sábado, maio 13

Jerónimo de Sousa e o Bloco

Jerónimo de Sousa disse ao Diário de Notícias, de 11 de Maio, que “o problema do Bloco é falta de ideologia”. Está certo!

De facto, o Bloco não tem a ideologia dominante da China. É verdade, o Bloco é contra o partido único, a fusão entre o partido e o Estado, a fusão entre o partido o Estado, o poder económico, legislativo e judicial, ou a fusão entre estes todos e o exército.

O Bloco é contra a pena de morte, a violação dos direitos humanos, e que um qualquer comité central possa mandar prender ou matar. Em Cuba, em Portugal, na China ou nos EUA.


O Bloco de Esquerda “tem causas e bandeiras”. Está certo.

Tem a causa dos trabalhadores e entende que o trabalho estrutura a posição das pessoas na sociedade. O Bloco defende a centralidade do trabalho mas não a confunde com centralidade sindical. O Bloco não é dono de nenhuma causa ou entidade sindical e entende que uma CGTP mais democrática, forte e independente é bom para os trabalhadores e para a luta social. Ao contrário de outros que fazem blindagem de estatutos de sindicatos – para que mais ninguém possa concorrer – se eternizam em lugares a tempo inteiro e entendem que o sindicato é a correia de transmissão do partido.

O Bloco defende a causa do respeito pelos direitos de todas as pessoas, seja por orientação sexual, género, classe ou etnia. O Bloco defende as causas da paz e da liberdade. O Bloco defende as causas do ambiente e dos direitos dos animais… porque o socialismo só o será se for expressão da libertação e da resolução de todas as contradições sociais.


O BE “não tem um projecto”. Está certo.

O Bloco é um partido plural e aberto, entende o socialismo como um objectivo mas sobre o qual há visões plurais e patrimónios diferenciados que a vida e a luta social esclarecerá.


O Bloco “tem uma ciumeira em relação ao PCP”. Está certo.

O BE não faz acordos com o PSD por esse país fora para ter lugares em conselhos de administração de empresas municipais ou em simples mesas de assembleias municipais ou de freguesia. E que ciúmes!


Victor Franco

sexta-feira, maio 12

A Liberdade e os nazis em Vila Rei



Sou a favor da liberdade. Da liberdade toda. A liberdade para mim é um valor inalienável. Não troco a liberdade, por nada. Podem-me dar uma boa assistência médica, um bom sistema de ensino, uma boa politica de habitação, um bom emprego, alguns direitos sociais, não me podem é retirar a liberdade.

A liberdade de criticar, de escolher, de protestar, de fazer o que me der na real gana. Vestir-me como quero, calçar-me como me apetecer, usar cabelos curtos ou compridos, usar brincos ou tatuar-me. Quero a liberdade toda. Quero poder dizer não. Quero poder dizer não gosto. Quero poder dizer, o governo é uma merda.

Não quero a liberdade condicionada. Não quero a liberdade com regras. Não quero limites à liberdade. Quero a liberdade toda!

A justiça que tome conta do resto. Do abuso, da ofensa, da liberdade dos outros. A minha liberdade não a quer regulamentada. A minha liberdade quer ser livre e assumir a responsabilidade dos seus actos. Já nos basta a “liberdade” condicionada pela sociedade capitalista. Condicionada pelas regras e os bons costumes da moral cristã. A minha liberdade toda, quer, claro, a paz, o pão, saúde, habitação, para todos, quer como dizia o Sérgio Godinho, a liberdade para mudar e decidir.

A minha liberdade respeita a liberdade dos outros. A minha liberdade, vejam lá, permite a existência de organizações fascistas, o direito de eles se manifestarem, de exprimirem as suas opiniões, apesar de estarem proibidas constitucionalmente. Penso que já temos uma cultura política suficiente, para recusar essas bestas. Não farei contudo, como sugeriu um colega meu, surpreso, com esta minha posição, que para ser consequente, deveria lutar pela alteração da Constituição. Bem uma coisa é tolerar (não gosto nada desta palavra – fica para outra altura a explicação, mas que aqui tem pleno cabimento), outra coisa é fazer alguma coisa que lhes permita esse direito. Só faltavam pedir-me isso.

Atenção, quem diz isto sabe bem o que afirma. É uma pessoa que esteve no Palácio de Cristal a cercar o congresso do CDS; que boicotava os comícios à direita do PS; que na sequência do 11 de Março, invadiu as sedes do CDS e do PSD; que participou na “invasão” à embaixada de Espanha, na sequência do assassinato de militantes da ETA e da FRAP. Mas , també, é alguém que viu a direita a assaltar e a incendiar sedes de partidos de esquerda, a matar militantes de esquerda, a pôr bombas pelo país, a tentar um golpe de estado.

Como vêem, mudei de posição. Hoje concedo-lhes o direito à liberdade. Mesmo sabendo que eles não querem a democracia, que desrespeitam a dignidade humana, a igualdade dos cidadãos, que combatem as minorias, os imigrantes, as etnias, as religiões, a liberdade em geral. Esta posição não colide, pelo contrário, antes reforça, a minha atenção, a minha oposição, o meu combate a estas ideias tiranas, à denúncia do racismo e da xenofobia, sempre presentes nos discursos dessas criaturas, contra os direitos iguais, devidos à pessoa humana. Serei intransigente na defesa dos valores da democracia e da dignidade do cidadão, qualquer que seja a sua raça ou a nacionalidade e opor-me-ei, com todas as forças a qualquer tentativa de mudança de regime, seja pela via constitucional ou de outra natureza que estas forças cavernosas queiram implantar no país.

Por isso, desta tribuna, aí vai o meu aviso: Amanhã um bando de pulhas, de imbecis, de gente desprezível, asquerosa, néscia, reles, uns “putos repugnantes”, queques, vestidos de casacos e de botas de cabedal de besta nazi, filhinhos de papás e mamãs chiques, vão, nas suas potentes motos, ou nos carros, últimos modelos, topo de gama dos papás (dos papás que fecham fábricas, que maltratam os trabalhadores, que lhes retiram direitos) a Vila Rei, organizados e em grupo, com a polícia a acompanhá-los, por que a coragem deles é em grupo, “pacificamente” manifestar-se contra um grupo de cidadãos brasileiros, que a convite da Presidente da Câmara, vieram instalar-se naquele concelho, e em nome de nós, os “portugueses”, em nome da nossa “pátria”, defender a nossa nacionalidade que está a ser “invadido pelos estrangeiros”. Os palermas estão na rua.

Esses rascas vão manifestar-se à vontade, como deve ser. Espero apenas que mereçam da população, um desprezo tão grande, como enorme é o meu asco por semelhantes criaturas.

Eles andam por aí. Mas não há que temer estes canalhas, do PRN e da FN. É preciso é estar atento às suas movimentações. Como eles estão às nossas. Eles estão aí, pelas escolas, pela noite, a influenciar, a recrutar jovens, às escuras. Os vampiros. Os arquétipos a lembrar o nazismo, estão por aí, estampados em camisolas, em corpos tatuados, nas imagens de sangue a sair pelas bocas ou pelos olhos, nas expressões de ódio e intolerância. Eles estão a investir nos jovens em maior dificuldade; com problemas escolares, com problemas familiares, com problemas de emprego, com problemas de integração. Brancos e portugueses.

