Os meus filhos arranjaram agora uma forma barata de me dar prendas. Oferecem-me brincos. Obrigado Rui. Como é André?
O meu relógio trabalha como os outros, mas só tem uma hora -a hora que há-de vir!...
domingo, março 19
Dia do pai
Os meus filhos arranjaram agora uma forma barata de me dar prendas. Oferecem-me brincos. Obrigado Rui. Como é André?
sábado, março 18
A política de saúde e o caminho para o fim do SNS
João Semedo diz que um ano de governação é tempo suficiente para saber os eixos da política desenvolvida por o ministério de Correia de Campos. E a sua principal linha é mandar fechar; o povo pagar mais pelos serviços de saúde; os profissionais aguentarem; e as mudanças de fundo que esperem.
“O governo tropeça num problema e a resposta é invariavelmente a mesma: o encerramento do serviço em causa, trate-se de uma maternidade, de um hospital ou de uma urgência. Se o problema é o hospital, fecha-se. Se é na urgência, fecha-se.
Este ministério é uma comissão liquidatária não é um ministério”.
“...há serviços que não devem nem podem fechar por mais pareceres e relatórios técnicos que apontem nesse sentido. Nem tudo se pode resumir a questões “exclusivamente técnicas”, ou de limitação de custos, “insensíveis ao contexto local, à dimensão social e humana ou ao equilíbrio e solidariedade entre as regiões no acesso aos serviços públicos de saúde”.
Como refere, João Semedo, “se o problema fosse só técnico” não precisávamos do ministro. O ministro faz escolhas técnicas e politicas. E as escolhas políticas não podem afectar milhares de pessoas, retirar-lhe cuidados de saúde essenciais, centros de saúde, maternidades, hospitais, como antes tiraram o posto do correio, a estação de comboios, a escola, o tribunal, deixando as populações entregues a si próprias.
“É o Estado em debandada”. O interior que se desertifique, as zonas menos desenvolvidas que se esvaziem mais, as assimetrias que cresçam, os que lá estão que se safem como puder. Parece ser este o lema.
João Semedo, terminou a sua intervenção dizendo: “Um socialista o Dr. António Arnault, ficou para a história como o pai do SNS. Não queira o Dr. Correia de Campos ficar conhecido como o seu coveiro. Não foi certamente para isso que 2 milhões e 800 mil portugueses votaram no PS nas últimas legislativas.”
Uma leitura indispensável a intervenção de João Semedo, para quem quiser perceber todos os contornos de uma política que fatalmente tenderá a acabar com o SNS, se continuar neste caminho.
sexta-feira, março 17
As guerras do Sporting
No momento em que escrevo ainda não sei o que vai dar a assembleia-geral do Sporting. Mas não interessa. O património do clube deve ou não ser vendido? Como diz Roquete, o Sporting deve-se concentrar no seu “core-business” - palavrão que quer dizer actividade ou negócio fundamental.Estas estórias que fazem a história dos clubes têm que se lhe digam. Primeiro transformam-se em associações sem fins lucrativos e de utilidade pública para terem acesso a benesses várias. Em nome do interesse público recebem terrenos, subsídios camarários, são “capa” para negócios imobiliários, jogo de influência e caciquismos, disputa de poder até nos partidos e no Estado. Tudo em nome da viabilidade e do desporto.
Depois tornaram-se SADs para separarem o negócio do futebol, entrarem em bolsa e aumentarem o capital. Tudo em nome da viabilidade e do desporto. Depois continuaram a receber subsídios e a construir estádios que raramente enchem (só quando o Benfica joga com o Liverpool) e que ajudam a afogar os clubes e as câmaras municipais. A esses estádios foram retiradas pistas de atletismo ou ciclismo, pavilhões para práticas desportivas (ditas amadoras e ecléticas) e acrescentados centros comerciais, cinemas, restaurantes. Tudo em nome da viabilidade e do desporto. Agora, que continua tudo na falência, quer-se vender tudo. Tudo em nome da viabilidade e do desporto.
Eu confesso-me sportinguista, mas não sócio.
Se vivêssemos no “país das maravilhas” inscrevia-me como sócio – e ia à assembleia-geral apelar à sublevação desportiva das massas (enquanto escrevo rio-me). Por certo seria corrido. Tudo em nome da viabilidade e do desporto. (E continuo a rir).
A vida é difícil. Principalmente a de sportinguista.
Victor Franco
quinta-feira, março 16
Quando as vítimas são as crianças
Vanessa, Yuri, Patrícia, Catarina. Crianças que recentemente foram notícia. Porque morreram em consequência de maus-tratos.
As estatísticas referentes aos casos de crianças maltratadas em Portugal são escassas.
O único estudo que conheço foi elaborado pelo Centro de Estudos Judiciários nos anos 90 e denunciava que surgiam por ano entre 30 a 40 mil novos casos de crianças maltratadas.
Mais recentemente, no Relatório da Unicef com referência ao ano de 2004 indicava-se que a nível mundial Portugal era o sexto país com maior percentagem de mortes de crianças por maus-tratos.
Também em 2005 o director da Organização Mundial contra a Tortura (OMCT), pediu ao governo português a realização de uma campanha de sensibilização contra os castigos corporais infligidos às crianças.
Um inquérito apresentado em Janeiro deste ano pela Inspecção-Geral de Saúde revela que seis crianças são atendidas nos hospitais portugueses por dia, vítimas de maus-tratos. Número que seguramente fica aquém da realidade em virtude de muitos centros de saúde e hospitais não registarem as crianças maltratadas que atendem.
A eles devem-se juntar muitos Infantários e Escolas que com igual posição privilegiada para a sinalização de crianças em risco, nada fazem.
Perante estes casos e quando tal é permitido, os Tribunais enchem-se com um público intelectualmente desonesto que acusando tudo e todos escapa à sua própria auto-análise. Gritam, esbracejam, atropelam de frente, de costas e de lado a língua Portuguesa, talvez para abafarem os gritos que com toda a certeza lhes rumina no cérebro e que essas crianças davam na casa do lado.
É a tolerância cultural da sociedade podre em que vivemos, onde não obstante sabermos que o Estado pouco faz e o que faz em regra faz mal, leva-nos a calar, a não denunciar estas situações, quando inclusivamente temos a possibilidade de o fazer mesmo anonimamente.
Não nos queremos intrometer em assuntos de família, esquecendo que as vítimas em causa, na maioria das vezes, têm como agressor, aqueles a quem lhes está incumbida a sua protecção – a própria família. Sozinhas, impotentes, abandonadas à sua sorte são notícia de jornal, quando já é impossível ocultar o que delas restou – o seu próprio cadáver.
Não pretendo vir aqui falar de como é desadequada a política de protecção das crianças, nem tão pouco criar a convicção de que a medida de sinalização de crianças em risco é suficiente para resolver um problema com esta gravidade.
Não pretendo também avaliar erros de instituições envolvidas e a sua cumplicidade nos crimes perpetuados contra as crianças. Mas comungo da opinião do psicólogo Eduardo Sá, que acusou o Estado Português de proteger as crianças “em part-time e em regime de voluntariado”. E sugerir como ele fez: “fechar para obras e abrir com nova gerência”.
