos espaços verdes e praias ou da rede viária florestal, para a conservação e reparação das escolas do ensino básico, pré-escolar, parques infantis, ou ainda a gestão, conservação e reparação dos equipamentos culturais e desportivos ou centros de apoio à terceira idade, jardins de infância, bibliotecas que sejam propriedade municipal.
Parece pouco, mas para as actividades das Juntas são absolutamente necessárias se querem apresentar trabalho perante os seus concidadãos.
Por estranho que possa parecer é aqui que se joga muita coisa. Como sabem não basta delegar competências. É preciso que para estas novas responsabilidades se ofereçam os meios, técnicos, humanos e financeiros para um cabal desempenho das mesmas. Ora isto não acontece de forma regulamentada.
Assim a qualquer altura, as Juntas solicitam formal ou informalmente a intenção de fazerem determinados trabalhos, no âmbito dessas competências e a Câmara analisa e concede ou não, o apoio financeiro e outros meios, não se sabem com que critérios, pois estes não estão tipificados em nenhum lado.
Este modelo dá um poder desmesurada e arbitrário ao Presidente da Câmara e coloca os Presidentes das Juntas de Freguesia numa situação de pedinchice permanente para conseguir realizar obra.
Neste quadro, os Presidentes das Juntas estão em total dependência do bom juízo ou o mais certo, da boa vontade e das relações de amizade e das clientelas partidárias ou outras e por isso não é de estranhar as cumplicidades tácticas, que são reflectidas nas votações das sessões da Assembleia Municipal.
E é aqui que entra o jogo político! Os Presidentes das Juntas, temendo serem prejudicadas, nesta relação em que são a parte mais fraca, alimentam esta postura e o Presidente da Câmara, sai bem desta situação.
Foi, por essa razão que nós apresentamos uma proposta no sentido de haver candidaturas a uma bolsa financeira, para estas obras delegadas, a tempo dos projectos aprovadas serem integradas no orçamento camarário, com base em critérios claros e previamente definidos.
Não foi assim que quiseram os deputados municipais (onde se incluem os Presidentes das Juntas) e a proposta só mereceu o apoio dos eleitos do Bloco e da CDU o que, em minha opinião, vem mostrar o alto grau de dependência e onde os beneficiários são conhecidos e os mesmos.
Esta Assembleia veio confirmar as minhas primeiras impressões de aqui já dei conta e não sei se estou disposto a contribuir para este peditório, onde a maioria impõem os seus votos e “consente” os votos de outros, nesta relação “estranha” de dependências do poder que foram criadas e se vão manter e onde só nos são concedidos cinco minutos por cada hora, apesar de os inscritos nos pontos da ordem de trabalhos, não serem mais de meia dúzia.

"Rodrigo Leão membro fundador dos Sétima Legião e Madredeus, é um músico sobejamente conhecido com um registo que tem obtido enorme sucesso, tendo mesmo entrado directamente para o n.º 1 do top dos mais vendidos em Portugal. Toda a sua música é visual. Mais do que uma simples imagem, por vezes apresenta um argumento completo com picos dramáticos e personagens credíveis que deambulam por entre os acordes e as vozes, onde se cruzam temas instrumentais com canções, interpretados por um elenco de convidados de luxo."
Aí ao lado com simples clique e estão a ouvir Rodrigo Leão.
segunda-feira, novembro 28
Assembleia Municipal
Mais logo, tem lugar a Assembleia Municipal e destaco dois pontos da ordem de trabalhos que mais polémica podem suscitar.
O primeiro ponto é sobre o Imposto Municipal sobre Imobiliário (IMI). A Câmara propõem a manutenção do imposto no limite máximo de 0,8 por cento, para os imóveis inscritos até Novembro de 2003 e de 0,5 para os inscritos a partir daquela data. Não há meias medidas com esta Câmara. O que é preciso é receitas! Não lhes interessa se sobrecarrega mais os contribuintes.
Como ainda não conhecemos o orçamento e o plano para 2006, também não sabemos se é possível descer este valor sem colocar em causa a execução de certos projectos de investimento.
A fixação deste valor é pois uma mera operação contabilista de arrecadação de receitas.