Mas eles não passarão. Os “velhotes”, não os deixarão passar. E muita e muita juventude, conhece bem a história da barbárie nazi, e também não se deixarão iludir.

Afinal, li agora no site do PNR, os imbecis deslocam-se de autocarro. Assim vão mais protegidos, os cobardes.


quinta-feira, maio 11

As minhas músicas (III)


Por Terras de França

Vou andando por terras de França
pela viela da esperança
sempre de mudança
tirando o meu salário

Enquanto o fidalgo enche a pança
o Zé Povinho não descansa
Há sempre uma França
Brasil do operário

Não foi por vontade nem por gosto
que deixei a minha terra
Entre a uva e os mosto
fica sempre tudo neste pé

Vamos indo por terras de França
nossa miragem de abastança
sempre de mudança
roendo a nossa grade

Quando vai o gado prá matança
ao cabo da boa-esperança
Bolas prá bonança
e viva a tempestade

(Refrão)

Vamos indo por terras de França
com a pobreza na lembrança
sempre de mudança
com olhos espantados

Canta o galo e a governança
a tesourinha e a finança
e os cães da fainça
ladrando a-finados

(Refrão)

Vamos indo por terras de França
trocando a sorte pela chança
sempre de mudança
suando o pé de meia

Com alocução e a segurança
com sindicato e vacança
Há sempre uma França
numa folha de peia

(Refrão)

Letra e música de José Mário Branco



Pela legalização dos imigrantes

quarta-feira, maio 10

A actividade sindical, hoje.

A actividade sindical quase não existe, em Portugal. Uns poucos, muito poucos, trabalhadores, de vez em quando, participam em algumas reuniões, nas cada vez menos reuniões, que os sindicatos promovem. Ainda assim, os que participam, na sua maioria, só lá vão, quando se sentem ameaçados nos seus direitos mais fundamentais.

Eu percebo-os.

Assoma sobre eles o medo. O medo das represálias, o medo da pressão, o medo de conotação, o medo de não renovarem o contrato, o medo de perder o emprego.

Predomina, igualmente, a ideia de que estas reuniões não adiantam nada, os discursos são palavreado repetido e de circunstância, reiteradamente ouvidos, sem consequências práticas, cantando vitórias inexistentes ou esboçando perigos iminentes, para por fim, fazerem uma declaração de guerra e serem convocados para jogos políticos de encomenda.

É assim, tem sido assim. Os sindicatos não vão aos locais de trabalho, não conversam com os trabalhadores, não os percebem, não os ouvem, não entendem os seus problemas e receios. Aparecem para distribuir uns comunicados, muito radicais na linguagem, mas nada eficazes, na explicação dos problemas, na dinamização activa. É preciso o esclarecimento personalizado, pequenas reuniões, conversa a sós ou em grupo, no local de trabalho, nas pausas, nos gabinetes, nas oficinas, nos grandes espaços físicos, é preciso ir para a rua, fazer comunicados à população, colocar tarjas, recorrer à imprensa, sensibilizar as pessoas para as suas causas.

É preciso acabar com as greves, nas vésperas de feriados, nas pontes, no dia dos exames. Hoje ao contrário doutros tempos é preciso estar atento às pessoas, conquistá-las, e não prejudicando-as deliberada e quase ostensivamente, porque até dá um certo jeito pessoal. Não! Isso é ganhar inimigos, é dar argumentos aos populistas. É dar-lhes a oportunidade de denegrir uma luta. A decisão da luta tem de ser discutida, consensualizada, abrangente. Fazer greve, encontrar novas formas de protesto, mobilizar os jovens e as populações, fazendo convergir descontentamentos, são caminhos a serem encetados.

A maioria dos sindicalistas ou estão nos gabinetes sindicais ou nas sedes “ a tempo inteiro”, em viagens ao estrangeiro ou de vez em quando a organizarem uma acção de acordo com a agenda política do partido ou da central sindical a que estão afectos.

Por isso certas acções de luta ou algumas comemorações como o primeiro de Maio, não passam de rituais. A maioria dos sindicalistas, dirigentes sindicais, dirigentes das estruturas intermédias, as uniões sindicais, ou dirigentes nacionais, estão desacreditados, institucionalizados, rendidos, acomodados, alguns estarão mesmos “vendidos”.

Hoje na sua maioria são uns burocratas para ocasiões festivas, para cumprir papéis partidários. Uma vez ou outra fazem uma ou outra acção conjuntural para mostrarem que existem. E lá estão sempre os mesmos: Os dirigentes de sempre, os delegados sindicais de sempre, os funcionários do partido de sempre, e os trabalhadores, carne para canhão de sempre. E os ingénuos de sempre. É esta a mobilização que conseguem. Os mesmos de sempre. E há outros que não querem ficar de fora e conscientemente alinham em algumas destas iniciativas, para não desbaratarem um capital de unidade e luta. Alguma coisa tem de ser feita. Assim é uma tristeza. Um dia destes, nem os trabalhadores de sempre, nem os que alinham para não criar divisões. Ficam só os burocratas sindicais ou os burocratas do partido.

A verdade é que nós, também, pouco fazemos para mudar. Sabemos que não é fácil, a máquina está "fechada" para nela ninguém entrar. Mas vai faltando participação, exigência, esforço para mudar, falta determinação para o combate. Um amigo meu, dirigente sindical diz-me que está farto. Quer sair, quer voltar ao local de trabalho, mas também não vê ninguém, ninguém se aproxima. Mas se não for da cor politica também não tem hipóteses. Ele diz que os dirigentes sindicais, de um Sindicato, todos juntos e espremidos, não dão mais que alguns bons sindicalistas. Mas, apesar de tudo, quem quer ser sindicalista hoje? Quem é activista sindical? Quem quer ser dirigente sindical? E quem está interessado, como conseguir “derrubar” o muro que está vedado a outras vozes e pensamentos? O cerco da máquina partidária ou sindical abafa tudo.

É uma tristeza e lamentável. A grande verdade é que hoje a carreira profissional está primeiro. O egoísmo está primeiro, O individualismo está primeiro. Tudo poderia ser diferente se o processo de renovação se desse pacifica e livremente, sem interferência politica e partidárias, sem querer controlar a máquina, escolhendo os mais preparados, os mais disponíveis em cada momento e por períodos curtos.

Os trabalhadores só tinham a ganhar!


Sabes, amigo!