O Dr. Eduardo Sá até poderá vir a acusar o Estado Português de ficar paraplégico, mas a mim nunca me poderá acusar de ficar muda.
Aproveito para deixar os contactos aqui. Não custa nada tentar evitar que mais uma criança seja morta!
Cris
Sem Chaves nem Segredos
Em Lisboa: Dia 25 de Março, 16 horas na livraria Bulhosa (Campo Grande)com a apresentação da Drª Ana Mafalda Leite (Poeta)
No Porto: Dia 20 de Abril, 17 horas no edifício PT - Espaço da Tenente Valadim, com a a presentação sa Drª Manuuela Oliveira.
Apareçam!

Nota: Se alguém quiser comprar o livro pode mandar-me um mail. Não sei qual é o preço, mas houver interessados eu pergunto-lho. Foto da capa do livro mais abaixo na coluna da direita.
Hoje estou jururu

O ovo frito, o caviar e o cozido
O prédio do Coutinho: Urbanismo e urbanistas.
O DN de ontem trás uma pequena reportagem sobre o Arquitecto José Pulido Valente. Não o conheço pessoalmente, nem nenhuma obra sua. Nem o DN faz nenhuma referência a qualquer dos seus trabalhos. Já tinha ouvido falar dele contudo, mas mais pela sua actividade de denúncia de irregularidades. Lembro-me da Casa da Música e do Bom Sucesso, no Porto.O que se evidencia na notícia é que se trata de um arquitecto mal-querido entre os seus colegas e também pelo poder autárquico que acusa de ligações “mafiosas” com os construtores civis. E onde não escapam alguns colegas arquitectos.
À falta de trabalho tem recorrido à publicação de livros dos quais o último tem o significativo nome de Remar contra a maré. Já antes tinha publicado o Acuso – Crónicas de urbanismo e arquitectura. A característica que mais se destaca é que este homem com 70 anos de idade tem uma de vida de luta e rebeldia contra o sistema e normalmente tem saído sai perdedor. “Mas não desisto”, acrescenta.
Soube agora que ainda jovem, tinha-se oposto com veemência, em especial com artigos de opinião, à construção do denominado Prédio do Coutinho em Viana do Castelo que agora vai ser demolido no âmbito do programa Polis. Na altura o argumento da Comissão de Estética para dar parecer positivo à construção é que na “horizontalidade da cidade ficava bem um prédio em altura”. Venceram os “merceeiros da terra”, considera Pulido Valente. E mais não acrescenta. Para mim foi claro não precisava adiantar mais.
Hoje décadas volvidas dão-lhe razão. O prédio em altura destoa da horizontalidade da cidade. Mas, o arquitecto está do lado contrário dos que pretendem demolir o Prédio do Coutinho e preconiza uma outra solução: defende que o prédio “deve ser demolido apenas no que está a mais em altura”.
Mas onde, Pulido Valente é muito cáustico é quando se refere à demolição do mercado de Viana, “um belíssimo projecto de João Anderson” para dar lugar a um edifício que albergará os desalojados do Coutinho. O que estão a fazer "é um crime, é máfia é pornografia intelectual, moral e estética". E estende essas criticas a muitos projectos urbanísticos que se estendem pelo país.
E como é isto possível? A resposta desassombrada do arquitecto: “Porque para ultrapassarem empecilhos, [PDM opinião pública, etc...] as câmaras chamam o Siza Vieira ou o Souto Moura para lhes fazerem os projectos que sabem que não podiam ser feitos” e depois anunciam que o município terá uma “obra de mestre”. E assim se calam muitas bocas. Quem ousará pôr em causa os trabalhos dos mesmos? “É uma bandalheira e uma vergonha”, acrescenta. Pulido Valente não podia ser mais explicito: Esses arquitectos dão cobertura a actos ilegais ou cometem atentados urbanísticos sem que alguém ouse levantar a voz.
José Pulido Valente, afirma que a área que está adstrita à construção nos planos directores municipais (PDM), dava para um país com mais de trinta milhões de habitantes. “E mesmo assim continua-se a fazer um país de monos ao alto, desabitados e em degradação”. Uma máfia entre municípios, construtores com a “cobertura” entre outros de célebres arquitectos.
Fiquei a admirar este homem. Ninguém lhe deu e dá ouvidos. Mas não se entrega e continua a sua luta. E como está de fora deste “meio”, continua sem trabalho. Mas não desiste e uma das suas grandes bandeiras é lutar pela demolição do Bom Sucesso, no Porto, que”viola as leis vigentes”.
Quanto ao plano de pormenor do Pólis de Viana para aquela zona estou, estou de acordo com Pulido Valente. A melhor solução seria mesmo não demolir o mercado municipal e também tendo a concordar com a solução do prédio do Coutinho.
Agora parece que não há outra solução, depois da demolição do mercado. Aqui está uma questão em que todos nós somos responsáveis e deviamos meditar bem. A pouca participação e exigência cívica, que nos leva a aceitar tudo, o que vem de certas cabeças iluminadas.
quarta-feira, março 15
A menina, a China e os dramas sociais
Em “Lições da China” Cristina Casalinho cita a análise de um economista chinês radicado no EUA, publicada no Financial Times, para referenciar que “as autoridades puseram em marcha um corajoso programa de liberalização económica e reformas institucionais fundamentais, criando um ambiente competitivo que alimentou a iniciativa privada”.
Vale a pena olhar para essa liberalização que apagou o pretenso farol do socialismo. Um olhar sobre a China vale a pena por dois motivos: o primeiro para tornar mais clara a diferença “cultural” e ideológica entre os que se reclamam do comunismo, a segunda para tornar mais clara que a luta dos povos só com eles mesmo pode contar e que a China só é farol do capitalismo selvagem. Os números que a pouco e pouco se tornam públicos dão conta de um incomensurável drama humano.
“Em Abril de 2000, cerca de 80% dos 6 mil milhões de yuan depositados nos bancos pertenciam a 20% da população[1]”. O jornal Público, 06/03/06,[2] dá conta de que “a desigualdade de rendimentos aumentou pelo menos 50% desde os finais dos anos 70, tornando a China uma das sociedades mais desigualitárias do mundo. Menos de 1% dos chineses controlam mais de 60% da riqueza do país”. “Na China moderna, nunca houve, provavelmente, um tempo tão bom para os capitalistas, comentou a revista americana Forbes”[3]. No que deu razão a Deng Xiaoping[4], um ideólogo da “Reforma e Abertura. Socialismo não é pobreza, enriquecer é glorioso”[5]. Indagados, alguns primeiros secretários do Partido Comunista responderam "não me meto em política". Outros primeiros secretários empenham-se nela activamente - até são capitalistas premiados como exemplo de trabalho.
Os dramas de exclusão social, de pobreza, de repressão, de violação dos direitos humanos mais elementares, na China, multiplicam-se por dezenas, centenas de milhares e milhões. Segundo dados da Human Rights in China (HRIC)[6] “310.000 é o número oficial de pessoas em "detenção administrativa", sem culpa formada ou julgamento, nos chamados "campos de reeducação pelo trabalho". Inclui sindicalistas, cristãos, dissidentes, internautas, tibetanos, uigurs. 100.000 membros da Falungong estão em campos, ou em asilos psiquiátricos. Oito mil terão morrido nas mãos da polícia. 80% de todas as execuções do mundo realizam-se na China”.