Esperava-se que esta oportunidade fosse aproveitada para definir uma politica de habitação e de urbanismo e de incentivo ao arrendamento. Não vão por aí. Em vez de actuar com impostos diferenciados em freguesias rurais (e entre elas se necessário) e urbanas, como forma de fixação das pessoas nas suas aldeias, combatendo a desertificação e "compensando" as desigualdades de infra-estrutura e equipamentos que só existem nas freguesias urbanas, prefere fazer a aplicação cega de impostos, tratando por igual o que é diferente.
Esta forma de actuação, tão ao jeito do que fez o Governo de Sócrates, com o aumento do IVA que penaliza da mesma forma o rico e o pobre, o que pode e o que não pode, tem aqui um belo seguidor. A Câmara podia dar aqui o sinal do que deve ser uma gestão urbanística do território. Mas ou não sabe ou não quer ou sabe mas não lhe interessa, ter uma verdadeira politica autárquica para a construção, conservação ou recuperação de habitação ou de arrendamento.
As Câmaras Municipais tem reivindicado para si a faculdade de fixar determinados impostos, mas tem de provar que sabem utilizar bem esses instrumentos para criar justiça e bem-estar dos munícipes. Ora, limitar-se a aplicar os valores máximos permitidos pela lei sem ter em conta as assimetrias e as desigualdades conforme a lei prevê é ir pelo lado fácil sem ater a politicas integradoras e solidárias.
Apesar disso a nossa posição nesta Assembleia vai ser a de aceitar a manutenção da taxa em 0,8 por cento com sentido da responsabilidade, por causa do impacto financeiro que uma baixa de valores, poderia causar e eventualmente comprometer projectos de investimento em curso ou planeados que não conhecemos, ainda.
Mas como não concordamos com a aplicação de um valor igual para todas as freguesias, iremos propor uma minoração em 20 por cento nas freguesias rurais, como forma de discriminação positiva, para colmatar o atraso e as assimetrias e ajudar as pessoas a construir e fixar-se nas suas freguesias. Esta medida tem ainda mais justificação quando os imóveis das freguesias do perímetro urbano estão a ser valorizados por força dos planos de requalificação urbana.
No mesmo sentido iremos apresentar uma proposta de incentivo ao mercado de arrendamento, reduzindo em 20 por cento o imposto a todos os proprietários que lancem prédios ou fracções para arrendar. Por outro lado iremos subscrever uma majoração aos prédios devolutos e degradados, deixados ao abandono, conforme uma listagem da Câmara Municipal.
Temos a convicção que estas propostas não vão baixar as receitas porque a minoração não atinge o coração dos impostos que são as freguesias urbanas e porque há receitas provenientes deste imposto de 2004 e 2005 cujos valores patrimónios actualizados com a reforma fiscal, só terá os seus efeitos reflectidos em 2006.
E acima de tudo estamos a fazer justiça às freguesias mais isoladas.
Amanhã falarei sobre a delegação de competências nas Juntas de Freguesia que não é tão pacífico como se pode pensar. Vamos aguardar.
domingo, novembro 27
olhos nos olhos
Uma vista muito rápida pelo jornal e um tema sugeriu-me este texto.
A questão que gostaria de partilhar é se é legítimo ou correcto a um candidato (ou a um partido), pedir a outro ou outros que desistam ou então apelar ao voto dos eleitores tradicionais de seus concorrentes, a favor de si próprio, com o argumento de um voto útil porque supostas sondagens ou estudos de opinião os dão como melhor colocados, para vencer determinado opositor, de outra área politica.
Estes candidatos, diriam o mesmo se estivessem numa posição mais atrás nas sondagens?
Não diriam! Não iriam pedir o voto num seu adversário. Confesso uma certa repulsa por estas pessoas e por este tipo de raciocínio.
Os candidatos ou os partidos valem o que valem e não o que valem, somados com os votos dos outros, que a pretexto de um mal maior se juntam a eles.
Os candidatos devem fazer a sua campanha, dizerem o que pensam, o que propõem e deixar à inteligência dos eleitores a decisão sem pressões psicológicas de qualquer espécie.
Irritam-me este tipo de apelos. Na falta de argumentos, atiram-nos à cara o “bicho-papão”, desavergonhadamente, como quem diz, “depois digam que não vos avisei”.