Tenho como fundo uma canção maravilhosa, muito doce, do nosso tempo. Do outro tempo. Daquele tempo, em que pensávamos que poderíamos dar a volta ao tempo, como se de ponteiros de relógio se tratasse. Hoje, gerimos o tempo, damos-lhe importância e apesar de uma dose de ingenuidade, temos consciência de que o tempo passa e já nem nos passa pela cabeça, dar-lhe a tal volta! Mesmo com o tempo a passar, eu adoro a palavra tempo. O tempo é o tudo e o nada. O ter e o não ter. É onde tudo se dilui. É nele que vivemos. É onde nos situamos. E, sendo o tempo a possuir-nos, tão de mansinho, levando-nos através dum tempo sem idade, confiamos nele, sempre, com uma réstia de esperança…

Sou uma amante do tempo. Do tempo com vida, por onde eu e tu passamos, onde nos encontramos com os outros, que como nós são passageiros do tempo. Sabes, um dos meus sofrimentos, é sentir que o tempo não tem tempo para correr devagarinho. Eu sei que, como eu, gostarias que o tempo parasse um pouco. Talvez tivéssemos mais tempo… Talvez parássemos um pouco para pensar… Talvez nos encontrássemos mais… Talvez amássemos mais e melhor… Talvez olhássemos mais os outros… Talvez fizéssemos o que não fazemos…

Sabes, amigo, o tempo corre no seu ritmo natural. Sem pressas. Nós é que temos pressa de correr pelo tempo e passamos o tempo a jogar o esconde-esconde entre as desculpas e as hipóteses dos vários “talvez”…

Deixo-te este desabafo, feito num momento, em que escrever seria a continuidade do tempo, no resto da tarde…

Deixo-te ainda, um beijo terno.

Adelaide Graça

Este texto poético faz parte do livro "Quando tudo parece parar".
É o seu comentário ao meu post anterior, disse-me ela. Obrigado, amiga.


Estou sem tempo

Eu gosto do tempo
E ter tempo.
Tempo para dispor dele
E fazer ou não fazer...
Tempo.

Tempo para deixar para amanhã
E para o último segundo...
Dentro do tempo.

Eu gosto do tempo
E ter tempo
Para ver que tenho tempo.

Eu acordo mais cedo
Para ter tempo!
Mais tempo
Para fazer
Ou não fazer...
Dentro do tempo.

Há tempo suficiente para tudo
Desde que tenha tempo.

E há tempo...

E tanto para fazer...

E não sei o que hei-de fazer

Ao tempo

Que tenho para fazer.

Eu preciso do tempo!

O tempo está a andar depressa demais
O tempo não pára.
O tempo está quotidianamente
Superficial
Monótono.

Onde está o tempo?
Para onde foi o tempo?
Porque foge o tempo?

Que dia é hoje?

Tanto para fazer e eu com tempo
Sem saber o que hei-de fazer
Ao tempo.
Que fazer...
A tempo!

Fernando Marques

Agora ando a tratar do físico, da alma e da mente. Tenho pouco tempo, portanto. O meu tempo vai ser usado aqui com economia de tempo. Com zeloso tempo. E vou dedicar o que sobra do tempo, a um novo tempo, para voltar com tempo. Espero que a tempo. Concedam-me esse tempo. Com menos tempo, por um tempo, mas vou andando por aqui. Peço-vos esse tempo, para mim.
Uma pequena nota: Este poema, (será que posso chamar-lhe assim?) já tinha sido publicado no À esquerda. Decidi recuperá-lo para o colocar aqui.


terça-feira, maio 9

Este país que é nosso !: 1º Grande Encontro do Desagrado Nacional - 3 de Junho - Lisboa

O texto que acompanha a convocatória. Do "Este país que é nosso."

- Estamos fartos de ter a gasolina mais cara da Europa e num mercado em que a petrolífera que cobra mais aos portugueses é uma empresa com capitais públicos

- Estamos fartos de ter as telecomunicações mais caras da Europa e num mercado em que a operadora que cobra mais aos portugueses é uma empresa com capitais públicos

- Estamos fartos de ver OPAs que não trazem qualquer benefício para o mercado, a não ser preços mais altos, menor concorrência e mais desemprego

- Estamos fartos de ter os carros mais caros da Europa

- Estamos fartos de continuar a pagar portagens enquanto as estradas estão a ser reparadas

- Estamos fartos de ser considerados como os piores condutores da Europa esquecendo que temos as piores estradas da Europa

- Estamos fartos de ter os administradores mais bem pagos do mundo e sermos os trabalhadores mais mal-pagos da Europa

- Estamos fartos de ver as reformas e outros benefícios serem reduzidos para os pequenos pensionistas enquanto centenas de funcionários públicos se reformam todos os meses com milhares de euros de reforma

- Estamos fartos de ver maternidades a encerrar enquanto se gasta dinheiro em exonerações políticas e propaganda para o Governo

- Estamos fartos de ver ministros a empregar os familiares nos ministérios enquanto centenas de milhar de jovens desesperam à procura de emprego

- Estamos fartos de ver ministros (que eram comunistas e agora são socialistas) dizer que deveriamos ser todos espanhóis

- Estamos cansados de ver ministros dizerem que estão cansados

- Estamos fartos de ver serem perdoadas dívidas fiscais e de segurança social aos clubes enquanto milhares de pequenas e médias empresas fecham as portas porque não têm dinheiro para cumprir as suas obrigações (1, 2, 3, 4 )

- Estamos fartos de ver grandes empresários (os mesmos que pedem contenção salarial) e governantes a ludibriar o próprio fisco ou a não cumprir com as suas obrigações fiscais

- Estamos fartos de ver um despesismo interminável com contratações de ex-governantes para administrações de organismos e empresas públicas, enquanto acumulam com salários de deputados e reformas imerecidas (Jorge Coelho , Santana Lopes, António Mexia, Armando Vara, Celeste Cardona, etc etc etc )

- Estamos fartos de ver ex-ministros a serem nomeados para empresas públicas e outros assumirem presidências de conselho de administração de empresas espanholas (que ajudaram a entrar em Portugal), sem se saber bem como ou porquê

- Estamos fartos de ver deputados que são consultores de empresas e que ludibriam o próprio estado, assinando folhas de presença e abandonando o parlamento

- Estamos fartos de ver tribunais que não levam os políticos a julgamento

- Estamos fartos de senhores que dizem que o nuclear é bom para Portugal, enquanto ainda se tem tanto para fazer e investir nas energias alternativas

- Estamos fartos de ver políticos a comentar política na televisão como se nunca tivessem feito parte de governos de Portugal ( Paulo Portas, Jorge Coelho, etc etc )

- Estamos fartos da forma de governo medieval dos partidos do poder (PS, PSD e CDS) e das sociedades e interesses menos públicos que os atravessam (opus dei e maçonaria)

- Estamos fartos de ser a cauda da Europa e....ESTAMOS FARTOS DE ESTAR FARTOS !

segunda-feira, maio 8

Murmúrios de Maio

Falaram-me no Dia da Mãe. Fiquei triste. De relance pude ver os olhos de minha mãe, lá longe, quando sorriam para mim. É... fiquei triste, não pude tocar-lhe os olhos nem o rosto, como fazia em menino sentado no seu colo.