Os despedimentos das empresas estatais abrangem milhões de pessoas. 6.000 mineiros morreram em trabalho no ano 2004. 80% dos trabalhadores privados não têm contrato de trabalho.
E mais não digo.
A China é o farol do capitalismo. Com pavilhão na festa do Avante.
Victor Franco
[1] CAEIRO, António, Pela China dentro, D. Quichote, 2004, pág. 211
[2] Citando um extenso artigo de Mixin Pei, em www.foreignpolicy.com
[3] www.forbes.com
[4] 1904 – 1997, um dos principais dirigentes do PCChinês e do Estado
[5] CAEIRO, António, Pela China dentro, D. Quichote, 2004, pág. 63
[6] “Os Números das Violações Aos Direitos Humanos na China”, Público, 27/01/04
terça-feira, março 14
Os supranumerários e o "terrorismo" psicológico
Tinha eu treze anos quando tive oficialmente o meu primeiro emprego. Foi na maior empresa do distrito e das poucas de construção e reparação naval, existente no País. Hoje é a única. Na altura os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, era ainda uma empresa privada, sendo nacionalizada em 1975.
Nessa época não tínhamos o emprego certo. Dependia se havia trabalho. Se havia barcos para reparar ou construir. Às vezes não havia. Nessa altura estava-se cerca de três meses à espera de uma decisão sobre o nosso futuro na Empresa. Aguardávamos na chamada “escolinha” designação dada a uma pequena sala, onde se concentravam todos os que não tinham trabalho. Éramos às dezenas. Passávamos ali os dias inteiros desde que entravamos ao serviço até à saída, sem fazer nada. Ou melhor jogando às cartas ou outros jogos. Passado aquele tempo e como não havia expectativa de trabalho, alguns eram despedidos. Os mais novos eram os primeiros. A este despedimento convencionou-se chamar “ir no balão”. O último aconteceu em 1970 e eu fui um dos atingidos.
Depois disso e com a nacionalização da Empresa, nunca mais houve um desemprego por esse motivo. Eu arranjei depressa emprego, com catorze anos, na hoje conhecida Portugal Telecom.
Esta introdução tem uma explicação. E um quase paralelismo com o que se vai passar com a lei dos supranumerários da Função Pública que está em forja. O DN de hoje dá algumas pistas. Parece que segundo um “estudo de uma comissão técnica” a administração central do estado vai fundir ou extinguir 114 organismos. O resultado deste estudo, entre ajustamentos, fusões, partilha de serviços aponta para um número elevado de pessoal excedente que irá integrar o quadro de supranumerários (trabalhadores que não são precisos) e que estão entregues como disponíveis. Esses trabalhadores segundo o actual regime ficam dispensados de se apresentar ao serviço e ao fim de 3 meses nessa situação os seus salários são reduzidos em 1/6 do vencimento e perdem direito ao subsídio de almoço.
A ver: actualmente um trabalhador identificado como excedentário vai imediatamente para casa. Durante três meses recebe por inteiro menos o subsídio de almoço e ao fim dos três meses, é-lhe retirado mais um sexto do vencimento.
Agora, ainda não se sabe bem como vai ser, sendo que o ministro das finanças já disse que a prioridade vai ser dada à mobilidade e não ao despedimento. O mais certo é ser convencido a se desvincular por “mútuo acordo”.
Confesso que não percebo:
- Porque é que o trabalhador tem de ir para casa no período de reestruturação ou para preparar a reestruturação?
- Porque não permanece em funções por pouco que faça ou não é temporariamente colocado noutro serviço?
- Porque é que a dita comissão de estudo ao identificar excedentários não propõem de imediato uma solução de colocação dos trabalhadores, seja por mobilidade, para o exercício de novas funções ou para receber formação técnica adequada?
- Porque não se desenvolvem programas de formação “on job” ou o “e-learning”?
- Porque há-de trabalhador ver reduzido o seu vencimento em um sexto?
- Porque há-de o estado estar a pagar a alguém ao “serviço” para estar em casa?
Considerando que o governo já anunciou que não vai conceder mais reformas antecipadas prevejo que seja através deste “terrorismo psicológico” sobre os trabalhadores que o governo vai cumprir o seu objectivo de reduzir em 75 mil trabalhadores os efectivos da Administração Pública, até ao final da legislatura.
segunda-feira, março 13
Sócrates é um verdadeiro durão
A tarefa “exige muita divulgação e explicação”. Aviso ao governo – vejam lá se sabem enganar bem o povo – apliquem bem a demagogia.
E continuou:
“Há 112 serviços que vão ser extintos […] e já foi anunciada a criação de um quadro de excedentes com vista à mobilidade interna… isto vai mexer com a vida de dezenas de milhares de pessoas…” disse, estimando em “duzentos mil os funcionários atingidos”.
Mas há mais:
“O problema é saber quem fica e quem sai e, aqui, os critérios têm de ser muito claros, apartidários e facilmente reconhecidos por todos… e sem receio de combater as corporações”. Ou seja: vamos pôr a malta a brigar, uns contra os outros, na disputa do emprego; vamos despedir e transferir para o quadro de excedentes mesmo aqueles que pedirem clemência porque votaram no PS; não vamos dar “hipóteses”aos sindicatos.
Depois de criticar a insuficiência da demagogia governamental quanto ao contínuo encerramento de serviços públicos, o iluminado Metello desafiou o PS para “começar a preparar-se para daqui a um ano responder por que é que o Estado tem a dimensão que tem e não menos, cortando serviços inteiros e entregando-os aos privados, em troca de uma substancial redução de impostos como propõe Miguel Cadilhe”[2].
A petulância conservadora está “na maior”. Metello avisa o PS para privatizar os serviços públicos antes de a (restante) direita se lembrar disso; e cita Miguel Cadilhe, um dos caudilhos da propaganda neoliberal.
Aí está Sócrates, dizendo com quem anda para sabermos quem ele é.
Sócrates é um verdadeiro durão (com letra pequena claro).
Victor Franco
domingo, março 12
As manifs em França
As manifestações juntaram trabalhadores e jovens estudantes numa saudável aliança pela estabilidade no trabalho e em greves estudantis que paralisaram já metade das universidades.
Mas a lei portuguesa ainda é pior. Os jovens poderão estar até 7 anos contratados a prazo, e, depois despedidos, poderão reiniciar novos ciclos de contratos a prazo até ao fim das suas vidas.
Agora o BE apresentou um projecto que pretende repor a anterior lei (antes do código de trabalho) dos contratos a prazo. Essa lei permitia que os trabalhadores passassem a efectivos quando o patrão usasse o contrato a prazo de forma intercalada ou sucessiva. Impedia-os ainda de, durante seis meses, fazerem novo contrato a termo certo para o mesmo posto de trabalho – pois era a prova de que o trabalho era permanente e não provisório.
Esse é o dilema com que está confrontado Sócrates. Ou escolhe continuar com a lei de Bagão Félix ou aceita voltar à lei de Guterres. Até agora, a escolha tem sido Bagão.
Victor Franco
sábado, março 11
Dia de luto
De toda a gente?
Um dia acordo, calço os ténis e em peregrinação
Subo ao edifício mais alto que encontrar.