Não são sérios os políticos que assim actuam. Um apelo deste tipo, é um menos, na minha caderneta.
Outra frase que detesto num candidato é dizer que não comenta. Não comenta porquê? Porque se recusa a dar a sua opinião em matéria que toda a gente tem opinião? Este jogo eleitoral de cálculos matemáticos, enoja-me.
Vocês sabem do que estou e de quem estou a falar!
sexta-feira, novembro 25
a acompanhar Francisco Louçã
A visita começou com uma reunião com a Comissão de Trabalhadores e depois com a Administração da Empresa. Depois de se inteirar da situação com que os Estaleiros se confrontam e de ouvir os diferentes pontos de vista, seguiu-se uma visita a todas secções de trabalho e um contacto pessoal com a grande maioria dos trabalhadores.
Em cada departamento os trabalhadores foram dando explicações sobre os processos de trabalho, desde o planeamento até ao acabamento final. Era visível, nos trabalhadores, um grande orgulho pelo trabalho que desenvolvem e pela empresa que sentem como sua, depois de todas as dificuldades porque passaram, para manter a empresa nos patamares de qualidade que é reconhecida por todos.
Após uma visita a um navio em construção, seguiu-se o almoço no refeitório com os trabalhadores e uma nova visita, agora aos serviços administrativos.
A meio da tarde, seguiu-se uma visita pelas ruas da cidade para contacto directos com as pessoas e distribuição de propaganda politica.
A visita aos Estaleiros Navais, correu muito bem. Não há dúvida que o Francisco Louçã tem um apoio muito forte nos trabalhadores. Era frequente observar os trabalhadores a dirigirem-se-lhe para lhe dar uma palavra de estimulo, de força ou a manifestar o apoio à sua candidatura, referindo a sua coragem, a frontalidade e a seriedade com que enfrenta todas questões. A arruada foi um bocado prejudicada pelo mal tempo, mas os contactos com as pessoas decorreu sempre de forma muito afectuosa.
A esta hora, Francisco Louçã está a dar uma entrevista a uma rádio local e mais logo, às vinte horas tem lugar um jantar com apoiantes da sua candidatura a ter lugar no Restaurante Camelo, onde naturalmente vou estar presente.
Esta candidatura é sem dúvida uma grande candidatura, uma candidatura com ideias, com propostas e combativa, independentemente dos resultados que vierem a acontecer.
As outras candidaturas, andam com as suas querelas, nos choradinhos, nos ataques desabridos e sem conteúdo, como é o caso das candidaturas de Alegre e Soares, em disputa pelo lugar ao sol; a de Cavaco Silva é a candidatura dos poderosos e a de Jerónimo cumpre o papel que lhe está destinado mas sem chama.
quinta-feira, novembro 24
ao correr da pena II

Pois é na naquela ponta do molhe, onde os barcos de pesca passam a rasar, no regresso da lida, bem lá ao fundo, a uns cinco metros do topo, em cima de uma das âncoras de cimento que sustém a fúria das ondas, naquele sitio certo, fim do rio e inicio do mar, no canto curvo em que água puxa mais forte nas correntezas da baixa-mar, onde, também, as ondas batem forte, quando o mar avança audaz, e se vai desfazer em espuma branca a espraiar-se, por entre as rochas, num deleite, que nos remete para o sonho de uma banho quente de imersão, ficando o rasto envolto numa nuvem de humidade que se entranha, no corpo e nos ossos, nesse vai-vem de ondas cruzadas que se reecontram, que é o meu local preferido da pesca ao robalo.
E é quando penso nisto que me lembro do meu joelho. Um joelho que se desgastou e desgasta nos saltos, de pedra a pedra, até chegar ao dito cujo. Nem mais um metro. O ponto certo que dá a alegria e o gozo de um tempo bem passado, a ouvir música escolhida do aparelho de MP3 que é uma companhia indispensável, e apanhar e trazer para casa, uns quilos de robalos, mas onde o risco é patente e onde um pé mal pousado, um desequilíbrio, uma escorregadela, um salto mal calculado, a falha do joelho e lá vai este artista, parar aos anjinhos, porque uma queda naquele sitio, só com muita sorte se escapa ao destino dos deuses.