Entrava Maio e ainda corria um murmúrio vindo das ruas de Chicago desde 1886, que assinalava a vitória dos operários sobre as quarenta e oito horas de trabalho semanal. Ah, e a coragem daquelas mulheres que em 8 de Março de 1857 entraram em greve e ocuparam a fábrica na luta pela redução de 16 para 10 horas de trabalho diário!

7 de Maio. Nessa tarde estávamos na margem do Sena sentados no chão a desfolhar livros velhos num alfarrabista e a saborear uma cola. Ele, o alfarrabista, parecia ser um timorense simpático e bem humorado. Sabendo-me português, colocou-me nas mãos um livro de José Saramago, Levantados do Chão, com a capa já carcomida pelo tempo.

O alfarrabista dizia gostar de Maio e da força dos dias que em Maio para ele representam. Dizia gostar do Dia da Mãe, mas detestar as mães que, por miséria das maiores misérias, vendem ou abandonam os filhos. Dizia gostar do Dia da Mãe, mas mal dizer todas as mães barrigas-de-aluguer para ricos e burgueses. E dizia gostar das fêmeas selvagens porque defendem os filhos até à morte. Como as Mães de Timor

Quando o alfarrabista confessou estes gostos e desgostos, teve o meu acordo. Estava a lembrar-me das passagens da infância e das lágrimas de minha mãe pela falta do pão.

Era o Dia da Mãe em 7 de Maio. Eu estava já em pé na margem do Sena junto à ponte Alexandre III e ainda desfolhava o livro de Saramago quando os meus sobrinhos Carlos e Marie Lauré me diziam quase em segredo que o pai passava muito mal num quarto do Hospital de Créteil. E eu ali no alfarrabista parecia ver os olhos de minha mãe num quadro de mulher velhinha, colocado ao fundo, e sobre quem caía um ramo de flores. Eram açucenas, e sentia que minha mãe chorava. Pois é, não tinha pão.

Mas de facto o rosto da mulher velhinha, no quadro ao fundo, era o retrato fiel da mãe do alfarrabista. Ambos, mãe e filho, viveram um ror de anos refugiados numa floresta algures em Timor, mirrados pelo ódio dos tiranos indonésios.

O alfarrabista, passados mais de trinta anos, ainda guarda na memória essa crueldade. E agora a imagem de sua mãe parece encher as ruas da cidade de Paris.

Fomo-nos. Apressados, os passos, pareciam intermináveis. A hora da visita chegava finalmente por entre alamedas de Maio na imensa floresta dos murmúrios mais tristes dessa tarde. E o nome dos dias que ainda temos para aprender, caía logo ali junto da entrada do Hospital ante o nosso andar doído e cansado. Era o meu irmão a despedir-se da vida sem dizer uma palavra, sem esboçar um gesto, sem retirar o olhar do nosso olhar.

Assim, o Dia da Mãe, neste 7 de Maio que apesar de tudo nos sorri com sol, arrebata-me com vazios de incerteza nas horas em que sobre ele me quedo e repouso as mãos nestes parágrafos, flutuando num mar de recordações menos apetecíveis.

Porém, observo outros murmúrios de arrasar a alma: as Mães, aquele incontável número de mães que choram lágrimas proibidas nos campos de refugiados com os filhos a morrer-lhe no colo sem roupa, sem pão e sem medicamentos. E aquele olhar tão vivo, tão grande e tão triste! E as mil perguntas para fazer à mãe a perderem-se nos porquês dum tremendo silêncio. Como nós por aqui: Porquê e até quando?

Álvaro de Oliveira
(também publicado no Jornal Correio do Minho em 08 Maio de 2006)


A Margarida cansou-me...

O Victor, aqui no post abaixo, e o Álvaro de Oliveira, no post acima, colocam o "A hora que há-de vir!...", no que é importante discutir. As questões partidárias, que a Margarida trouxe, num post abaixo, a despropósito, que necessáriamente me envolvi, desviaram da discussão o que era importante ser discutido. A questão central sobre a falta/fraude de deputados. Retomemos então o curso normal. Para a Margarida fica o aviso de que aqui, não estou disposto a discutir questões puramente, partidárias. O que não quer dizer que não possa(m) se quiser fazer a defesa do seu partido, de qualquer partido, quem se achar molestado por qualquer critica que os postantes aqui decidam colocar. Convém é não desviar o assunto para questões laterais ao tema. O caminho está retomado. N´A hora que há-de vir!...

Criminalidade e imigração

As entontecidas frases de António Ramos, presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia, já não são novidade. Agora, António Ramos sai-se com a de que “o aumento da criminalidade em Portugal deu-se com a abertura das fronteiras”. E que “o governo não devia deixar entrar tanta gente“.


António Ramos tem por obrigação saber que já não há fronteiras terrestres em Portugal. Qualquer pessoa pode entrar e sair sem que, normalmente, alguém lhe diga alguma coisa. A não ser que, por qualquer motivo, seja suspenso o acordo de Shengen.


Nos aeroportos qualquer cidadão que se apresente legalmente não deve ser barrado. Ou então acabávamos com o turismo em Portugal. Se bem que o SEF nem sempre cumpra. Portanto, a discussão sobre portas abertas e portas fechadas é uma completa inutilidade. A não ser para os extremistas amedrontarem o povo.

António Ramos deve ser o único português que ainda não percebeu a falência completa do sistema de quotas. Também ninguém é obrigado a ler os jornais. Das cerca de 8.500 entradas permitidas pelas quotas aconteceram cerca de 1.000.


O problema está na clandestinização da imigração. Impedidos de imigrarem legalmente para Portugal os imigrantes sujeitam-se às máfias de tráfico de seres humanos. Outros vêm com vistos de turistas e por cá ficam tentando ganhar seu ganha pão. Muitos patrões preferem imigrantes ilegais a ganhar metade do salário, sem descontos para a segurança social e sujeitos a horários de 12 horas por dia. Muitos roubam os passaportes aos seus trabalhadores, outros deixam de lhes pagar e denunciam-nos ao SEF que, em vez de promover a sua legalização determina a sua condução à fronteira ou aplica a expulsão.


O problema central reside assim na consagração da imigração legal a partir da origem do imigrante – para isso os consulados deviam passar vistos de residência às pessoas que aqui se queiram tentar fixar para viver e trabalhar. A lei é tanto mais hipócrita quanto, a um Deco ou outro desportista afamado, concede-se rapidamente, por razões extraordinárias, nacionalidade ou legalização de residência. Mas por razões humanitárias…


Calcula-se que estejam mais de 100.000 imigrantes ilegais. Muitos não conseguiram legalização mesmo no processo do chamado acordo Lula ou de inscrição nos CTT. Quase todos desenvolvem actividade económica, subordinada ou não. Alguns sem dinheiro ou documentação, caindo em situação de desemprego sem subsídio vegetam na exclusão e na sobre-exploração. Quem tiver dúvidas que veja o que acontece à porta dos supermercados quando estes colocam produtos no lixo.