E do alto da cidade solto um monumental:
Foda-se!
Que se foda este país preso ao passado e de futuro adiado
Este país de gente cinzenta. Dormente. Adormecida.
Confortáveis no marasmo, na mediocridade e na rotina.
Este país de gente de boas maneiras. Boas intenções.
Ordeiro. Cordeiro.
Preconceitos. Glórias passadas. Tradições.
Este país agarrado ao mito de um fedelho
Que se perdeu no nevoeiro.
Agarrado a caravelas e que há muito perdeu as velas
E a força. E a vontade
E até a voz.
Que se foda D. Sebastião
Ele não volta não
A este país embalado pela saudade e que fez dela fado.
Orgulho redondo. Bandeira desfraldada.
Hora do futebol.
Ah! Um dia calço os ténis parto em peregrinação
E subo a pé o edifício mais alto da cidade.
E depois de acrescentar um quarto efe ao país
Viro-lhe o cu e vou para outras paragens!
Encandescente
Foto: Geoffroy Demarquet
Gripe das aves: cem mil portugueses "fundamentais" vão receber antiviral em caso de pandemia
sexta-feira, março 10
A tomada de posse da Cavaco e o não cumprimento de Louçã
Para alguns criar polémica no tocante a acções do Bloco de Esquerda, decorrentes da sua actividade política, é hoje um facto incontornável da política portuguesa. Ainda bem. No princípio achavam piada à irreverência do Bloco. Aplaudiam as suas propostas políticas fracturantes. Elogiavam a “coragem” de romper como “status quo”, relativamente a assuntos tabus. Destacavam a qualidade dos seus dirigentes e dos seus deputados, Francisco Louçã era considerado o deputado mais competente.As televisões, os jornais, os comentadores, achavam “graça”. O Bloco era acarinhado. Finalmente qualquer coisa de novo estava a acontecer na cena política. O Bloco trazia para a discussão pública aquilo que outros recusavam debater. O Bloco actuava em contra-ciclo ao politicamente correcto. Trazia a ruptura política contra o conformismo. Introduziu um discurso novo, clamava por uma cidadania exigente, responsável e participativa. Logo na primeira eleição, elegeu dois deputados. O Bloco com o grupo parlamentar mais pequeno foi o mais interventivo, o que apresentou mais propostas, logo no primeiro mandato. Muitas das suas propostas foram aprovadas globalmente ou foram tidas em conta.
Nas eleições seguintes elegeu, salvo erro, três e agora nas últimas legislativas, oito deputados. O Bloco crescia. Em termos autárquicos passou a estar representado em inúmeras autarquias. Em seis/sete anos o Bloco tornou-se uma força política importante.
A partir daí tudo mudou. A quem auguravam um fim próximo, este crescimento assustou.
O Bloco passou a ser visto com outros olhos. As ideias e as propostas políticas tinham eco em vários sectores. Nos sectores mais intelectualizados e urbanos quer no povo mais pobre. Todos elogiavam a coragem, a firmeza e a combatividade. Olhos nos olhos. Sem hipocrisias, sem se vergar a interesses, com coração. Foi assim que o Bloco cresceu. Agora o que antes elogiavam agora criticam.
O estado de graça desapareceu. Onde antes viam coragem e renovação, passaram a ver snobismo, folclore e … manias. Onde antes viam combatividade e coerência, passaram a ver radicalismo, presunção e … manias. Onde antes viam capacidade, competência, passaram a ver, irrealismo, dissimulação e… manias. Enfim! O Bloco começou a incomodar. O Bloco não transigia com a falsidade, a intriga, o consenso podre, com o formalismo hipócrita. O Bloco continuava a intervir, a denunciar, a combater as politicas anti-sociais, a reprovar as politicas económicas, as politicas fiscais, a criticar o modelo de desenvolvimento, a denunciar a corrupção, com firmeza, com clareza, sem tibiezas ou medos. E não se desviou do seu rumo; a luta pela alteração da sociedade com base na justiça social.
É isto que incómoda. Quantas, ameaças de processos judiciários foram feitos contra Francisco Louçã e outros dirigentes? Quantos foram para a frente? Palavras…, de quem para se proteger contra criticas vigorosas, mas consistentes, se refugiava para eleitor incauto ver, no procedimento judicial.
Agora outra polémica está no ar. Muitos foram os que criticaram Louçã por não aplaudir (tal como os outras deputados da esquerda), nem cumprimentar Cavaco Silva (foi o único, principal dirigente político que se recusou a esse papel) no acto da sua tomada de posse. Que era uma deselegância, falta de civismo, falta de sentido de estado...
Não perceber a atitude de Francisco Louça é não perceber ou querer perceber a génese do Bloco de Esquerda. Os deputados do BE estavam presentes, como todos os outros, no discurso de tomada de posse. Cumpriram o seu papel de deputados. Quanto ao resto, não tinham nem têm de aplaudir com o que não concordam, não tinham nem têm que ir ao beija-mão ao Sr. Presidente. Cavaco Silva é o novo Presidente e é-lhe devido o respeito institucional. E vai ser assim. Não estão a imaginar, por acaso, o Bloco rejeitar uma reunião com o Presidente ou desrespeitá-lo como figura primeira da república. Não, isso não vai acontecer... Agora o Bloco vai discordar, vai criticar, vai dizer o que pensa, nas alturas próprias. Sem subserviências bacocas.
Quem pensa que o respeito institucional se faz na “passadeira” da hipocrisia, na ideia bafienta de que é preciso cumprimentar os donos do poder, fazer o jogo do faz de conta, porque se não é considerado desrespeitoso, só na cabeça de algumas más consciências. Não se pode andar a dizer na campanha que o Cavaco é um mal para o país e a seguir, cordeirinhos, fazer fila e desejar-lhe a melhor sorte para políticas que rejeitamos.
São estas pequenas diferenças que me fazem sentir que o Bloco é o partido em que melhor me revejo.
Opa da PT (parte não sei quantas)
A administração da PT declarou guerra à OPA hostil da Sonaecom. Reage tarde e a má hora. É curioso ler o Zeinal Bava, em entrevista ao Jornal de Negócios, dizer que esta OPA hostil foi um "toque de despertar" à PT o que é um reconhecimento claro, de que até aqui têm andado a dormir.
Eu já tinha dado por isso enquanto lá estive. A sério.
Aliás, tirando os próprios administradores e o governo, todos tínhamos dado por isso. Viviam à sombra de uma concorrência fraca e de consumidores pouco exigentes. Inspirados em Galileu, Galilei, "entregaram" a PT às leis da física; "À falta de uma força ou forças para impedi-lo, os corpos não sofrem alterações, tanto em movimento... como em repouso.
Agora acordaram! Finalmente. Mas acordaram virados para o lado contrário. À OPA da Sonaecom, fogem para a frente, esperando-se que há frente... não esteja o precipício.
Conforme já foi anunciado por Horta e Costa e nesta entrevista ao J.Negócios, é reafirmado pelo cérebro destas operações, Zeinal Bava: "Aos trabalhadores também vão ser pedidos sacrifícios salariais".