Mas apesar de todos os cuidados, não é isso que nos passa pela cabeça, naqueles momentos. O corpo, a mente, todos os sentidos, estão concentrados, num objectico. O de apanhar um grande robalo! Ou apanhar quilos de robalo! Tantos e tantos que já houve noites (à noite, sim porque esta pesca é à noite ou umas horas antes do amanhecer) em que tive de deixar de pescar, apesar de estar a dar peixe e muito peixe que até dava dó, abandonar o pesqueiro. Mas a memória de uma noite, com o saco cheio, aí com uns quinze quilos, em que tive imensa dificuldade em fazer o caminho de regresso, a subir na noite escura, com os luzes de mineiro na cabeça a iluminar um caminho mal amanhado de âncoras escorregadias, da neblina nocturna, não deixam que a vontade de prosseguir, vença. Aplica-se aqui, com toda a propriedade o ditado que diz, quem tem cu tem medo.
O local onde pesco é partilhado por meia dúzia de outros pescadores, num espaço que não ultrapassa os quinze metros. Todos apanhamos peixe. Uns mais outros menos, claro. Mas quem apanha mais ou menos, quase invariavelmente, são os mesmos. Portanto, amigas e amigos se pensam que pescar é deitar a cana à água com isco ou amostra e esperar que o peixe apareça, com muita paciência, desenganem-se.
Há muitas técnicas, há diferentes tipos de isco ou de amostras, há conhecimentos dos pesqueiros, das temperaturas e cor das águas, da altura das marés, das luas, enfim, um manancial de conhecimentos e de diferentes métodos que combinados, conduzem a resultados diferentes.
quarta-feira, novembro 23
ao correr do teclado I
Agora que isto já entrou nos trilhos, não sei o que hei-de escrever. Que chatisse! Enquanto não vem nada, posso adiantar que está, como ontem, um dia excelente. O sol, impetuoso a entrar pelo pára-brisas, a aquecer o peito de aço, mas a obrigar-me a arreganhar a testa, ao centro, um gesto de contracção, entre as sobrancelhas e a semicerrar os olhos para me proteger. Os óculos de sol não resolvem, pois o reflexo nas ópticas não me deixam ver o que escrevo. Uma pala, um chapéu de pala, resolvia, mas não estou para isso, apesar de saber que tenho um aqui, algures no carro. A preguiça, uma vez mais a preguiça. É boa a preguiça e estar aqui a apreciar o mar a caminho da preia-mar, as ondas a galgar os penedos, sentir o cantar (piar, guinchar, assobiar, sei lá o quê) das gaivotas a planar, ou observá-las, paradas, distendidas a apanhar banhos de sol, em cima dos rochedos, alinhadas, e ao longe, o borbulhar das águas mais calmas, a dizer-me que anda por ali peixe, ou um grupo de pescadores, de meia tigela, mais longe ainda, a dar banho à minhoca que ali não se safam, diz-vos quem conhece estes pesqueiros, a não ser que a sorte os acompanhe e algum robalo dê à costa, quando muito, talvez um ou outro, pequeno bodião e que se dêem por satisfeitos.
Estou aqui com este palavreado choço e com tanto que fazer. A verdade é que na próxima segunda-feira, tenho uma reunião da Assembleia Municipal, já tenho conhecimento da ordem de trabalhos e preciso preparar a nossa intervenção. Não é bem preparar, é mais passar para o papel as nossas posições, que foram concertadas com grupo de apoio autárquico, nos cinco minutos que nos estão reservados para cada ponto.
As propostas da Câmara são mais impostos. É o receituário do costume. O presidente propõem o valor mais alto do intervalo previsto nas taxas e a malta aprova, pois então! Dizem-nos que as receitas estão a diminuir. Eu não concordo com este argumento. Só impostos, só taxas, sempre para os mesmos. E o resto? Não há onde cortar nas despesas? Não há obras desnecessárias em tempos de crise? Não há criatividade na gestão financeira, para não diminuir as receitas? Esta gente vai sempre pelo lado fácil. Não há dinheiro? Vamos aos bolsos dos contribuintes! Desculpem esta deriva. Ok! Está tudo bem, já. Que raiva…
Amanhã, também é dia. Chega. O dia está a fechar, já posso colocar os óculos de sol, mas não os vou colocar, não fazem falta. São dezassete horas e vinte minutos e vou para casa. Daqui a pouco estou no blogue a “visitar” as amigas e os amigos.