A legalização dos imigrantes é um problema humanitário e de urgente resolução. Mas é também um problema de segurança social – os imigrantes são contribuintes líquidos da Segurança Social ajudando a pagar as reformas dos nossos velhotes e o nosso sistema de saúde. Os imigrantes são ainda necessários ao rejuvenescimento da população. Os imigrantes são necessários à economia, já contribuem com cerca de 7% do PIB.


No momento em que os dados apontam a redução da criminalidade, é o próprio Estado que liga segurança a imigração – é o próprio Estado que estimula os energúmenos.


A imigração não é um problema de segurança - é de direitos humanos. Se alguém tiver dúvidas que pergunte aos portugueses radicados no Canadá ou na África do Sul.


Victor Franco

domingo, maio 7

As minhas músicas (II)



Um dos mais fabulosos discos de José Mário Branco editado em LP em 1973 e mais tarde em duplo CD - Margem de Certa Maneira/Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. É difícil dizer qual a melhor música ou canção do Zé Mário, tão bom e rico é o seu reportório, mas esta letra e esta música é simplesmente excepcional. Uma das que não resisto a ouvir e tornar a ouvir. Sendo, completamente sincero, há para aí ,pelo menos umas vinte, que me emocionam sempre que as ouço. Deliciem-se com estes minutos de boa música.

Margem de Certa Maneira

Dentro da margem de dentro
na raíz e no lamento
guarda-vento e ribanceira
margem de certa maneira
de fazer uma viagem
de ultrapassar a barreira
fazer do vento poeira
da ribanceira barragem

Fora da Margem de dentro
entre o caule e o rebento
há sempre um pequeno espaço
entre movimento e passo
entre passo e movimento
a corda que faz o laço
a força que faz o braço
acordar o pensamento

Escorrego na lama do meu passado
do meu passado-presente
Mas não fico na lama desnorteado
vou ao fundo da lama do outro lado
do outro lado da mente
do outro lado da gente
do lado da gente do outro lado
do lado da gente que vive de frente
da gente que vive o futuro-presente

Fora da margem de fora
fica a sombra e a demora
a voz do vento é mudança
muda o escudo fica alança
sem medida para agora
saltam pulgas na balança
pára o vento vira a dança
no espaço de uma hora

Dentro da margem de fora
não há sombra na demora
estatelada na história
fica a margem divisória
e no meio da viagem
a voz do vento é memória
de acreditar na vitória
de rebentar na barragem

Escorregas na lama do teu passado
do teu passado-presente
Mas não ficas na lama desnorteado
vais ao fundo da lama do outro lado
do outro lado da mente
do outro lado da gente
do lado da gente do outro lado
do lado a gente que vive de frente
da gente que vive o futuro-presente

José Mário Branco

Parabéns às nossa mães

A minha mãe, uma irmã minha e eu. Obrigado Mãe!

sexta-feira, maio 5

Obviamente demitia-os!

Volto a insistir.

Não podemos ficar quietos, calados e deixar esquecer, o que se passou na sessão da Assembleia da República na sessão antes da Páscoa.

Como foi tornado público e não foi desmentido, houve uma fraude, de vinte e oito deputados, que assinaram o registo de presenças e não compareceram, em nenhum momento da sessão.

Isto significa que no dia anterior, assinaram a presença do dia seguinte. Estamos perante uma ilegalidade; a assinatura antecipada do livro de registo de presenças.

Mas, tudo indica que ao registarem uma presença antecipada, não o fizeram inocentemente, mas sim, com a intenção de ludibriar e manter os benefícios, de uma ausência prevista.

A ser verdade e não diviso outra explicação quanto a outro motivo, os deputados em causa, pretenderam enganar o Estado e receber todos os benefícios constituídos, através da mentira e da fraude, de uma presença/ausência.

À luz dos princípios da honestidade, da rectidão e confiança, que são devidos aos cidadãos e eleitores, não podemos aceitar esta tentativa de apropriação fraudulenta de benefícios que lhes é garantida, no exercício pleno das suas funções.

Este acto não pode desculpabilizar a debandada de outros deputados, mas não a gravidade desta atitude, só pode merecer o mais profundo repúdio e nojo.

Em nome dos altos valores da democracia os deputados em causa, deveriam ser demitidos dos seus partidos e se tivessem vergonha, deveriam solicitar a recusa do lugar de deputado.

Deixo aqui um apelo a toda a blogosfera: não deixem cair esta aldrabice, denunciem-na, façam-na circular, estabeleçam uma corrente de denúncia por todo o sítio. Exigimos acções e saber a lista dos nomes dos deputados que assinaram a presença e não puseram lá os pés.

"Entre os que faltaram à votação (79) - assinaram o livro de presença, mas não estiveram no hemiciclo até ao final da sessão - ou os que nem passaram pelo Parlamento (28) e aqueles que estiveram em Missão ao Estrangeiro (13), os serviços da Assembleia registaram a ausência de 120 parlamentares, menos dos que os 116 necessários para que possa existir deliberação. "(PD)


Stock options?

O mercado tem destas coisas. Não o mercado da minha terra onde compramos a fruta e o peixe fresco. O mercado mercado. Os negócios, os capitais, a economia…


Qualquer pessoa pode negociar na bolsa – desde que tenha dinheiro claro. Mas jogar na bolsa com a garantia de que se ganha sempre não é para todos. Mas é para alguns.

É quase como jogar no totobola, só com triplas e não se pagar nada.


Segundo percebo o caso é o seguinte:

As administrações das empresas cotadas em bolsa adoptaram uma moda internacional, as stock options, qualquer coisa parecida com “opções armazenadas”.

Acontece uma stock options quando uma administração de empresa decide atribuir aos membros do conselho de administração e a um determinado grupo de quadros (não é todos) da empresa a opção de poder comprar acções da própria empresa que ela própria tem em carteira a um determinado tempo.


Por exemplo:

A EDP executa uma stock options no dia 2 de Janeiro 2005 para acções que estão a 2,5€. Os beneficiados, sem gastarem um tostão, ficam com determinado número de acções reservadas que daí a um ano, por exemplo, assumem – ou não – a opção de comprar. Se as acções estiverem mais baixas os beneficiados não assumem a opção de compra e a empresa continua com as acções em sua posse. Se as acções estiverem mais altas então os beneficiados podem assumir a opção de compra e pagar as acções pelo valor de um ano antes. Da posse das acções podem então, um “segundo” depois, vendê-las ao preço mais alto de mercado, com os lucros inerentes. "Sem espinhas”!


Claro que o mercado de capitais é desenvolvido por gente inocente e desinteressada. Claro que os trabalhadores não têm que passar por estas responsabilidades e esta difícil gestão.


Claro que no caso do presidente do BCP, Paulo Teixeira Pinto, só podemos dizer que o homem é um empresário e um investidor dinâmico e criativo. Ganhou quanto? 922,7 mil euros? “Sem espinhas”?

Coitado do homem, ele até ganha pouquinho. Compreende-se, o país está em crise.


Victor Franco

quinta-feira, maio 4

85% dos pensionistas recebem até 374 Euros

Esta informação é importante...