As outras medidas já são conhecidas; mais endividamento em todas empresas do grupo, recomprar acções próprias, vender activos no Brasil, Macau, África; fazer um corte agressivo de custos; separar o negócio de grosso e retalho na rede fixa.
E isto pra quê? Para melhorar a qualidade do serviço, baixar os preços aos consumidores, dar melhores condições aos trabalhadores? Não! Claro que não!
Estas medidas são para para "remunerar mais os accionistas"!
A proposta de aumento dos dividendos aos accionistas já aí está, mais de dois dígitos de aumento. E os trabalhadores aguentem com os "sacrifícios salariais" e outros que irão aparecer. Nem sequer negociações tem havido quando os aumentos salariais já deveriam ter início em Janeiro.
É interessante observar que em videoconferência alargada a todas as empresas do grupo, em Portugal e no Estrangeiro, logo após o anuncio da contra OPA da admnistração da PT, Horta e Costa ao contrário do que era hábito, já não se referiu aos trabalhadores, como colaboradores, mas sim, como pequenos accionistas. Percebe-se a estratégia: como não queriam dizer que os trabalhadores vão ficar a perder neste "negócio", o melhor é dar-lhes a ilusão de são accionistas e que nessa qualidade ficam a ganhar. Puro ilusionismo.
Que venha a contra OPA à contra OPA da administração da PT. Não se espera melhor, mas enfim... pelo que se ouve e lê, já há mais três empresas americanas a preparar a sua. Falta-lhes o parceiro nacional.
Aguentem pessoal!
quinta-feira, março 9
O insaciável
O espanto vem para as declarações do Presidente da Entidade Reguladora dizendo que se não houvesse um limite legal ao aumento dos preços da energia, este “teria sido de 14,6% o que terá gerado um défice tarifário de 400 milhões de euros”.
O Presidente da Entidade Reguladora diz que já está a ser feita legislação para, alterando a actual, repor esse défice. O dito Presidente reconhece que “ninguém gosta de ter aumentos de 14,6%”.
Entretanto, avança o processo de privatização da energia, com nova fase da privatização do capital da EDP ainda detido pelo Estado e com venda de parte da REN. Percebe-se o filme.
É esta a “ironia” do capital – é insaciável. O capital sempre quer mais, sempre procura acumular-se, sempre está em défice. Apesar de um lucro astronómico está em défice.
Por isso a energia deve ser nacionalizada. Porque é um bem estratégico de primeira necessidade, porque os seus lucros podem reverter para o bem público diminuindo as emissões poluidoras, melhorando a produção em energias alternativas, diminuindo os preços e valorizando quem no sector trabalha. Aí a prioridade será o ambiente e o social.
Victor Franco
quarta-feira, março 8
Mulheres
Há uns doze anos, mais ano menos ano, num jantar da comercial da PT, cada um dos participantes, tinha a incumbência de fazer umas quadras e dedicá-las a alguém. Aos restantes, competia descobrirem quem a escreveu e a quem era dedicada mais em particular. Foi uma iniciativa interessante que nunca mais se repetiu. Foi a minha primeira poesia e ficou provado que não tenho jeito nenhum, para essa arte.Mas hoje, para assinalar o Dia Internacional da Mulher e tendo em conta o momento atribulado que vivem na Portugal Telecom, as minhas companheiras e companheiros, decidi, à falta de melhor e de tempo (sim, hoje falta-me tempo) deixar o poema escrito para esse jantar que dediquei às mulheres da comercial.
Hoje não vou dizer mais nada, a não ser manifestar o meu profundo respeito a todas as mulheres do mundo! As mulheres, globalmente, são as minhas heroínas.
Tributo às mulheres da Comercial
I
Pedem-me uma quadra
E dedicá-la a alguém.
Porém…
Como tentar tal sorte
dar-lhe a forma e o recorte
que só os petas tem.
II
Não sei a quem dirigir
missiva importante tal.
Olhem! Vou-me decidir
falarei das mulheres da comercial
III
Começo pela mais próxima
e de recente aquisição
“ai que linda transferência esta
que bom tê-la sempre à mão,
ela que noutras funções foi mestra!
…Mas as supostas doenças sempre naquela “queca”.
IV
Neste “rede” sem rede envolvidas
merecem uma promoção
são grandes companheiras e amigas
e de uma enorme dedicação.
“Já conheces aquela?”
É deste mundo a Mena?
“atendam o “verde”, merda!”
V
Bem instaladas agora
em plena competição
são quatro, tenham atenção
a nossa “Montra” ali mora
“É vender minhas senhoras,
é vender,
e atender,
como tão bem sabem e sem demoras
fazer.”
VI
É neste momento uma hora
e ocasião para uma pausa.
Preciso de descanso, porra!
Apesar desta boa causa.
VII
Manhã de nevoeiro e isto a ficar difícil.
A inspiração, pouca, já a faltar.
Sabem as mulheres da Comercial são mil,
mas vamos lá continuar.
VIII
São mais quatro d’outra secção
a Ana, Laura, a Céu e a São.
Cuidado, estas mulheres são vulcão.
Atenção, atenção, atenção
destas não temos “reclamação”!
IX
Mas faltam outras já se vê
estão no centro do mundo
falamos das do SPC
sem elas vamos ao fundo.
A Rosa, a Túlia, são flores,
a São e Cinda são perfume,
todas elas uns amores,
sem o mais leve queixume.
X
Agressiva quanto baste
quando farta de nos aturar!
“- Não liguem é tudo arte
é uma forma de nos amar.
O teu “querido” chefe é o Meira!
Que importa? Para mim és a primeira.
XI
Para remate final
neste tributo à mulher
há as melhor ou igual?
Não! Nem em Portugal.
Que mais se quer…
Fernando Marques
terça-feira, março 7
Os aumentos nos serviços de saúde
A taxas moderadoras servem apenas para financiar o serviço nacional de saúde. O que isto vai constituir é mais um encargo para o orçamento das empobrecidas famílias. Os ricos não vão às urgências. Os ricos, tem médicos e hospitais particulares para recorrerem em caso de urgência.
O serviço de triagem nas urgências dos hospitais é que devia ser o verdadeiro serviço moderador. É para isso que existe. Definir prioridades no atendimento nas urgências. E deveria dizer que não é urgente o que não é urgente e recomendar uma consulta externa.
Mas aqui coloca-se um problema que não é resolvido satisfatóriamente: e quando tempo demora a realizar-se essa consulta? E quanto vai custar mais (também vai ser aumentada)? E que meios auxiliares de diagnóstico dispõem esses serviços?
O sistema modera-se se houver médicos de familia para todos e em quantidade suficientes, centros de saúde funcionais e bem equipados, consultas rápidas e com médicos especialistas. Tal como funciona actualmente o sistema de saúde, as pessoas não encontram outros meios, que não seja, usarem subterfúgios para resolver os seus problemas. Quem está doente acha sempre que é urgente!
O que tem de haver é uma aposta séria na reformulação do modelo de funcionamento, na reactivação de centros de saúde, na formação de novos médicos e na construção de hospitais a sério, onde são mais que necessários. Todos sabemos que os nossos cuidados de saúde são frágeis.
Em minha opinião, com o aumento das taxas moderadores, fica tudo na mesma. Apenas a saúde fica mais cara aos pobres, quando deveria ser tendencialmente gracioso, segundo a constituição.