Continua…
terça-feira, novembro 22
ao correr do teclado

Vinha eu a dar uma caminhada, pelo molho da praia norte, – em Viana do Castelo, a terra onde vivo há quase 50 anos, – coisa que cada vez menos faço, porque tenho um joelho que já não se usa e que não aguenta estas cavalgadas, salvo seja, apesar de operado e de quantidade enorme de injecções, infiltrações, fisioterapias, eu sei lá, (e que falta ele me faz para as minhas pescarias, exactamente, neste molho – não sei porque chamam molho a este coisa que entra pelas águas adentro, separando o mar do rio, para conter a entrada das ondas gigantes do mar e permitir uma atracagem, segura e suave dos pescadores, quando regressam da sua faina. Que palavra bonita esta!.. faina. Mais uma palavra que vou juntar à colecção de palavras bonitas, - curioso isto, porque só agora pensei nisto de coleccionar palavras bonitas. É o que dá estar aqui a escrever sem ter propriamente um motivo, um assunto concreto para dizer. Mas dizia eu… o que é que eu dizia?!.. Ah pois, já sei, tudo isto vem a propósito de, propósito…outra palavra que gosto. Ah é verdade, ao bocado, esqueci-me de dizer que uma das palavras que mais gosto é a palavra tanto. Tanto é uma palavra muito bonita, experimentem usá-la. Eu gosto TANTO de ti, por exemplo. É a minha palavra favorita.
Bem, então vinha eu a dar essa caminhada e esta minha cabeça, como sempre, sem um pequeno descanso. São turbilhões de pensamentos a fervilhar ao mesmo tempo. Fico desorientado. Não me consigo concentrar numa ideia só. Estou a pensar numa coisa e de repente salto para outra, um bocado como está a acontecer agora, ao escrever isto. Eu tinha uma ideia do que pretendia dizer, mas os acontecimentos dão-se tão depressa, temos tanto (aí está a palavra, digam lá se não é bonita), para dizer, tanta coisa para deitar cá para fora, que quando damos por ela, já estamos noutra. Ou porque nos faltam as palavras que melhor exprimam o que queremos dizer, ou nos falta o talento e achamos que há outros que dizem melhor e com poucas palavras o que nós pensamos, ou porque é melhor nem pensar bem no assunto, porque só nos vai trazer mais inquietação. Há tantos motivos, meu deus! Meu deus? Mas eu sou agnóstico porque recorri a ele! Tenho de me explicar melhor.
Ó porra! Daqui a pouco eu vou terminar isto sem, ainda, ter dito nada e o mais provável, é mesmo, não dizer mais do que (nada) disse e ir parar aqui ao lado, à reciclagem, porque neste momento, são dezoito horas e dez minutos (como o tempo anda…) e daqui a meia hora, tenho de ir buscar a minha rapariga à ginástica.
A propósito (outra vez, se calhar não gosto tanto desta palavra, como pensei, o que me falta mesmo, é um vocabulário mais rico e então agarro-me a algumas palavras), porque é que as mulheres, apesar do seu trabalho profissional, dos filhos, dos maridos ou namorados para acarinhar, sim para acarinhar!.. da casa para tratar, da comida para fazer, da casa para arrumar, limpar, passar as roupas, ainda têm força e coragem para arranjar um tempo para si… para dar aos outros? São fantásticas estas mulheres!
Bem, tenho de acabar mesmo, hoje já não escrevo mais, já se passaram mais de dez minutos, falta-me tempo! Mas, antes disso, esta do tempo que passa depressa, fez-me lembrar um pensamento meu (também tenho paternidade em pensamentos) que gosto muito e que vou partilhar, convosco e que é o seguinte: Os Dias passam depressa, os anos passam depressa, porque é que o fim do mês demora tanto tempo a passar?
Agora é mesmo, talvez amanhã, continue, se me apetecer e não aparecer outra coisa que tenha de ser.