"Hoje, existem quase 2,2 milhões de pessoas a receberem pensões pagas pelo regime geral da Segurança Social - deste total, mais de 85% são inferiores a 374,70 euros, ou seja, 1 828 379 pessoas recebem menos que um Salário Mínimo Nacional."

... quando se fala em reformas milionárias e querem fazer diminuir o valor das reformas e obrigar os contribuintes a descontar mais.

Confirma-se. Os pobres é que pagam sempre as crises.

Não gosto!

Não gosto dos políticos, não gosto da política, não gosto dos partidos políticos, não gosto dos comentadores políticos. Não gosto!

E contudo, estou na política e a exercer um cargo público.

E não gosto, em particular dos políticos, dos partidos e dos comentadores de direita.

E não gosto de todos os políticos da esquerda à direita que fraudulentamente, assinaram o livro de presenças e pisgaram-se e particularmente os que nem sequer apareceram, assinando o livro de presenças!!? Esses estão todos riscados da minha lista. Se quiserem dar-se ao trabalho de ir mais abaixo, num outro post, estão lá os nomes de alguns.

Mas eu digo isto e sei que não estou a ser inteiramente justo!

No meio do pântano da mediocridade, há bons políticos, há pessoas empenhadas a sério.

Estão na oposição. Sempre estiveram na oposição. E vão continuar a estar. Já não é mal. São precisos lá.

O nosso bom povo português, é que vai sempre nas modas e avalia-os a todos por igual. Não consegue descortinar diferenças, “são todos uns ladrões”. Está dito. Acabam por ir votar sempre nos mesmos, nos "ladrões". Os do seu Clube. Já os nossos “descontentes” preferem ficar em casa, "valorando" a abstenção. Que continuem assim que vamos longe. Mas eles lá sabem. No meu caso voto e o meu voto deu e tem dado boas oposições. Em minha opinião claro. Ainda não me arrependi.

E lá vamos nós cantando e rindo… para não chorar de tanta pobreza de espírito.

Quando se fala tanto em produtividade e bom desempenho, talvez, seja interessante, olhar, por exemplo, para a produtividade dos partidos e dos deputados, no quado abaixo, publicado na Visão. É apenas um sinal. Mas mostra o que estão a fazer lá certos deputados. A bater palmas ou a patear, conforme o caso e a votar... quando aparecem e não se pisgam.


Não sei o que hei-de fazer ao dinheiro


Tenho este aviso em cima da secretária, há mais de dois meses e não sei o que lhe hei-de fazer, a sério. É para receber, 211,5 Euros de senhas de presença em Assembleias Municipais. Não sei a quantas presenças se referem. Não fiz as contas, não me dou, nem darei a esse trabalho e também não sei, quanto é que se recebe por cada presença. Juro que não.

Candidatei-me por vontade própria, a membro da Assembleia Municipal, sabendo que sendo eleito, teria de estar presente em meia dúzia de Assembleias anuais e cumprir as funções de fiscalização da actividade camarária e apresentar propostas e sugestões para melhorar o município. É isso que tenho feito.

Nunca pensei em receber dinheiro pelas senhas de presença
. Nem pensei nisso. Estar presente, decorre da responsabilidade de termos sido eleitos. Não é um trabalho, por isso, em minha opinião, que deva ser remunerado. Não vou ficar com o dinheiro, para mim. Respeito que alguém ache que deva receber. Sinceramente, eu acho que não. Apenas vou ter de suportar. em IRS um rendimento que não vou ter... isso custa!

Também não sei porque coloco este post. Eu acho que é por vontade de dizer alguma coisa. Também gosto de colocar aqui, algumas coisas, minhas. Gosto e tenho tempo. Aceito que haja quem faça outras interpretações. Paciência...

quarta-feira, maio 3

Por que se despedem as pascoelas!?



Despedem-se, em pétalas, as pascoelas e, os dias. As pascoelas renovam-se, ano após ano. Os dias, contámo-los, em rosário de várias cores. Nunca se repetem. Esperámo-los com a curiosidade do imprevisível. Um de cada vez. Convertem-se em tempo, os dias. Passamos através desse tempo sempre com a esperança de vivermos a renovação das pascoelas, de lhes acenarmos quando as pétalas se desprendem e, se despedem.

Neste momento, ao escrever estas palavras soltas, à medida do imaginário, entro numa viagem pelo tempo pousando aqui e ali, pasmando e contemplando, tentando agarrar o impossível por pertencer já a outra dimensão. Ao Além.

Busco cartas e mapas, releio os Caminhos de Santiago, sigo o voo dos pássaros, o rasto dos aviões, a brisa, os ventos… Eu sei lá o quanto procuro! Definitivamente a rota não é esta. Deve ser outra.

Então, varro de mim os mais primários suportes. Sigo a linha fiel do existir. Percorro-me desde o ninho do primeiro batimento cardíaco, passo pela alcova sofrida do primeiro choro. Detenho-me. Levo algum tempo a retomar a viagem.

O meu pueril conhecimento leva-me à procura dos afectos. Procuro os outros nos seus próprios sentidos e, através deles crio e recrio os meus. Continuo. Avanço no tempo pelo tempo. Procuro-me nos afectos. Nem sempre me encontro. Os afectos são águas nem sempre transparentes. Mas acredito neles. Nos afectos. Avanço.

Desbravo terrenos difíceis. Acompanha-me a esperança e o acreditar. Sempre. Encanto-me com sabores incomparáveis. Surpreendo-me. Caminho cada vez mais. Cada vez mais cheia. Cheia do tudo e do nada. Do nada que é o tudo. Às vezes, quando tudo parece parar, há o ressurgir. A terra explode de vida. Interrogo-me sobre tamanho mistério.

Durante a viagem vou perdendo pessoas que ganhei desde o meu ninho. Pedacinho a pedacinho, vou com elas. Creio na transformação do que não se perde, apenas em relação às coisas. As pessoas perdem-se mesmo. Digo, fisicamente. Apalpo a memória para lhes sentir o corpo. Aceno-lhes na escuridão do indizível. Não desisto. A rota é esta.

Na mochila de percurso guardo todos os momentos. Os menos bons também. Às vezes, sentada no chão da terra, perfilo as minhas recolhas. Admiro-as. Amo-as. São peças com que me construo.

Quando a noite, ao longe, espreita pelo esgar do entardecer, move-se uma estrela, seguindo-se outra estrela… É com elas que eu sigo a viagem a que me propus.

A caminhada, um pouco longa já, mais pelas vivências do que pelo tempo, continua fértil. Os carreiros conduzem-me ao outro lado do emaranhado: (Re)encontro-te.

… Por que se despedem as pascoelas!?

Adelaide Graça
(também publicado no Cerveira Semanário)


Hoje

Estar parado...

a olhar.

A esculpir o tempo.

Um caminho
perigoso!
Uma viagem
sem fim!

Hoje.

E amanhã, talvez...