O Governo dá-nos remédios (de remediar).
segunda-feira, março 6
Ainda as contas da mercearia ou talvez não.
As contas estão feitas:a) A Sonaecom neste momento só lhe interessa 50% de acções mais uma, para controlar a PT. Belmiro de Azevedo, considera que a PT globalmente, vale 11,5 mil milhões de euros e nesse sentido só vai gastar metade, ou seja cerca de 5,750 mil milhões.
b) Ora Belmiro pretende separar as redes fixa de cobre (a impropriamente designada rede telefónica) da rede de cabo (a que suporta a TV Cabo) e vender uma delas. A rede fixa vale, segundo as mesmas contas, 4,5 mil milhões de euros e a rede de cabo vale 3 mil milhões. Assim, se subtrairmos, 3 mil milhões de euros, da venda da rede de cabo (ou 4,5 mil milhões, depende se vai vender a rede de cabo ou a de cobre) aos 5,750 mil milhões de euros, sobram 2,750 mil milhões de euros.
d) Se juntarmos a isso, a anunciada venda da participação na Vivo Brasileira, estimada em 3 mil milhões de euros, Belmiro de Azevedo já está a ganhar muito dinheiro.
e) Como a Sonaecom também não deve estar interessado nas participações em África e em Macau a venda desses activos vão gerar mais uns milhões. Por outro lado com a fusão/concentração da TMN com a Optimus os ganhos adicionais com a mesma são muito elevados.
f) Se acrescentarmos a readequação dos activos financeiros e de pessoal das várias empresas dos grupo Sonaecom e da PT, são mais uns milhões a entrar pela porta dentro.
Resumindo: Belmiro de Azevedo só tem a ganhar com esta operação, quase sem riscos e sem custos a não ser os que decorrem da formalização da OPA e de um tempo minimo para readequar a estrutura organizacional e funcional. E o que ganham os consumidores? E os trabalhadores? O que ganha o País? Absolutamente nada! Poderia admitir uma maior capacidade de liderança do grupo PT. Mas que vale isso? Está Belmiro preocupado com o país? Alguém acredita a sério nisso?
A Portugal Telecom, por outro lado, também decidiu agora fazer uma grande operação de charme sobre os accionistas: Assim segundo o DE, "vai endividar-se em todas as empresas do grupo; vai recomprar acções próprias; vai repartir acções que detém na PT Multimédia pelos accionista da PT; vai vender activos no Brasil, Macau, África; vai fazer um corte agressivo de custos; vai separar o negócio de grosso e retalho na rede fixa." Mas isto tudo para quê? Para demonstrar que pode remunerar mais e melhor os accionistas! Para mostrar que a Sonaecom está a pagar muito pouco pelo valor da Empresa PT. Bem isso já nós calculamos. O Belmiro não é amigo do país é amigo do lucro!
Não é porque estejam interessados em melhorar os serviços, baixar os preços ao consumidor, prestar serviços de melhor qualidade que eles se mostram tão empenhados. Não! É para dizer aos accionistas que com eles, vão ganhar mais dinheiro! Mas a especulação bolsista é isto. Depois logo se vê. Não onde faltar outros abutres.
Não sei mesmo se o melhor não seria nacionalizar a PT, pelo menos a rede fixa e vender o cabo. E já agora também a EDP e a Galp. E manter a CGD! Afinal estas empresas mesmo geridas da forma que são e com concorrência, dão muito lucro e assim sempre ajudava a equilibrar as nossas contas públicas. Se servem para os particulares, devem servir para o Estado. Vamos lá voltar às nacionalizações no que importa e privatizemos o que não interessa a ver se alguém pega.
domingo, março 5
A Índia, o Irão e a guerra

Já eram muitas as transnacionais com origem nos EUA que produziam na Índia, explorando, muitas vezes, mão-de-obra infantil, salários de miséria e horários de 12 e 14 horas/dia. Já eram muitos os cérebros indianos que emigravam para os EUA. Já era conhecida a deslocalização da produção para a Índia feita através das modernas redes de comunicações e de teletrabalho.
Mas faltavam dois pontinhos finais. Um, é a parceria militar ao mais alto nível – o da tecnologia nuclear. Outro é o convite para a Índia integrar o consórcio de grandes potências que vai construir o primeiro reactor de fusão nuclear do mundo – a energia do futuro.
Bush não se preocupa que a Índia não tenha aderido ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que tenha desenvolvido e realizado testes nucleares… não, isso não tem importância para um país com um exército que trabalha “em parceria” com os EUA, para um país onde os EUA têm altos interesses económicos. Ora, como é bom de ver, não se está a ver os EUA deitarem bombas em cima das fábricas americanas…
No Irão é diferente. O exército iraniano não trabalha em parceria com o americano e o seu petróleo não é explorado por empresas americanas. Outras áreas da economia iraniana não parecem ter o dinamismo de uma presença norte-americana. Ora, como é bom de ver, já se está a ver que os EUA podem deitar bombas em cima das fábricas iranianas, do povo iraniano, da terra iraniana…
Ainda por cima o Irão quer abrir, em Março, uma bolsa de comércio internacional de petróleo a funcionar em euros!
Ah é verdade, o Irão quer produzir energia nuclear – não pode ser. E bombas nucleares – mas que malandros! Em nome da paz mundial os EUA não deixam.
E o petróleo faz tanta falta!
Victor Franco
Um adeus a Sampaio
É verdade que das 113 visitas oficiais e de Estado ao estrangeiro, Sampaio privilegiou a Europa e os países de língua oficial portuguesa. Não é menos verdade que de todas as viagens realizadas, as que motivaram mais críticas, discórdias e incompreensão foram as efectuadas aos países da América Latina, com excepção do Brasil, por motivos óbvios.Em regra essas viagens eram realizadas no âmbito das Cimeiras Ibero-Americanas e dos 20 países que a par com Portugal as integram, Sampaio esteve em 12 deles: Espanha, Chile, Brasil, Venezuela, México, Cuba, Panamá, Peru, Uruguai, Bolívia, Costa Rica e Paraguai.
Tolerava-se uma viagem do Presidente a França, à Alemanha ou a Espanha, mas insultava-se quando o destino era o Peru ou a Bolívia.
Posto isto, estou em crer que não são os pouco mais de 90.000 m2 quadrados, que fazem de Portugal um país pequenino, mas antes, a mentalidade tacanha e obtusa patente nos comentários expressos aquando as visitas de Sampaio a esses países.
Ninguém parou para pensar na enorme atracção e consequente tentativa de domínio que a grande potência do norte, vulgo E.U.A., exerce sobre a América Latina. A tradução institucional mais avançada desse assédio era o processo, recentemente falhado, de constituição da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), “produto” idealizado e 100% Made in USA.
Ninguém parou para pensar que na Cimeira Ibero-Americana, a representação europeia é assegurada apenas por Portugal e Espanha.
Ninguém parou para pensar que sem ALCA, resta o MERCOSUL, que se reveste de um particular interesse para Portugal, em virtude do protagonismo que o Brasil assume nessa organização e que assegura a este nosso pequeno país, um papel fulcral no contexto económico da América Latina.