5,6 milhões de crianças morrem de fome ao ano

O "Dino" do morangos com açucar morreu há uns dias de acidente viário. Morreu um jovem de uma forma que se lamenta. A TVI explorou o caso de forma vergonhosa para ganhar audiências.

Hoje um relatório da Unicef afirma que por ano estão a morrer 5,6 milhões de crianças à fome. E ainda refere que 146 milhões de crianças sobrevivem subnutridas com um baixo défice de nutrientes e ironicamente, segundo a Unicef, o problema seria fácil de resolver com medidas básicas como vitaminas.

Será que estamos preocupados? Irá a TVI e os outros OCS dar destaque a este flagelo? Quantas lágrimas se vertem por esta mortes?


Os deputados fraudulentos deveriam ser "demitidos" do parlamento

Na sessão parlamentar antes da Páscoa, 79 deputados, assinaram o livro de presenças, sendo que uns, ausentaram-se durante os trabalhos e outros 28 deputados não puseram lá os pés. Esta situação foi muito grave.

Em qualquer empresa, pelo menos no caso, dos que assinaram e não estiveram presentes (o que significa que assinaram no dia anterior a presença do dia seguinte) configurava, um processo de inquérito, conducente a um despedimento por justa causa, por fraude premeditada.

Não podendo o parlamento tomar essa medida, impunha-se aos partidos envolvidos, tomar essa decisão.

Hoje, passado quase um mês, importaria saber que justificação terão dado os 79 deputados, em particular: Jorge Coelho, Pina Moura, Manuel Alegre e Manuel Maria Carrilho; Guilherme Silva, Zita Seabra, e Aguiar Branco;Paulo Portas e Abel Baptista; Francisco Lopes ou Luísa Mesquita, para citar os mais conhecidos.


terça-feira, maio 2

Os ricos que paguem a crise!

Aqui há mais de vinte anos, muitas paredes deste país, de uma noite para a outra, foram invadidas, com pichagens. Não houve um muro, uma parede, pintadas de fresco ou não que não fosse varrido pela frase; Os rico que paguem a crise. Muita lata de tinta se gastou, muitos quilómetros se percorreram, muitas colagens de cartazes se fizeram, com esta frase emblemática.

Essa frase foi muito glosada, por muita gente, incluindo, as vindas de grupos de grupos de esquerda, mais intelectual, como o MES ou o PRP e do PCP, claro. Ainda hoje, em jeito de brincadeira, se recorre algumas vezes a esta frase. Era uma frase “muito radical e esquerdista”, dizia-se. Era verdade. Mas essa frase fez correr muita tinta e não só nas paredes, também nos jornais, em tudo o que era espaço noticioso. Curiosamente, a palavra de ordem, teve a aceitação de muita gente; dos pobres, dos desempregados, das pessoas com dificuldades económicas e em particular os operários. Eram uns tempos dificeis esses, foram os primeiros ataques às conquistas dos trabalhadores e do povo português. Julgo que foram os primeiros tempos da governação de Soares, o tempo do “socialismo na gaveta.”

A frase era forte. Não tinha duas interpretações. Era muita clara nos propósitos. Nessa altura, não havia tanto cuidado com o uso das palavras, não havia o politicamente correcto. Dizia-se o que tinha de ser dito. Claro que havia muito populismo, muita demagogia, muitos oportunismos, hoje sinto isso muito claramente.

Os tempos, hoje, são outros. Hoje sabemos mais. Conhecemos "uns passados", de alguma gente. Aprendemos com os erros. Apesar disso, hoje, ainda nos conseguimos deslumbrar, ainda temos o sonho, ainda carregamos muita ingenuidade, mas menos ingénuos, o tempo e a experiência desses tempos, deram-nos muitos ensinamentos.

A grande diferença daqueles tempos para os de hoje é que agora já não se exige, já não se luta, espera-se…

Hoje os ricos são intocáveis, temos receio de ser acusados de invejosos; hoje não lhes são pedidos esforços (que serão sempre pequenos para quem tem muito); não se lhes exige, uma repartição nas dificuldades. Não! Hoje espera-se... a sua solidariedade e compreensão, a sua caridade, a sua compreensão com os mais fracos. Hoje, não se diz aos ricos para participarem, neste “esforço nacional, para desestabilizar esta estabilização, filha da puta”, citando Zé Mário Branco.

Também, não vale a pena, aliás nunca valeu a pena. E Sócrates sabe isso. Mas mesmo sabendo isso, esperava-se que o “corajoso” Sócrates, adoptasse medidas que obrigassem os ricos a contribuir mais. Porque podem mais. Mas não, Sócrates, só toma medidas, contra os pobres. Nem os reformados de miseras pensões, de 500 e poucos euros, escapam a esta fúria e vão começar a pagar IRS. O mesmo vai acontecer com os reformados, a ganhar mil e poucos euros, ao ser-lhes retirado o pequeno benefício fiscal, depois de já lhes terem baixado o valor da aposentação. Comparado com o último salário a maior parte das reformas médias/baixas, baixaram mais de trinta por cento em muito pouco tempo.

É desta vez que os cofres do Estado vão encher e se irá reparar o défice público...

Enquanto isso, lemos que outros, recebem reformas milionárias, para cima dos cinco mil euros, com poucos anos de descontos. Mas esses são deputados e ex-deputados, ministros e ex- ministros, gestores públicos e ex- gestores, directores gerais, juízes, professores universitários, militares, médicos. E como se não bastasse, ainda pretende deixar de comparticipar os medicamentos e não dar o subsidio de velhice, como anunciou, fazendo-os depender dos rendimentos dos filhos. Sócrates esquece-se que as pessoas, os mais velhos ainda têm dignidade e não querem esmolas.

Na alteração das regras de contribuição, para a segurança social, não há uma só medida, uma única, que altere o financiamento das empresas. Um escândalo. Com este sistema, uma empresa em dificuldades, da área têxtil, com cinquenta trabalhadores, desconta mais para a segurança social, do que uma empresa pequena ou média, da área das tecnologias de informação, por exemplo, com 10 ou 40 trabalhadores, mesmo que os lucros sejam milhares de vezes superiores.

Num país em que o fosso entre ricos e pobres se acentua cada vez mais e é o maior da Europa, talvez não fosse má ideia, voltar a pinchar as paredes com a famosa frase; Os ricos que paguem a crise.

Cada dia que passa sinto-me mais radical e esquerdista. Porque será? Eu que me considero uma pessoa moderada, compreensível, colaborante e avessa ao conflito.

Com o PS no poder os trabalhadores têm sido, sempre os mais prejudicados. Mais do que com a direita no poder. O povo português, parece que fica um pouco anestesiado. E a oposição à esquerda, menos acutilante e com especial respeito pela base social de apoio do PS.