Claro que esta questão só preocupa aos espanhóis. E têm motivos para isso. Pois aos nossos vizinhos não passou despercebida a entrada da Venezuela no MERCOSUL. Nem passou despercebido o facto de, nas negociações que antecederam essa entrada, o Presidente Hugo Chávez ter intercedido junto do Presidente Lula da Silva para que as Escolas do Brasil tivessem o ensino obrigatório do espanhol. E assim foi.
A lei que se encontrava na gaveta desde 1991, já está em vigor no Brasil, porém, desde então, igual pedido quanto ao ensino do português, tem sido reiterado pelo Presidente Lula da Silva junto dos países da América Latina. O que já não sei, porque não me é dado a conhecer, é o que Portugal tem estado a fazer nesse sentido. Desconheço também as acções do Instituto Camões nesta matéria, mas conheço as movimentações do Instituto Cervantes no único país da América Latina que fala português.
Pelo exposto não posso de deixar de dar o meu apoio às criticadas viagens realizadas pelo Presidente Sampaio. Talvez também, porque com alguma pena vejo partir um homem que creio ser de esquerda.
Cris
sábado, março 4
Paguem-nos os medicamentos e não precisamos do dinheiro
O Partido Socialista na campanha eleitoral, prometeu que ganhando as eleições, não haveria, no fim da legislatura, nenhum idoso a viver com menos de 300 euros mensais. Sejamos claros. Não era uma grande promessa. Estamos a falar em 900 mil idosos com pensões médias à volta de 200 euros. O primeiro-ministro Sócrates vem-nos agora dizer que só um terço deles está no limite da pobreza. Os outros têm outros meios de subsistência; dinheiro no banco, património, filhos com posses.O Primeiro-Ministro diz-nos agora o que não disse na campanha eleitoral; “com esta medida inaugura uma nova geração de politicas sociais, sendo agora mais selectivo”. Mentiu-nos portanto o Engº Sócrates…, por omissão. Não foi a primeira vez. E não será a última, a continuar neste caminho. Escusam de estar descansados.
Não rejeito a necessidade de ser rigoroso no apoio financeiro às famílias. É dinheiro de todos os que pagam impostos e deve ser gerido com parcimónia. O problema é que não vejo, tantos cuidados na gestão dos dinheiros públicos, como neste caso. Não faltam os exemplos. Cito apenas e por ser o último, denunciado hoje pelo Correio da Manhã, dos apoios do Estado no valor de 3,7 milhões de euros desde 2002 a uma associação privada de diplomatas, para “financiar indirectamente a comparticipação dos complementos de reforma, saúde e escola dos filhos dos diplomatas”, à margem da lei.
O encargo financeiro com esta operação de colocar todos os idosos a receber 300 euros mensais, num intervalo de quatro anos, é pequeno. Mas mesmo assim colocam-se tantos obstáculos. Mas se por um lado é elucidativo do índice do desenvolvimento social e económico do nosso país, que envergonha, quando estamos a falar em migalhas, também, revela a mesquinhez dos nossos governantes.
Os filhos têm o dever de apoiar os pais necessitados. Pela minha parte, não o pedirei, se vier a precisar, para sobreviver. Nunca. Apesar de saber que contaria com o apoio deles. Não cabe ao Estado, impor regras em casa alheia, no âmbito familiar. O Estado compete-lhe assumir um papel de Estado-Providência a quem necessita. Distribuindo melhor os recursos. Gerindo melhor as contas públicas. Não pode é meter o nariz onde não é chamado. Gerir solidariamente os nossos dinheiros é o que se pede.
Seguindo este critério, “do rendimento de todo o agregado familiar”, o Governo acabaria com todas as prestações sociais, como seria o caso do subsídio de desemprego, por exemplo. É um Estado-Providência minimalista que o governo pretende, segundo uma lógica capitalista, de salve-se quem puder. Quem garante que numa família os filhos vão contribuir ou todos vão contribuir? Numa família com dois filhos, por exemplo, se um é rico, mas não liga à família e o outro é pobre e não pode, como se resolve o problema?
Aceito que uma distribuição igualitária possa não ser justa mas parece-me mais equilibrada. Ou então como dizia uma velhota: “Paguem-nos os medicamentos por inteiro e nós já não precisamos do dinheiro”. Ora talvez aqui esteja uma boa solução.
Contemplação II
Os olhos procuram
Os olhos olham
Os olhos murmuram
Os olhos namoram
Fernando Marques
E o gajo continua armado em poeta
sexta-feira, março 3
Contemplação
Os olhos não se desviam
Os olhos embirraram
Os olhos até comiam.
Fernando Marques
às vezes dá-me uma de poeta.
Belmiro pode comprar a PT a custo zero.
Nestas contas de "mercearia", Belmiro de Azevedo, se vender a rede fixa (como pretende), vender a Vivo como anunciou querer e ainda com os ganhos financeiros, resultante da fusão da Optimus com a TMN, não só resolve logo o problema da dívida, como garante a curto prazo, um retorno financeiro, elevadíssimo.
Mas isto são contas de mercearia. Será que os merceeiros sabem fazer contas?
quinta-feira, março 2
Quanto ganhará esta gente?
Contudo, Belmiro de Azevedo, pode deixar de cair a OPA se tiver que pagar indemnizações de rescisões de contratos com a admnistração da PT, consideradas milionárias.
Mas quanto ganhará esta gente, para colocar, eventualmente, em causa uma operação desta envergadura? Não. Não quero saber, para não ficar doente!
Cuidado com as crianças*
Se tem uma criança com 36 meses ou menos e como todas as crianças, é "birrenta ou desobediente", ou apresenta alguns traços no seu carácter, como "falta de docilidade, impulsividade, alguma agressividade", então tenha muita cuidado, mesmo muito cuidado. O seu filho, pode ser um potencial deliquente, um provável criminoso. Atenção! Se ele grita ou se zanga, se manipula ou é mais agressivo, você pode estar a criar um monstro.O ministro da segurança francesa, Sarkozy, depois dos últimos incidentes com as crianças em França, previne-se antes que o mal se repita. É de pequenino que se torçe o pepino, lá diz o ditado. E então para prevenir comportamentos de delinquência na adolescência, trata de criar um "caderno comportamental", destinado a seguir a evolução das crianças no seu processo de crescimento. E para que não aja dúvidas de onde vem o perigo principal convém que fique registado a "origem étnica".
Este rastreio não se limita a acompanhar o comportamento desde o infantário. Pretende, "prever" onde estão os futuros criminosos. Ele não se limita a analisar comportamentos desviantes do paradigma normal, rotula as crianças de potenciais criminosas. Tudo "em nome da da segurança e manutenção da ordem pública". Segundo a petição que corre em França, sob um vernis científico, o objectivo desta medida é justificar o reforço das medidas securitárias que Sarkozy pretende adoptar nas próximas semanas.
Os peticionários rejeitam e receiam a tentativa de "medicalização ou psiquiatrização de qualquer sinal de mal-estar", manifestado pelas crianças e a prática sistemática de cuidados médicos para fins de normalização e de controle social.
Conforme referem especialistas na matéria, como pediatras, pedopsiquiatras, cientista médicos, ninguém pode dizer que uma criança que apresenta problemas de comportamento aos três anos, será um delinquente aos quinze anos.