A luta não pode deixar de ser feita quando os nossos direitos estão a ser postos em causa. Seja qual for o governo. Não é assim que vamos lá!

segunda-feira, maio 1

A favor da Globalização

Sou a favor da Globalização. Sem qualquer dúvidas. Não sou um teorizador. Nem vou teorizar, sobre as vantagens ou desvantagens da Globalização. Falo da minha sensibilidade. Também, não sou um grande conhecedor da nossa história e da história mundial. Conheço muitos dos nossos feitos e dos nossos defeitos. O nosso papel no mundo, na civilização, em tempos idos. Reconheço, também, o papel positivo e também negativo de outras, mais antigas ou mais recentes que a nossa.

Mas disso, não vou falar, não me sinto capaz de ter uma discussão aprofundada e fundamentada.

Começo por dizer que não sou nada nacionalista ou patriota. O mundo para mim, não se divide, em países, nações, civilizações, religiões, raças, etnias e por aí afora. Sou profundamente um homem do mundo.

Se tivesse de dizer que tenho uma “nacionalidade”, diria Viana do Castelo. Apenas por isto: é aqui que tenho as raízes, família, amigos, conhecidos, onde vivo e espero viver toda a vida. Onde cresci, brinquei, estudei, andei à porrada, fugi à polícia. É aqui onde estão os amigos de infância, os que andaram comigo na primária, os que tinham, como eu as caças rotas no cu e nos joelhos, a cara e as mãos sempre sujas da brincadeira ou do trabalho, a ranheta no nariz, os brinquedos de plástico, a bola de meias. Aqui, onde assaltávamos os quintais para roubar fruta ou para partir os ovos nos galinheiros, fazer traquinices para chatear os mais velhos, os professores, a policia, desesperar a família. Aqui onde pedia dinheiro aos espanhóis, lhes levava as compras à estação, para receber umas pesetas. Aqui onde ia pedir pão aos restaurantes, comer a sopa dos pobres, onde fui parar, por uns tempos, a uma casa de “caridadezinha”, para jantar e dormir. Eu como quase todos os meus amigos de infância. Aqui onde comecei a trabalhar cedo, percorri vários empregos, aprendi uma profissão, cresci como homem, ganhei consciência social e politica, formei a minha personalidade. Aqui onde cresci e vivi, no meio da ferrugem, do papel e dos trapos velhos e em chão de terra. Aqui onde sempre trabalhei, estudei, intervi politica e sindicalmente, onde fui condenado por motivos políticos. Aqui onde hoje, tenho a vida, agora, mais ou menos estabilizada (ainda tenho dois filhos, maiores, mas filhos... e solteiros) … até ver.

É esta a minha pátria, se assim quiserem ou se tiver que dizer que tenho de ter uma pátria.

Não me incomoda, nada a Globalização, absolutamente nada. A Globalização abriu-nos portas ao conhecimento, à novidade, ao romper de fronteiras, à destruição de mitos e de certezas. Hoje sabemos mais, conhecemos mais, temos acesso a mais informação, vivemos melhor, temos mais liberdade, apesar de tudo. Hoje sei mais, estou mais informado ou posso estar mais informado, dos meus direitos, dos meus deveres, das minhas responsabilidades cívicas e socias. Hoje conheço melhor o mundo, as diferenças culturais e sociais, o que se passa no planeta, estou mais habilitado a conhecer e compreender os outros, a perceber onde está a injustiça, a razão das guerras, quem são os culpados e os inocentes. Compreendo melhor as motivações pessoais, do ser humano, dos políticos, das políticas, das religiões e das nações. Dos motivos das guerras, das razões da divisão dos povos. Dos efeitos das religiões. Hoje conheço melhor o papel do capitalismo, do império e dos trabalhadores.

Hoje não tenho dúvidas: os povos são todos iguais e que o que divide o mundo é o dinheiro e o poder, em qualquer ponto do mundo. Por isso a luta é universal. A luta é onde houver injustiça, discriminação, indignidade. Para acabar com a fome, a doença, a miséria extrema, as desigualdades sociais, a guerra.

“Etnias e raças, a cada dia que passa, perdem, mais e mais, suas peculiaridades, sem nunca ter existido, na espécie humana, uma raça pura. Raça é um conceito biológico e etnia um conceito cultural. Embora ocasionalmente várias etnias possam pertencer a uma mesma raça, como é o caso das populações indígenas brasileiras, que têm, hoje, cerca de 220 povos, todos originários de migrações asiáticas que penetraram no continente americano. A humanidade caminha para a cultura global e a homogeneização antropofísica, que poderá, dependendo do desenvolvimento histórico, levar a espécie humana a se constituir em uma só grande raça.

Os homens preocupados com as injustiças, não têm pátria; os humanistas, as pessoas de bem, as verdadeiras pessoas de esquerda não têm nacionalidade. O pobre é sempre o pobre em qualquer parte do mundo. O explorado é sempre um explorado em qualquer parte do planeta. Os homens de bem, não defendem o pobre português contra o pobre ucraniano, o branco contra o preto. O trabalhador explorado português, contra o explorado chinês. O Mourinho contra o Camacho, o Belmiro contra o Bill Gates.

O homem do mundo, preocupado com a solidariedade social, com as injustiças, com a fome, não escolhe uns contra outros na mesma situação.

A nossa escolha é estar do lado dos que mais sofrem, dos que têm menos. Eu escolho estar do lado dos oprimidos e humilhados, seja português, russo, chinês, cubano, americano, independentemente da raça, da etnia, da religião.

Eu sou a favor de uma Globalização que caminhe neste sentido! Uma miscelinazação de hábitos, culturas, pessoas.

Flexibilizar os despedimentos?

Paulo Pedroso, ex. ministro do Trabalho e da Segurança Social, escolheu a véspera do 1.º de Maio para afirmar que a “rigidez que existe em Portugal ao nível dos despedimentos não é sustentável a médio prazo”. Isto vindo de um homem que era considerado da ala esquerda do PS, dias depois da derrota do CPE em França tem significado.


O mínimo que se pode considerar é que há uma corrida despudorada dentro do PS para ver quem se apresenta com melhores propostas de direita.


As últimas medidas, anunciadas pelo governo, de aumento da idade de reforma, de aumento do valor de desconto ou da antecipação da alteração da fórmula de cálculo das pensões, elevam a disputa e os desafios aos trabalhadores.


Não sei como os trabalhadores irão reagir mas presumo que lenta e fugazmente. Neste país pacífico e pachorrento a cidadania é sinónima de coragem e de luta, por vezes isolada. Mas nada que nos faça temor.


Voltando a Pedroso. O ex. ministro aconselhou os jovens da JS a irem trabalhar nas férias. Pois não está mal, apanhar tomate à mão é a sugestão que eu deixaria aos meninos socialistas. E logo verão, ao fim de uma semana a apanhar tomate, o que acham sobre os direitos dos trabalhadores e os despedimentos.


Victor Franco

Pode alguém subtrair nossa esperança?

"Mas será tão forte assim o nosso algoz?
Pode alguém subtrair nossa esperança?
Só se não soubermos nem quem somos nós
Nem de onde brotam os sonhos de criança.

E o que somos é fruto do que fazemos.
E, por isso, hoje nos reconhecemos
Operários de todos os países."

Augusto Cacá

Dia do trabalhador