Bem, traquina como sempre fui, eu estaria, certamente, na lista negra dos potenciais e perigosos delinquentes. Não queria estar na pele dessas crianças e dos pais.
Acompanhar as crianças no seu desenvolvimento, social e harmonioso, tem de ser outra coisa, necessáriamente.
*segundo uma notícia do Público de hoje.
E a montanha a parir mais um rato
Estávamos impacientes. Quais seriam as ilegalidades? Nós estávamos ali para aprovar a comissão de inquérito ou mesmo "dispensar" a comissão e encaminhar para as entidades policiais, a confirmarem-se as ilegalidades. A convocatória não admitia dúvidas. Falava em ilegalidades cometidas e não em eventuais ilegalidades. Que viessem elas!
Não veio nenhuma prova, não veio nenhum indício, não veio nenhuma acusação. Apenas se referiram às declarações do Presidente da Câmara na assembleia de aprovação do orçamento municipal, dirigidas aos presidentes das juntas de freguesia.
Como dissemos então, o Presidente da Câmara, excedeu-se, produziu afirmações infelizes, deixou insinuações, foi arrogante e sectário perante uma derrota inesperada, acusou tudo e todos, em particular os presidentes das juntas, os únicos com motivos, para uma defesa da sua honorabilidade e o bom nome. Não entenderam assim os presidentes. Eles lá sabem. Por mim as pressões a que o Presidente se referiu, tinham a ver com o facto dos mesmos pedirem, exigirem, influenciarem, no sentido de conseguir mais inertes, para as suas freguesias, para realizar obras, para apresentarem trabalho, num quadro em que as relações não estavam reguladas. Mas o Presidente, não suportou uma derrota. E disse o impensável. E acusou os presidentes de pretenderem este sistema em que, quem mais ganha é quem mais chora ou mais pressiona.
Nós também não concordávamos com este sistema. E logo na primeira reunião da Assembleia, após a tomada de posse, apresentamos uma proposta de regulação transparente, da distribuição dos apoios às juntas. Fomos derrotados. Apenas a CDU nos acompanhou na votação. Afinal tínhamos razão. Pena foi que o Presidente tivesse demorado 12 anos a perceber que alguma coisa tinha de ser feito.
A Assembleia de ontem, foi pois mais uma sessão desprestigiante. Por um lado o PSD e o CDS, apenas quiseram fazer um espectáculo mediático e atacar o homem e não a gestão camarária, por outro, o PS aproveitou para fazer, mais um exercício de demagogia, agora, falando nos custos para o erário público destas sessões.
Por nós não contestamos o direito de qualquer grupo político, provocar o agendamento de Assembleias extraordinárias, potestativas, no quadro das leis e do regimento. O exercício de um direito democrático não tem preço.
Em nome pessoal, intervi para manifestar a minha grande decepção com o funcionamento da(s) Assembleia Municipal, sobre a má condução, recorrente, dos trabalhos, da falta de compostura e de respeito pelas posições divergentes, expressas em conversa laterais, em “bocas”, em desinteligências arreliadoras que nada prestigiam um órgão que tem por missão principal, fiscalizar democraticamente a gestão autárquica. Terminei a minha intervenção, dizendo que “para este peditório não dou” e a continuar assim, peço a suspensão do meu mandato.
Face à inexistência de razões que justificassem o inquérito a proposta foi derrotada, não conseguindo sequer os votos de muitos eleitos dos partidos proponentes.
Empresas municipais - feitiço volta-se contra o feiticeiro
Eis o que acontece quando o poder autárquico se deixa embalar no conto neoliberal das privatizações.
Em muitos municípios, cada vez mais, foram criadas empresas municipais. Os objectivos eram vários:
1. Aproveitar uma nova forma de fazer negócio e colocar mais uns amigos, empresas amigas ou colegas de partido, a ganhar uma "coroas boas". Ou em linguagem mais civilizada: dinamizar a iniciativa privada;
2. Transferir para o sector privado um conjunto de trabalhadores que de outra forma deveriam pertencer aos quadros da câmara;
3.Transferir para empresas municipais a capacidade de endividamento que a câmara já não dispunha;
4.Retirar decisões importantes do controle popular e político, da cidadania exigente, em particular das assembleias municipais...
No concelho onde fui cabeça de lista à câmara municipal, Loures, o PCP deteve a presidência durante 20 anos. No concelho de Jerónimo de Sousa, o PCP criou a primeira empresa municipal do país, a GESLoures. Pouco tempo depois criou a LouresParque - precisamente uma empresa de estacionamento. Também esta empresa está no centro da polémica por procedimentos semelhantes à empresa de Valongo.
Agora os executivos municipais queixam-se?! Pois muito bem, dissolvam as empresas municipais, integrem seus trabalhadores e suas competências no município.
Mas isso era uma política de transparência. Não pode ser pois não?!
Victor Franco
quarta-feira, março 1
Quando a música é uma arma e os blogs independentes a única munição
Todos esses meios de comunicação social, ou melhor, de comunicação comercial, quase nos criam a convicção que afinal a situação que se vive em Portugal, mais não passa de mais um mau ciclo económico, daqueles que passam com o decurso do tempo, é só uma questão de esperarmos mais ano, menos ano, quais Alices no País das Maravilhas.
Para quê intervir? Se de um dia para o outro tudo se resolverá, ou seja, deixaremos de ser tão pobres, o desemprego diminuirá, a educação será finalmente educada e a saúde tendencialmente gratuita.
«Gente pobre, com empregos mal remunerados, baixa escolaridade, pele escura. Jovens pelas ruas, desocupados, abandonaram a escola por não verem o porquê de aprender sobre democracia e liberdade se vivem apanhando da polícia e sendo discriminados no mercado de trabalho. Ruas sujas e abandonadas, poucos espaços para o lazer.”: é assim que o jornalista brasileiro Spency Pimentel define os protagonistas do Hip Hop, os únicos que em meu entender nos dias de hoje ousam fazer a música de intervenção política ou social que cria o desassossego, abana as consciências, faz guerra ao conformismo.
Eles andam por aí, são as bandas “underground”, não entram nos circuitos comerciais, por isso poucos conhecem o “Fim da Ditadura” de Valete ou o “Capitalismo” do Xeg. Não fossem os Blogs e jamais poderia estar a escrever estes nomes.
Pelo mesmo motivo que se eu escrever isto – “Olá nina, quero tratar de ti, Dar-te um mundo e o outro tenho tudo aqui, Chega só um pouco perto de mim, Acredita que nunca me senti assim” – a maioria me sabe responder que se tratam dos Da Weasel.
Porém, se eu escrever isto – Desculpa lá, dread, se não nasci no gueto. Desculpa lá, se a pele da minha cara é muito clara para me achares um verdadeiro preto. Não há espiga. Vamos fumar o cachimbo da paz. Eu, tu e um novo rico de fato lilás. Tu roubas-lhe o dinheiro...eu roubo-te a intolerância e o preconceito – poucos me saberão responder que se trata dos mesmos Da Weasel.
Cris
(Mais uma amiga a colaborar com o "A hora que há-de vir". Bem-vinda Cris. Espero que essa colaboração continue. Este Blogue contigo, o Victor e outros que hão-de vir, cada vez irá ficar melhor.)









